Paciência, tamanhos de apostas e GTO: veja como foi a masterclass de Phil Hellmuth no MSA

Por: 19/03/2019

Masterclass de Phil Hellmuth foi um dos grandes atrativos para o público do Millions South America

Phil Hellmuth masterclassOs jogadores presentes no Belmond Copacabana Palace na última segunda-feira tiveram a oportunidade de assistir a uma aula de poker de ninguém menos que o Poker Brat, Phil Hellmuth.

Único detentor de 15 braceletes da World Series of Poker, Hellmuth se sentiu a vontade como professor, sempre citando suas (muitas) vitórias e transmitindo uma parcela de seu conhecimento do jogo.

Para assisti-lo, estavam desde jogadores de grande prestígio, como João Mathias Baumgarten, a até amadores e recreativos, além de um grande número de grinders estrangeiros do online, integrantes dos diversos times de poker que se deslocaram para o Brasil para disputar o festival. A tradução foi feita pelo também jogador profissional Alexandre Mantovani, o Cavalito.

Antes de começar, Hellmuth passou a palavra a Leon Tsoukernik, jogador de high stakes e proprietário do Kings Casino, em Rozvadov, na República Checa. Hellmuth disse que o sucesso de Tsoukernik vem de identificar as fraquezas dos adversários, e pediu ao empresário jogador que falasse sobre o assunto.

Em relação ao poker, a palestra de Phil Hellmuth se ateve à três tópicos: tamanhos de apostas, 3-betting e paciência. Ele deu instruções específicas sobre os tamanhos de apostas, explicando que em geral aposta 60% do pote.

“No-Limit Hold’em é sobre longos períodos de paciência e foldar mãos, tentar ganhar potes grandes quando você tem uma mão forte. E uma vez a cada hora ou a cada duas horas, acreditar nos seus instintos de que seu adversário está fraco ou forte.”

Também comentou sobre os tamanhos de stacks: “muitos jogadores profissionais não conseguem foldar par de valetes para 25-30 big blinds, mas para um jogador profissional 30 big blinds são uma montanha de fichas. Então eu não entro em pânico e espero por situações melhores, referindo-se também à paciência, característica a que Hellmuth atribuiu parte de seu sucesso.

Phil Hellmuth masterclass_Leon Tsoukernik_Alexandre MantovaniO ego de Hellmuth, que apareceu em comentários divertidos sobre suas habilidades e seus muitos braceletes, também se fez presente em ataques aos jogadores que utilizam estratégias GTO (Game Theory Optimal). Em todos os comentários estratégicos da palestra, Phil Hellmuth utilizava como exemplo estar contra alguém jogando GTO.

“Tem muitos defeitos no GTO. Um deles é que os jogadores gostam de pagar 100% das 3-bets pré-flop. 100%.  100%. Isso é muito bom pra mim, pois aumento com menos mãos sabendo que eles vão pagar de qualquer forma, e quando o fizerem vão estar numa situação muito ruim.”

“Eu gosto muito de jogar contra jogadores GTO, porque eu aposto alto no flop e no turn e eles foldam muito no turn. Quando eu 3-beto antes do flop, eu sempre aposto muito alto no flop, acertando ou não, 80% do pote. Também vou apostar 80% do pote no turn. Se o jogador GTO pagou uma 3-bet com 67s e o flop veio 10-7-2, ele vai ter que pagar duas apostas altas. Eu posso ainda fazer outra grande aposta no river, se tiver a mão, porque eles se colocaram numa situação de me dar muitas fichas. Se eu não tiver a mão, posso ir all in no river ou desistir.”

Além de estratégia de poker, Phil Hellmuth também falou sobre seu livro, Positivity, apresentando duas das oito dicas do livro. Uma delas compartilhada por ele eu seu próprio Instagram, dizendo para escrever seus objetivos anuais e colar ao lado do espelho do banheiro. “Quando você for escovar os dentes, vai ver seus objetivos. Quando pentear os cabelos, também verá.”

“Para um jogador profissional 30 big blinds são uma montanha de fichas.”

Ao final da palestra, Hellmuth abriu espaço para perguntas, que variaram desde dicas de cash game (neste caso, ele recomenda focar nos jogos online) e nos jogadores que ele mais respeita. Respondendo que o que importa para ele são braceletes da WSOP, ele listou nomes como Adrian Mateos, Dominik Nitsche e Rainer Kempe. “Fedor Holz é muito bom, mas ele ainda não se provou, não tem braceletes.”

 

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Danilo Telles

Danilo Telles

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.
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