Francisco “Xikon” Braga Conta Porque Trocou o Poker Pelo Overwatch

Por: 28/08/2017

Depois de conquistar o sucesso no poker, Francisco Braga, o Xikon, sonha agora em alcançar novos títulos nos e-sports

Francisco BragaMuito tem se falado sobre a relação entre poker e e-sports. Questões como disciplina, capacidade de concentração e resistência são comuns entre profissionais de ambos os jogos, levando até mesmo à migração de jogadores como foi o caso de Bertrand “ElkY” Grospellier e Randy “nanonoko” Lew.

No Brasil, o melhor exemplo seria o carioca Francisco Braga, mais conhecido como Xikon, que depois de atingir o sucesso nos feltros – incluindo um título do Brazilian Series of Poker – agora dedica-se aos e-sports com o jogo Blizzard, competindo em campeonatos nacionais pelo time Dogma. Usuário do Fórum MaisEV desde seus primeiros dias, Xikon nos contou como os motivos de ter deixado o poker para trás e como é sua nova vida.

 

Por quanto tempo você jogou poker?

Joguei por quase 10 anos.

E parou há quanto tempo?

Há 1 ano e meio.

Por que parou?

Eu já estava cansado da rotina e do stress e não era mais rentável como foi há alguns anos.

Como era sua rotina jogando poker?

Meus últimos dois anos jogando foram como jogador de torneio, então eu acordava, comia, abria as mesas e não tinha hora definida pra terminar.

Mas você ainda conseguia se manter com o poker, mesmo tendo diminuído a rentabilidade?

Conseguia porque eu estudava constantemente e tinha contato com muitos amigos que ainda jogavam, então estavamos sempre conversando sobre o jogo, mãos jogadas e etc.

E nesse tempo parado, o que você fez?

Arrumei um trabalho na internet como Web Researcher e tenho me dedicado ao Overwatch desde o lançamento, 1 ano atrás.

Então você ainda trabalha como web researcher?

Sim, ainda trabalho.

Há quanto tempo faz parte de um time profissional?

Por volta de 6-7 meses, quando entrei como reserva na First E-Sports para disputa do campeonato da Old Spice.

Você viu alguma similaridade do que poker pro cenário de e-sports?

Sim, algumas. Acho que o principal seria a parte que envolve analisar os adversários e tentar antecipar o que eles estão pensando, coisa que eu ainda acho que poucos times conseguem fazer bem no Brasil.

E como é a rotina de um jogador profissional de e-sports?

Ainda não me considero profissional, mas pelo que eu vejo não é muito diferente da rotina de um jogador de poker online. Jogar quase o dia todo e tentar cuidar do corpo e da mente nos intervalos. A diferença é que o seu salário não está em jogo a cada minuto como no poker.

Nesse sentido, você acha que já é possível viver apenas do e-sports no Brasil?

No Brasil, no momento, não. Investimento ainda é bem baixo. Mas existem exemplos de brasileiros em outros jogos que foram contratados por organizações de fora e estão entre os melhores do mundo.

Você acha que sua experiência como profissional de poker te ajudou a ser melhor, agregou algo pra você na nova “carreira”? Se sim, o que?

Como falei antes, a parte de tentar entender o que oponente pode pensar em fazer foi o que mais me ajudou, mas tirando isso eu tive que começar do zero, nunca tinha jogado nenhum jogo de FPS na vida. Fui aprendendo com muita prática e vendo jogadores melhores jogando.

E como foi o contato e o ingresso no cenário profissional?

Foi difícil, já existiam muitos jogadores de nível alto que jogaram o closed beta ou que vieram de outros jogos. Então tive que ir tentando buscar espaço aos poucos conforme ia evoluindo.

Como você vê o cenário competitivo de Overwatch? Já tivemos exemplo de jogador brasileiro se afastando por falta de “interesse” da Blizzard no cenário, por exemplo.

É preciso ter paciência, o jogo acabou de completar um ano e os campeonatos da Blizzard começaram a aparecer agora com o OW Contenders e o Open Division. Sei que é difícil se mantar motivado sem nenhum retorno, mas pra mim nunca foi um problema porque eu gosto muito de jogar e assistir campeonatos. Na América do Norte e na Coréia do Sul o cenário já está bem estabilizado e a tendência é crescer bastante.

Pra encerrar, você ainda joga poker? Sente falta?

Desde que parei não joguei nenhuma mão, não sinto falta nenhuma.

 

 

 

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Danilo Telles

Danilo Telles

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.
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