Virtue Poker – Tudo Sobre a Primeira Sala de Poker Decentralizada do Mundo

Por: 16/10/2017

Ryan Gittelson abre o jogo sobre o Virtue Poker, primeira sala de poker online decentralizada baseada na criptomoeda Ethereum

Virtue Poker

Com o boom das criptomoedas como o Bitcoin, a comunidade do poker logo voltou seus olhos para a nova tecnologia, que envolve não só uma nova maneira de fazer negócios, mas todo um sistema de redes decentralizadas.

Pensando nisso, surgiu a ideia do Virtue Poker, a primeira sala de poker decentralizada do mundo, ou seja, sem um servidor principal, utilizando da tecnologia de blockchain para gerenciar as mesas e torneios.

A sala será lançada em 2018 mas já está causando grande comoção no mundo do poker com sua proposta, e contratou até mesmo dois grandes nomes do poker para ajudar na divulgação deste novo modelo: Dan Colman e Brian Rast.

Aqui, conversamos com Ryan Gittelson, diretor de marketing do Virtue Poker, que tirou nossas dúvidas sobre a sala e explicou toda a proposta da empresa.

 

Por que criar uma sala de poker decentralizada, de onde veio essa ideia?

O poker é um grande uso de caso para a tecnologia blockchain (decentralizada). Operadores de poker centralizado já fizeram uso errado dos fundos dos jogadors no passado, e a integridade dos softwares é sempre uma questão a ser debatida. Com o poker decentralizado, podemos remover o risco de depósito, e através da implementação do nosso Mental Poker para o embaralhamento, envolveremos todos os jogadores nesse processo. Acreditamos que o poker é uma indústria a ponto de ruptura, pois os mesmos operadores dominam a indústria por mais de uma década.

Uma empresa chamada ConsenSys incubou o Virtue Poker. A ConsenSys é a maior companhia de desenvolvimento de blockhain do mundo, com mais de 350 funcionários ao redor do globo. Joe Lubin, que ajudou Vitalik Buterin para co-fundar o Ethereum, fundou a CosenSys. Nossa equipe cresceu para 8 funcionários em tempo integral e estamos preparando o lançamento do nosso token no próximo mês.

Por que trabalhar com Ethereum ao invés do Bitcoin?

Um banco comercial padrão é o registro centralizado de quem tem o que e quanto. Se uma pessoa move dinheiro de A pra B, o banco basicamente só atualiza o registro. Há um elemento de confiança aí; nós confiamos que eles farão a transação honestamente e que não serão hackeados. Mas há um ponto de falha, como se faltar energia no banco. Como o Bitcoin é completamente decentralizado, há milhares de computadores ao redor do mundo que tem uma cópia idêntica do registro. Quando eu transfiro dinheiro, todos esses computadores estão competindo para resolver um enigma criptográfico, e quando o primeiro conseguir todos os outros confirmam o resultado e atualizam o registro simultaneamente.

O Ethereum usa esse conceito mas também inclui um código de computador nessas transações, chamado de smart contract (contrato inteligente). Então com o virtue Poker, ao invés do jogador enviar dinheiro para a sala de poker, ele envia para um contrato inteligente que tem o código dos parâmetros do jogo, as premiações, os tamanhos de apostas e o contador de fichas. O contrato inteligente age como uma conta de escrow (garantia) de curto prazo, que guarda os fundos do jogador enquanto o jogo está acontecendo. Isso é de propriedade da blockchain do Ethereum, e não de nenhum de nós. Nós nunca encostamos no seu dinheiro, o único dinheiro em risco é a quantia que você envia pro contrato, e no fim do jogo esse dinheiro é devolvido para sua carteira em 30 segundos ou menos, automaticamente, sem qualquer interferência da nossa parte.

Sendo decentralizado, como o Virtue Poker pretende evitar collusions, bots e outros golpes?

Nós usaremos nosso Justice System (Sistema de Justiça) para detectar e evitar conluios, bots, multi contas e outras formas de fraude. O Justice System está explicado aqui.

Qual é a diferença entre o Virtue Poker e outras salas de poker que trabalham com criptomoedas?

Sites de poker em Bitcoin são centralizados, eles têm servidores que hospedam seu gerador de números aleatórios que é usado para embaralhamento das cartas, e os jogadores têm que depositar Bitcoins em um site centralizado que prende o dinheiro, e eles também tem que pedir um saque desse dinheiro.

O Virtue Poker é completamente decentralizado e usa uma engine de jogos P2P com um protocolo Mental Poker que envolve todos os jogadores no embaralhamento das cartas. Nós também não ficamos com o seu dinheiro. Os jogadores têm carteiras virtuais que eles mesmos controlam, e entram nos jogos ao enviar Ethereum (a criptomoeda) para um smart contract que garante os buy-ins dos jogos e distribui os pagamentos baseado nos resultados dos jogos, de forma autônoma. O dinheiro nunca fica armazenado conosco, os fundos são colocados na blockchain (um protocolo de segurança), então não há problemas de confiança na hora de fazer depósitos, como acontece em outros sites de poker.

Qual é o nicho do Virtue Poker? Jogadores regulares que já investem em criptomoedas ou jogadores recreativos?

Minha intuição é de que primeiro conseguiremos o pontapé inicial baseado no entusiasmo da crescente comunidade do Ethereum, quando verem um app decentralizado em ação. Eu espero que consigamos lançar no ano que vem e podemos ser uma das primeiras aplicações com grande apelo, criando uma ponte para a adoção do grande público para aplicações baseadas em blockchain. Eu espero que nossos primeiros usuários sejam portadores de ETH e outras criptomoedas.

Você concorda com a nova política das salas de poker em focar no público recreativo em detrimento dos profissionais? Qual é sua opinião sobre o ecossistema do jogo, e como espera atrair esses jogadores?

Acredito que as salas de poker precisam garantir que os dois tipos de jogadores estejam satisfeitos. Jogadores recreativos jogam para aprender, para se divertir, enquanto os profissionais querem ganhar dinheiro.

Eu creio que você precisa criar um ecossistema equilibrado onde os dois jogadores estão felizes, e isso significa criar uma plataforma em que ferramentas como o SharkScope sejam incompatíveis. Acho que é injusto quando há ferramentas que permitem que um profissional sente automaticamente na mesa com os perdedores, mas acho que ferramentas de assistência como HUDs devem ser permitidos.

Nosso objetivo no Virtue Poker é criar um field equilibrado ao ter um HUD integrado no nosso aplicativo, e nos certificando de que ferramentas de bum-hunting não funcionem no nosso software.

Além disso, acreditamos que o rakeback deve ser direcionado aos jogadores recreativos. Os perdedores devem receber bônus para que continuem jogando, em vez de recompensarmos jogadores vencedores com alto volume que tiram o dinheiro do ecossistema.

Nós planejamos atrair jogadores recrativos com torneios com grandes premiações garantidas e freerolls, e criando a plataforma de poker online mais justa e confiável do mercado.

Como vocês pretendem trabalhar com a flutuação do valor das criptomoedas? Um torneio que tem premiação anunciada de $1 milhão pode valer $100 mil ou $100 milhões na hora do término.

Esse ainda é um dos nossos maiores problemas. Nosso plano é integrar “moedas estáveis” no nosso aplicativo.

Há outros projetos no espaço do Ethereum que estão criando esse tipo de ferramentas que permitem “travar” um certo preço por token no momento do buy-in do torneio, para remover o risco de volatilidade.

Outra questão é, como serão definidos os stakes das mesas, serão 0.01/0.02? Serão em Ether ou VPP? Nós construímos o software de back-end, agora nosso foco é a experiência do usuário, para que possamos resolver esses problemas tão difíceis.

virtue poker decentralizado

O gerador de números aleatórios das salas de poker parece confiável, vocês estão tentando resolver um problema que não existe?

Eu fiz muita pesquisa de mercado nos últimos anos pra ver qual seria nossa proposta de venda. Pros nossos jogadores, o mais importante é a qualidade dos jogos, e isso inclui a questão de não ter confiança no operador em relação ao dinheiro e ao embaralhamento das cartas. O grande valor do smart contract é que não podemos encostar no seu dinheiro. Há um grande caminho a se trilhar pra ganhar a confiança das pessoas, somos uma startup nova, e como podemos conquistar essa confiança? Essa solução não só se refere às preocupações que as pessoas já tinham, mas também nos permite rapidamente ganhar muita confiança e construir a nossa marca.

Em relação à confiança, como vocês pretendem conquistar os jogadores que têm medo de outro grande escândalo do mundo do poker?

A primeira questão é como comunicamos nossos valores para o grande público. Eu tenho experiência em marketing, e o marketing de conteúdo é uma grande maneira de ajudar as pessoas a entender que problemas nós estamos encarando. Parte da nossa proposta é nos posicionar como algo diferente do que já existe. Mesmo que o PokerStars seja uma marca confiável, as pessoas ainda se lembram dele ter sido fechado pelo Departamento de Justiça dos EUA.

A segunda questão é, como trazer jogadores recreativos para o site? Essa é audiência que precisa de incentivos para depositar. Nós criaremos uma série de freerolls e satélites e nossos primeiros e mais leais clientes poderão competir para ganhar tokens.

Além disso, uma coisa que ainda me espanta é que, por 15 anos, o rakeback é baseado em volume, incentivando os jogadores a terem muito volume de jogo. Nós usaremos o rakeback para apoiar os jogadores perdedores, e limitaremos o multi tabling.

Você acha que o Virtue Poker terá um field mais difícil, já que atrairá mais jogadores que já conhecem o Ethereum e a plataforma?

Minha intuição é que num primeiro momento, daremos nosso pontapé inicial baseados no entusiasmo da crescente comunidade de Ethereum, quando virem um app decentralizado sendo executado. Espero que consigamos lançar o app no próximo ano, e seremos uma das primeiras aplicações com um grande apelo ao público, criando uma ponte para a adoção em massa de aplicativos baseados em blockchain. Também há muito dinheiro novo nesse ecossistema, e se conseguirmos uma fração desses usuários no lançamento, deve ser o suficiente.

Como vocês projetam os custos de operação em comparação com uma sala de poker comum?

Duas áreas em que podemos eliminar custos são servidor e processamento de pagamentos. Os sites dep oker não ganham dinheiro com transações com Neteller e Paypal. Eu falei com uma pessoa que criou uma sala de poker no meio dos anos 2000 e ela disse que os processamentos de pagamento podem equivaler a 10% dos custos de operação.

Há também os custos do servidor, e não sei dizer uma quantia exata aqui, mas conosco, tudo é baseado em peer-to-peer, incluindo torneios. Com os smart contracts, uma vez que você tem uma mesa em execução, o sistema funciona, e não há muita manutenção. É similar ao caso do Spotify contra o BitTorrent, quase não há custos no BitTorrent, é peer-to-peer, tem o mesmo resultado mas sem a manutenção do Spotify.

Seu White Paper menciona a possibilidade de desenvolvimento de apps por parte de terceiros, como seria isso?

Não acho que é algo que poderíamos fazer por nós mesmos, mas há coisas como apostas paralelas e mercados de previsões fora das mesas Então podemos ter Daniel (Colman) e Brian (Rast) jogando no Twitch com mercados sendo criados por pessoas que estejam assistindo e fazendo apostas sobre o jogo. Você pode ter uma experiência interativa na hora de assistir o jogo. Eu estava assistindo o PokerGo na noite passada, e seria absolutamente insano se você pudesse fazer apostas paralelas naquilo.

Tenho a impressão de que o conceito de smart contracts pode revolucionar o negócio de cavaladas e stakings, já que a maior parte dos problemas é causada por um erro no contrato ou por pessoas que não pagam o que foi combinado.

Você pode automatizar um smart contract de staking em que você diz que ficará com 80% dos ganhos e amarrar a um contrato de mesa no Virtue Poker, então não há maneira de fugir ao que foi estabelecido. Precisamos de um acompanhamento legal sobre como fazer isso, mas o Ethereum é completamente baseado em código aberto, então deve ser algo de menos de 200 linhas de código.

Ryan Gittelson Virtue Poker

Ryan Gittelson em palestra sobre o poker decentralizado

 

 

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Danilo Telles

Danilo Telles

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.
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