Ari Engel falou sobre o nível dos rivais ao redor do mundo, como decide suas viagens e muito mais.
Ari Engel falou sobre o nível dos rivais ao redor do mundo, como decide suas viagens e muito mais.
Foto: Danny Maxwell / (Rational) Recordista de aneis da WSOP com 19 conquistas, o canadense Ari Engel tem um longo e extenso currículo ao longo de quase 20 anos de poker ao vivo, e durante uma entrevista ao site PokerOrg falou sobre as particularidades da profissão, e deu uma declaração inesperada ao afirmar que os jogadores norte-americanos estão entre os piores do mundo.
“Quando comecei a jogar poker, os americanos eram melhores que os europeus. Com o tempo, isso mudou. Basicamente, os Estados Unidos passaram do topo para o fundo.”, afirmou o craque, que destacou os europeus e sul-americanos, inclusive os brasileiros, como exemplos da nova onda de bons jogadores nos feltros ao vivo. Ele ainda destacou que os jogadores online do Leste Europeu merecem atenção, dado o cenário moderno do jogo.
Sem atribuir motivos para tal mudança, uma das possíveis respostas para tamanha decadência entre os norte-americanos possa estar na Black Friday, que baniu jogos online do país em abril de 2011. Com o advento da UIGEA (Unlawful Internet Gambling Enforcement Act), que fechou a operação de sites na terra do Tio Sam, muitos jogadores decidiram abandonar a carreira no jogo, enquanto alguns migraram para o jogo ao vivo, e outros poucos optaram por se radicarem em países com o poker legalizado.
Com menos espaço para o surgimento de novos talentos, os estadunidenses podem ter ficado “para trás” de outros países, ainda que possuam muitos craques que forram pesado nos principais torneios do mundo. Curiosamente, muitos deles já eram profissionais antes da Black Friday, seja nos feltros ao vivo ou virtuais.
Ari também distinguiu o nível técnico entre os jogadores do país.
“Primeiramente, nós dizemos ‘América’, mas é um lugar enorme, e as pessoas jogam de forma diferente na Califórnia do que na Flórida, por exemplo. Mas jogar fora dos EUA é mais difícil, e geralmente isso se deve a um jogo mais agressivo. Nem sempre, mas no geral, tenho notado ao longo dos anos, que o estilo europeu parece ser mais agressivo do que o estilo americano nos torneios”.

Com ITM’s em diversos países como Austrália, Rep. Tcheca, Macau, Filipinas, Inglaterra, Espanha, Peru, Rep. Dominicana, Canadá, Malta, Holanda, Bahamas, Panamá, Irlanda e Monte Carlo, e em grande parte dos 50 estados dos Estados Unidos, Ari tem currículo para tal afirmação. São US$ 9 milhões em forras live na carreira, com destaque para dois braceletes da WSOP.
Sem pagar aluguel ou hipoteca desde 2012, o canadense vive como um nômade, e também revelou como decide a sua grade de jogos.
“Não há uma ciência exata para decidir quando vou jogar no exterior. Muitas vezes, pode ter a ver com onde me saí bem no passado, então, para a Austrália, por exemplo, eu sempre fazia questão de voltar. O mesmo aconteceu com Praga — depois de me sair bem naquele primeiro ano, eu sempre voltava. Você simplesmente sente o valor de certas paradas, além de fatores como voos de fácil acesso, que podem ser um fator, mas não há um motivo ou razão específico”.
“Nos Estados Unidos vou a muitos dos torneios que você chamaria de menos prestigiados. Jogo torneios com buy-in de US$ 500 ou US$ 1.000, e o Main Event custa US$ 1.500. Nos torneios que jogo fora dos EUA, os Main Event’s custam US$ 5.000 ou mais. São torneios maiores e mais glamorosos.”
Por fim, com uma forte banca e um estilo de vida livre, o canadense ainda comentou os motivos de não se arriscar nos jogos mais caros, a não ser vez ou outra.
“Sempre quis me testar contra concorrentes melhores, pelo menos às vezes. Claro, jogo para ganhar dinheiro, então, no geral, é melhor jogar nos Estados Unidos, mas às vezes quero me testar contra jogadores mais fortes. As coisas em torno do nível dos Main Event’s do EPT parecem estar no nível certo: talvez eu seja ganhador, talvez seja perdedor, mas se estiver perdendo não é muita coisa. Acho que está mais ou menos nesse ponto de equilíbrio, e posso me testar contra esse tipo de jogador. Eu poderia jogar os maiores high rollers nos Estados Unidos, mas com certeza sou perdedor lá, então não quero fazer isso!”
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