Desafio de Russo Expõe Pobreza de Rakeback do PokerStars, Entenda

Por: 14/03/2018

Russo FREEQ7Z pagou US$ 100 mil em rake para completar mega desafio e recebeu apenas uma ínfima parcela de rakeback.

pokerstars logo 450Dias atrás, o russo (sempre eles) FREEQ7Z completou um super desafio ao bater o recorde mundial de Spin & Go’s jogados durante um mês – ou 31 dias, para ser mais exato – ao participar de 20 mil jogos durante o período. Além da estafante tarefa cumprida, também chamou a atenção a soma amealhada ao fim do desafio: mais de US$ 35 mil de lucro nos jogos e US$ 25 mil conquistados em apostas paralelas. Mas o valor total poderia ser bem maior, não fosse a fragilidade, ou melhor, quase a inexistência, do programa de rakeback do PokerStars.

Com um rake de 5%, os 20.000 Spins com buy-in de US$ 100 geraram um rake de US$ 100.000 para o PokerStars. Isto apenas um jogador, em apenas um mês. O grande problema é que desta soma toda, apenas US$ 4.157 retornaram aos bolsos de FREEQ7Z, seja através de prêmios em dinheiro, tickets para torneios ou Spin & Go e moedas, as Stars Coins. Apenas 4,15%.

O Stars Rewards é o programa de recompensa aos jogadores do PokerStars, e distribui baús de diferentes cores de acordo com o grind do usuário após completar barras de progresso. Os baús tem cinco cores: vermelho, azul, bronze, prata, ouro e platinum, e distribuem prêmios entre US$ 0,07 e US$ 1.000. Quanto melhor o baú, maiores os prêmios mínimos e máximos. Os jogadores também faturam Stars Coins, e podem trocá-las a uma taxa de 100.000 moedas por US$ 1.000 em cash.

No total, FREEQZ7 recebeu de volta nos baús:

US$ 1.226 em cash;

US$ 815 em tickets de torneios;

US$ 842 em tickets de Spin & Go;

127.341 Stars Coins, que valem US$ 1.273,41.

Como justificativa para jogar no PokerStars, FREEQ7Z disse que a sala dispõe de maior volume, requisito essencial para jogar cerca de 70 Spins por hora, e um número de bots menor que os das outras salas. Embora acredite que existam muitos bots nos Spin & Go, o russo diz que os bots do PokerStars ao menos tem a “preocupação” em parecer humanos.

A mudança no sistema de rakeback do PokerStars ocorreu em julho do ano passado e desagradou a uma grande parcela de jogadores. Os status vips foram modificados pelos prêmios em baús que, como se pôde constatar no desafio russo, retornam uma parcela mínima ao bolso do jogador. Quem mais sofre, desse modo, é o regular, o jogador que grinda constantemente e gera, por consequência, muito rake para a sala.

A Amaya, empresa dona da sala da espada vermelha, justificou a mudança como uma alternativa para equilibrar a ecologia do jogo e atrair ainda mais jogadores, com recompensas mais imediatas. As mudanças também proporcionariam ao PokerStars um maior investimento em Pesquisa & Desenvolvimento, para criar jogos como o Power Up, por exemplo, um maior investimento em segurança, e a criação de eventos com valores adicionados, caso do Players NLH Championship, que terá US$ 9 milhões a mais investidos pela sala. Parte do valor, ainda, vai para os bolsos dos Team Pro, que receberiam entre US$ 40 mil e US$ 300 mil de salário anual.

Desta forma, para os jogadores que se concentram no rakeback, a alternativa é utilizar salas como o partypoker, que conta com um sistema com até 40% de rakeback, ou a Betsson, que distribui entre 10% e 30% do valor pago em rake de volta ao bankroll do usuário.

É bom lembrar que poucos anos atrás a porcentagem recebida por um Supernova Elite, que seria o caso do super grinder russo, em rakeback, era em torno de 70% a 75%. No desafio, isso significaria um ganho de US$ 75 mil, mais que o valor conquistado em lucro, apostas e com os premiozinhos dos baús. De qualquer modo, fica a pergunta: seria tão difícil para o PokerStars criar um sistema que distribuísse pelo menos o triplo em rakeback a um heavy grinder como FREEQ7Z?

Abaixo, o vídeo do russo com a abertura dos baús.

Curta a página do MaisEV no Facebook siga-nos no Twitter

 

VEJA AQUI OS MELHORES ACESSÓRIOS PARA JOGAR POKER.

Alex Faccini

Alex Faccini

Conheceu o poker em 2006 através da ESPN, em uma mesa que contava com Sam Farha e Phil Ivey. Se apaixonou pelo jogo e pela malandragem de Farha, o único jogador com sangue HUE BR. Passou pelas faculdades de Direito e Publicidade, sem concluir nem uma, nem outra. Apaixonado por cinema, música, literatura e outras artes mais, aprendeu a jogar sinuca em botecos com tiozinhos tomando cachaça, e tem a certeza que vivemos em uma Matrix. Sempre se esquece de encher as formas de gelo.

Veja mais:

Salas de Poker