Marcos “wrawras” Antunes Se Reencontra em Time de Poker “Me Dispus a Jogar Micro Stakes”

Por: 18/10/2017

Com humildade ímpar, Marcos “wrawras” Antunes mudou a própria percepção do poker após ficar milionário e sofrer brusca queda.

marcos antunes wrawras 450A história de Marcos Antunes, o wrawras do PokerStars, tem vários ingredientes comuns a bons filmes: algo surpreendente, que proporciona um giro de 180º, o encontro com uma dificuldade, a decadência, e o ressurgimento em busca de uma redenção.

Em outubro de 2015, Marcos foi abençoado com a sorte de disputar US$ 1 milhão no Spin & Go do PokerStars e, ao vencer o canadense A13x_J0neS e o húngaro Sir.Whiteman, ele viu a sua conta no site chegar aos sonhados sete dígitos.

É necessário falar um pouco mais sobre o que significa o valor: 1 milhão é um número que está intrincado, de certa forma, no inconsciente coletivo de muita gente. É um número mágico, que proporciona uma vida melhor, mais oportunidades e maior liberdade. Dinheiro, carros, iates e mulheres, como dizem no desenho do Pica-Pau. Para alguns, chega a ser a oportunidade de não mais precisar ter que trabalhar oito horas por dia e viver de algum tipo de negócio ou renda. O US$ 1 milhão conquistado por Marcos, valia, na época, R$ 3,8 milhões.

Conheci o Marcos em um torneio em São Paulo, quando alguém me disse que ele era “o brasileiro que havia shippado US$ 1 milhão no Spin & Go” – um rótulo que o incomoda e que falaremos mais sobre a seguir. Curioso com a sensação de como era ter se tornado um milionário com o poker de forma tão rápida (o sit durou cerca de 10 minutos), fui conversar com o sortudo e me surpreendi positivamente.

Aqui também é necessário falar um pouco sobre o mundo do poker, o mundo do poker ao vivo, pelo menos. Há dinheiro, muito dinheiro: como se sabe, torneios com entrada de R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil, são comuns, de forma que não é raro ver gente perdendo uma pequena fortuna em alguns dias, algo impensável para 99,9% da população. A beleza também atrai: as expositoras são bonitas, as delaers, as funcionárias são atraentes, e as áreas VIPS tem open bar. A tríplice coroa para muita gente: bebida, dinheiro e mulheres. Toda essa atmosfera pode fazer a cabeça girar e pode ser muito fácil se desviar nesse mundo de forma rápida, assim como acontece com jovens jogadores de futebol que, do dia para a noite, veêm a vida mudar. E isto não é uma crítica, já que quem sustenta todo esse negócio (sim, tiozão milionário que torra uma grana, estou falando com você), no fim das contas, faz questão de tudo isso. É como o mundo gira e quem cai no conto da ostentação, por fim, é quem tem culpa (se é que há algum culpado nisso).

marcos antunes campeao ME TURBO wsopMas voltando ao Marcos, ele me surpreendeu positivamente por ter, de alguma forma, um escudo contra essa ilusão que poderia ser proporcionada pela soma. “Não fiz muita coisa com o dinheiro. Paguei impostos, para começar. Se não pagasse não teria coragem de falar mal do governo, por exemplo. Investi. Reservei uma parte como bankroll para o poker e tenho uma certa tranquilidade em dar um futuro melhor para a minha filha, minha família. Troquei meu carro, que já estava velhinho, e foi isso”, disse ele em 2016.

Não sei que carro o Marcos comprou e, mesmo desconfiando de que não deve ter sido um Porsche (tração traseira, engenharia alemã, design e tradição racer é o que há), simpatizei demais com o moço. No meu mundo, pessoas boas deveriam, automaticamente, conquistar mais coisas e, embora no mundo real não seja assim, proporciona uma sensação legal quando acontece com quem merece.

Meses depois de virar um milionário, Marcos embarcou para a WSOP, em Vegas, onde conquistou o resultado que, segundo ele, deveria ser lembrado quando falam em seu nome: “Eu fiz mesa final da WSOP. Pra mim, isso deveria ter muito mais relevância”, afirma. Mas os US$ 48 mil conquistados com o sexto lugar no Evento #42, parecem ter caído no esquecimento de muita gente.

Depois disso, wrawras sumiu dos holofotes. Ao menos para alguns, já que com o seu Sharkscope aberto, foi possível acompanhar o derretimento de boa parte do seu bankroll milionário. Entre outubro de 2015 e setembro de 2017, o site mostra o rombo de quase R$ 700 mil. “Depois da vitória no Spin joguei muito caro, por um bom tempo, e perdi muita grana. Jogava os principais torneios semanais, caros, contra um field duríssimo, e ficava na esperança de cravar. Dei com os burros na água, obviamente”, admite.

Mas a queda, ao menos para quem tem sede de vida, ajuda a levantar e enxergar o horizonte de forma mais ampla. E foi com humildade que Marcos Antunes pediu, no início de 2017, para ser aceito no Guerreiros Poker Team, um time de poker do Rio de Janeiro que conta com o embaixador do 888poker Nicolau Villa-Lobos e os craques Pedro “kurtWSOP” Cavalieri e Rodrigo “digopapel” Semeghini entre seus membros. “Perguntei se eles me aceitariam no time. Disse que tinha muita vontade de progredir e que não me importaria de jogar torneios baixos, micros. Eu queria aprender e evoluir”.

Depois de alguns meses no time, Marcos sentiu uma boa evolução, que enfim foi recompensada com a terceira posição no Main Event do WCOOP Low, que rendeu US$ 178 mil e que pode ser considerada como uma virada na sua carreira, com maior foco no online, estudos e resultados.

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Os torneios ao vivo estão em segundo plano. “Estou segurando a onda nos torneios live esse ano. Meu foco é jogar online, mas os torneios maiores, em São Paulo, eu ainda jogo”, afirmou ele durante a WSOP Circuit Brasil.

Como recado, Marcos avisa dos perigos que a ambição desenfreada com o poker pode proporcionar.

“Perdi uma boa parte do dinheiro que havia reservado com o prêmio no Spin para jogar poker. Não é legal, não é bacana. As pessoas tem que tomar cuidado. Tem mesmo que jogar no buy-in que você está apto, onde você tem alguma vantagem sobre o field”.

A declaração dele faz eco às palavras de Leandro Burlamaqui, o lgburlamaqui do fórum MaisEV, grinder profissional que encontramos no rail da mesa final do Main Event Turbo, torcendo por Marcos Antunes e que não poupou elogios ao amigo e às novas decisões de wrawras: “Agora ele está fazendo tudo direitinho, estudando, jogando online, jogando baixo e evoluindo. Como deve ser, afinal”.

E a torcida deu resultado: Marcos sagrou-se campeão do evento e entrou para o seleto hall de brasileiros com dois anéis da série no currículo. Feliz, Leandro resume a importância do amigo e de certa forma um desejo de todos nós, de que coisas boas aconteçam com gente boa: “Ele é um cara muito bacana, merece”.

 

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Alex Faccini

Alex Faccini

Conheceu o poker em 2006 através da ESPN, em uma mesa que contava com Sam Farha e Phil Ivey. Se apaixonou pelo jogo e pela malandragem de Farha, o único jogador com sangue HUE BR. Passou pelas faculdades de Direito e Publicidade, sem concluir nem uma, nem outra. Apaixonado por cinema, música, literatura e outras artes mais, aprendeu a jogar sinuca em botecos com tiozinhos tomando cachaça, e tem a certeza que vivemos em uma Matrix. Sempre se esquece de encher as formas de gelo.

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