Entrevista Com Felipe Mongregon, Vencedor do Ranking MaisEV no 888poker

Por: 07/06/2016

Felipe Mongregon joga 12 horas por dia no 888poker.

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Felipe Mongregon tem 35 anos e nasceu em Lausanne, na Suíça, mas é brasileiro.

Vencedor do Ranking MaisEV de março no 888poker, ele ganhou uma entrada para o Main Event do 888 Festival, torneio que excedeu o garantido de R$ 1 milhão e consagrou Thiago Carvalho como grande campeão.

Jogador de torneios, Felipe tem muito em comum com uma boa parte dos profissionais do país: conheceu o poker em uma brincadeira e aos poucos foi aprimorando seu jogo.

Depois de uma fase como “semiprofissional” – como o próprio descreve – em mesas ao vivo, ele fez a transição para o poker online, onde imprime um ritmo consistente e sempre é um forte competidor do ranking. Além de ganhar a vida nos feltros virtuais.

Conversar com Felipe Mongrecon é como conversar com um verdadeiro grinder: uma pessoa que tem afinidade e fala com naturalidade a linguagem do jogo, e que tem o domínio de conceitos importantes, inclusive da parte mental.

Apaixonado pela Ponte Preta, como você pode conferir em qualquer uma das suas redes sociais, ele também adora jogar contra franceses e acha que os brasileiros perdem muito tempo se estressando nas mesas entre si.

Confira a entrevista completa com Felipe Mongregon

Como você conheceu o poker, qual foi o seu primeiro contato com o jogo?

Faz tempo. Foi por volta de 2004, 2005, em um home game com amigos. Era um jogo bem barato, sem muita pretensão.

A brincadeira virou coisa séria em 2006, 2007, quando comecei a ter um maior contato com alguns profissionais. Me liguei mais no vocabulário próprio do jogo, em termos específicos, estudei mais, mas a profissionalização mesmo só veio em 2009, e não de forma plena. Um semiprofissional, digamos. Digo isso porque me dedicava mais ao jogo ao vivo, e só comecei a me considerar profissional depois de bons e constantes resultados no online, isso em 2012.

E como foi essa transição de amador para semiprofissional até virar grinder em tempo integral?

Eu tinha uns 23 anos quando tive contato com o jogo e fazia faculdade, estudava jornalismo, e depois estudei gestão em marketing. Trabalhei com várias coisas off-poker nesse período. Tentei viver do poker mas, por conta de algumas questões pessoais tive que voltar a trabalhar. Percebi que o poker era o que eu gostava, e decidi me dedicar 100% ao jogo, ao cash game live. Nisso eu já tinha uns 27 anos.  E com meus 31 que consegui minha regularidade no online.

Eu não tenho uma rotina muito fixa, mas geralmente jogo das 14 horas até umas 2 da manhã, mais ou menos. Não é muito aconselhável fazer sessões muito longas – e eu já joguei por até 30 horas – mas ao mesmo tempo o jogador que imprimir um ritmo de quatro, cinco, seis horas por dia, vai levar muito tempo até enxergar algum resultado. Até para engrenar na sessão e começar a alinhar o jogo, chegar no seu A game, demora um pouco.

E porquê a opção de jogar no 888poker?felipe mongregon

Comecei jogando playmoney, e depois em real money em salas pequenas e pelo fato de uma delas ser skin do 888poker não são todos os torneios que estão disponíveis. O Ranking MaisEV foi um diferencial e eu sinto que o field é um pouco melhor que o de outras salas. Facilmente se percebe a diferença de nível técnico. Entretanto, de uns tempos pra cá eu noto que o nível evoluiu muito no 888poker. O field está bem mais difícil e eu acho que essa é a tendência nas outras salas também.

O que eu vejo hoje com a principal sala de poker é que há algo parecido com o que ocorre com a Rede Globo: o pessoal adora criticar mas tá sempre ligado no canal. Há opções de salas para todos os gostos.

Você teve uma experiência de morar e jogar no exterior. Como você vê jogadores de outras nacionalidades, e como enxerga o jogo do brasileiro em geral?

Eu não quero estereotipar, longe disso, mas é notória as particularidades de certas nacionalidades. E aqui a minha leitura é de modo geral, a grosso modo mesmo.

Morei na França um período e cresci muito o meu nível técnico. É um jogo com bem menos blefes, ou pelo menos em spots mais específicos. Eles são muito pagadores, de forma geral. Por exemplo, seu par de reis vai jogar contra todos os ases do baralho em todas as streets. Seu par de 10 vai jogar contra K-Q em todas as streets, eles não largam nada. Blefes passam menos também. Ao mesmo tempo isso vira um sonho quando você está trincado ou seguido.

Eu gosto muito de jogar contra australianos também. Eles costumam pagar umas paradas insanas. Tenho gostado de encontrar esse pessoal na mesa.

Vejo algumas nacionalidades que geralmente tem jogadores bem fracos também, como chineses e gregos.

Já os alemães, em geral, pensam bastante nos spots, usam bem o tempo, são mais sangue frio pra doar. E jogadores da Lituânia e Letônia são bem inteligentes também, de modo geral.

Em relação aos brasileiros, a grande maioria não pensa muito nas jogadas. Inclusive eu sou vítima disso, e ajo muitas vezes por impulso. Brasileiro é muito desconfiado, na minha visão. Sempre acham que estão sendo blefados e pagam a parada “porque o cara tá me roubando”, e geralmente não é bem assim. Vejo também que muitas das situações o cara tá focado somente no jogo dele e nem está vendo o que se passa. Tem um meta-level muito grande, de achar que “um tá levelando o outro” sendo que o outro não está nem aí.

Uma coisa que me incomoda e que eu vejo muito nos limites mais baixos, principalmente, é a troca de ofensas entre brasileiros. E brasileiro é conhecido por ser tão hospitaleiro… Se um adversário me ganha, em primeiro lugar eu tenho que identificar se ele é melhor ou pior que eu. Se ele é melhor, eu tenho que absorver as virtudes dele, se ele é pior, eu tenho que dar graças a deus por ele estar ali, porque sei que no logo prazo vou ter vantagem sobre ele. Nós brasileiros temos que aprender a ter mais espírito esportivo no poker.

Um adversário não é um inimigo, principalmente no poker, onde eu fiz inúmeros amigos.

felipe mongregon grind

Tela do grind de Felipe Mongregon, o xMoNgReGoNx no 888poker.

E como é a cena do poker em Campinas?

É bem forte e tem crescido muito. A região metropolitana daqui tem quatro milhões de habitantes. Exceto as capitais, deve ser a maior cidade do país, excluindo Guarulhos, que é mais grudada a São Paulo. Todas as cidades aqui da região, Valinhos, Vinhedo, Americana, tem clubes.

Vamos ver como vai ficar com a legalização. Imposto pode acabar afastando muita gente, mas o poker tem crescido muito por aqui. Se não me engano é o esporte que mais cresce no país.

E você pensa em se envolver com o poker de outras formas, além de como jogador?

Já estudei e estudo muito. Eu estou montando, junto a uma equipe qualificada, um curso . Não quero vender uma coisa sem a qualidade que eu desejo, e estou desenvolvendo o produto com vários diferenciais. Espero que em breve já esteja disponível.

Por fim, qual o seu conselho para os jogadores que querem ficar bem pontuados no Ranking MaisEV?

Ás vezes acontece de imprimir mais ritmo pra se distanciar ou não deixar alguém escapar, por isso é importante ficar atento às parciais. Acho que em fevereiro, eu estava ali pelo topo e de repente o IsMuitaBad e o poker_flu77 deram uma disparada. Como eu já tinha o terceiro lugar garantido, não tinha o que fazer.

No resto, não tem muito segredo: é jogar e jogar o máximo que conseguir.

 

Desde já agradecemos a colaboração de Felipe.

Se você também quer fazer como ele e participar de um torneio do 888 Festival de graça por nossa conta, participe do Ranking MaisEV de junho no 888poker que premia o vencedor com uma entrada e um headset Corsair, além de prêmios para mais nove jogadores. Clique aqui e saiba mais!

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