Dan Cates admite culpa em trapaça após acusação de Bill Perkins e “pede desculpas”, entenda

Por: 27/05/2020

Dan Cates admitiu ghost mas disse que acreditou que todos estavam fazendo o mesmo. Saiba mais sobre o novo escândalo do poker

dan cates dan bilzeria bill perkins 450Não bastasse as 34762398 séries e torneios ocorrendo diariamente, o mundo da mídia também foi sacudido por um “escândalo” nesta semana (e ainda não sei se cabem essas aspas). O magnata Bill Perkins utilizou sua conta no Twitter para expor um caso de ghosting (quando um jogador utiliza a conta de outro jogador online para, assim, obter vantagem).

De acordo com Bill, o golpe ocorreu em um jogo privado online, onde um jogador (“top 7 do mundo”, segundo o próprio) usou a conta de um recreativo e embolsou alguns milhares de dólares.

Após afirmar que o caso faria o escândalo de Mike Postle (falamos muito sobre aqui, aqui e aqui) “parecer conto de igreja”, o embaixador do partypoker se negou a dar mais informações, alegando promessa de segredo feita a um dos denunciantes. A falta de evidências, provas e a denúncia vazia fez muitos jogadores desconfiarem do caso. Fedor Holz brincou ao se dizer aliviado por não fazer mais parte do top 7 do site Hendon Mob. Doug Polk disse nunca ter torcido tanto para Daniel Negreanu. E Bill Perkins se limitou a inocentar Jason Koon, afirmando que o jogador fora tentado a trapacear, mas recusou honradamente.

Até que surgiu um inesperado “herói” (aqui, sim, cabe aspas).

Dan Bilzerian, o playboy-fanfarrão-auto-intitulado-melhor-jogador-do-mundo-rei-do-instagram-que-vive-envolto-de-atrizes-pornô-inclusive-jogando-as-do-telhado, decidiu dar nome aos bois: Dan Cates, o jungleman, seria o jogador de elite. Ele teria usado a conta de um jogador chamado Sina Taleb e tirado vantagem dos amadores. Bilzerian, inclusive, fez a acusação em alto nível, chamando Sina de cocksucker (e que, embora sejamos todos grandinhos, prezado (a) leitor (a), não traduzirei o termo a fim de manter alguma elegância no texto. Mas está traduzido aqui, de forma bem eufêmica).

“**** Sina Taleb trapaceou a mim, Bill Perkins e outros no aplicativo Fun Poker ao ter Dan Cates jogando em sua conta”, diz o Twitter de Bilzerian.

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Cates também foi ao Twitter e disse que não poderia se pronunciar, mas que iria endereçar o assunto quando fosse conveniente.

“Não posso discutir o assunto agora por motivos legais, mas não foi bem isso. Nunca joguei uma mão com Dan Bilzerian. Darei mais informações quando for apropriado, mas existia ghosting flagrante naquele site, mais do que as pessoas gostam de admitir”.

dan cates twitter

E hoje, após conversar com algumas pessoas e receber o apoio de vários seguidores nas redes sociais, resolveu abrir o jogo (íntegra aqui)

“Não pude fazê-lo antes devido a aconselhamento jurídico e por questões financeiras.

Para ser claro, comecei a jogar com Sina (seu sobrenome não é Taleb, para constar) no dia 8 de maio, e acabei jogando poucas sessões, nenhuma das quais contra Dan Bilzerian, como alegado.

Eu joguei muitas poucas mãos contra Bill Perkins, que sentou em um jogo que eu entendi que era repleto de profissionais se passando por ghosts. Achei que já que muitos estavam usando profissionais para jogar para eles (o que ficou claro pelo nível de jogo, excepcionalmente alto), na hora me pareceu aceitável jogar. Infelizmente, Bill foi pego no fogo cruzado e eu lamento muito por isso.  

Embora eu não ache justo que eu tenha sido escolhido por algo do qual muitos foram muito mais culpados, eu aceito que, como um modelo para a comunidade de poker, a minha punição deve ser desproporcional em comparação a um jogador normal. Me mantenho fiel a um alto padrão de ética e aspiro a ser desprovido de iniquidade, mas ainda cometo erros e sinto muito pelos meus atos. Farei o meu melhor para me comportar melhor no futuro.

Também gostaria de agradecer aos meus amigos e às pessoas que me apoiaram na internet e em outros meios. Seus esforços foram vitais para mitigar esta situação e agradeço sua preocupação por mim. Agradecimentos especiais a Nick Schulman, que me contatou para garantir que eu estivesse bem e iniciou o movimento #Freejungle. Se alguém mais acredita na minha integridade e que eu não deveria ser maltratado na internet, eu apreciaria qualquer apoio e o apreciaria, especialmente, se eu o conhecesse”.

E ficou por isso. Cates, basicamente disse que “achei que todos estavam fazendo e também fiz” e, enquanto alguns seguem idolatrando o ótimo jogador e dono de uma personalidade diferenciada (algo raro não só no mundo do poker), outros não engoliram as palavras do jungleman.

Shaun Deeb argumentou: “outros fazendo não é desculpa para você também fazer. Claramente, se você queria jogar o jogo e alguns dos recreativos não estavam usando ghosts, você escolheu equidade e ganhos por hora ao invés de escolher pela moralidade e ética. Se o limite é outros fazendo, então é uma inclinação escorregadia à constante trapaça”.

Grant Hinkle foi além e vislumbrou o impacto que causa um grande nome do jogo estar envolvido em situações sórdidas.

“Isto não é um pedido de desculpas. O comportamento sombrio dos melhores jogadores da indústria não é um bom sinal para o poker a longo prazo. Surpreendido com o apoio aberto do comportamento antiético do jungleman por outros“.

As perguntas que ficam cabem ao leitor responder: foi muito errada, pouco errada ou simplesmente errada a atitude de Dan Cates? E, afinal, as desculpas do jogador levam aspas, ou não?

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Alex Faccini

Alex Faccini

Conheceu o poker em 2006 através da ESPN, em uma mesa que contava com Sam Farha e Phil Ivey. Se apaixonou pelo jogo e pela malandragem de Farha, o único jogador com sangue HUE BR. Passou pelas faculdades de Direito e Publicidade, sem concluir nem uma, nem outra. Apaixonado por cinema, música, literatura e outras artes mais, aprendeu a jogar sinuca em botecos com tiozinhos tomando cachaça, e tem a certeza que vivemos em uma Matrix. Sempre se esquece de encher as formas de gelo.

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