Entrevista – Carlos Zago

Por: 22/03/2011

Carlos Zago: Meu nome é Carlos Alberto Zago Junior. Sou gaúcho e tenho 22 anos. Atualmente jogo poker online em tempo integral, mas estava a alguns semestres de terminar o curso de direito, antes de trancar temporariamente.

Danilo Telles: Por que trancou a faculdade? Tem relação com o poker?

Carlos: Com certeza tem relação com o poker. Aliás, é o único motivo. A questão é que o poker é, para alguns, uma oportunidade única na vida. Como muitos sabem, o futuro do poker online é incerto, então me pareceu coerente aproveitar este tempo para explorar a atividade como um trabalho. Se eu seguisse na faculdade, estaria ficando para trás dos meus colegas que tem tempo de fazer estágio, estudar mais, etc. Como ainda quero me formar e ser um bom advogado, seria um erro seguir na faculdade sem ter tempo de desfrutar totalmente dela.

Danilo Telles: Por que escolheu o Limit Hold’em e migrou do NLH?

Carlos: Já joguei os dois, mas eu sempre gostei mais de assistir partidas de LHE do que de NLHE, principalmente quando se trata de HU.

Danilo Telles: Qual foi a maior dificuldade que você teve nessa transição?

Carlos: Acho que a maior dificuldade é a falta de action em limites maiores. NLHE é bem mais popular, logo os regulares recebem mais action lá.

Danilo Telles: Você já foi alvo de algum tipo de “preconceito” de outros jogadores, por jogar Limit Hold’em, uma modalidade que muitos no Brasil consideram morta?

Carlos: Que eu saiba, não. Até acho que existe um interesse sadio por parte dos outros jogadores, já que eu sou o único brasileiro regular nessa modalidade.

Danilo Telles: Há quanto tempo você joga poker? Seu início foi difícil? Como você construiu o seu bankroll?

Carlos: Jogo desde o início de 2008, mas jogo “sério” desde o início de 2010. O início foi tranqüilo. Nunca quebrei, e quando resolvi jogar, dei sorte nas horas certas e consegui ir adiante, felizmente.

Danilo Telles: Como sua família encara sua profissão de jogador? Teve alguma dificuldade ou encarou algum tipo de preconceito?

Carlos: Minha família encara com receio, pois é algo nada convencional. A maior dificuldade foi falar que ia trancar a faculdade para jogar. Felizmente, hoje em dia eles tem uma visão mais clara do que é ser um jogador profissional, me apóiam e se orgulham do que eu faço. Com certeza alguém já deve ter escutado que sou jogador e fez um comentário preconceituoso, mas eu não dou bola, por motivos que provavelmente são claros.

Danilo Telles: Você se considera um jogador tight ou loose? Quão agressivo?

Carlos: Procuro me adaptar ao oponente. Eu acredito que ninguém vai longe seguindo uma cartilha. Poker é um jogo de adaptação.

Danilo Telles: Quais são as suas maiores qualidades no game?

Carlos: Sou bastante disciplinado. Tenho um bom controle de bankroll, raramente tilto, e quando tilto, paro de jogar. Além disso, acho que consigo me adaptar bem a diferentes tipos de oponentes.

Danilo Telles: Qual foi o seu melhor resultado jogando poker?

Carlos: Cada mão jogada contra um adversário que eu levo vantagem, é um grande resultado nos dias de hoje.

Danilo Telles: Quais modalidades de cash game você joga?

Carlos: Grindo Heads Up Limit Hold’em, mas já joguei nlhe também.

Danilo Telles: Você já teve um mês “down” no poker? Como foi essa experiência?

Carlos: Desde o início de 2010, quando comecei a jogar, não tive um mês down, mas estou ciente de que é algo normal e vem a acontecer com todos os jogadores. O grande problema não é ter um mês down, mas jogar menos tempo do que o planejado.

Danilo Telles: Como é a sua rotina atualmente?

Carlos: Procuro jogar quando estou descansado e reservo um bom tempo para exercícios físicos e lazer.

Danilo Telles: Qual(is) jogador(es) estrangeiros você admira e por quê? E brasileiros?

Carlos: Phil ivey e Patrik Antonius, por jogarem várias modalidades muito bem.

Danilo Telles: Qual foi o jogador mais difícil que você já enfrentou?

Carlos: O “IHateJuice” teve o nome trocado pelo FTP, pq o nome soava como “I Hate Jews”. Eu não sabia disso, o Full Tilt não informou ninguém. Então o “Kagome Kagome” sentou na minha mesa, e começamos a jogar, assim como fez com vários outros regs, se aproveitando da troca do nome e do país (nada ético imo). Com certeza é o cara mais forte que eu já joguei, mas o Cole South me pareceu bem decente também.

Danilo Telles: Você já leu livros sobre poker? Quais lhe trouxeram mais benefícios?

Carlos: Li alguns, mas não aprendi nada demais.  Apesar do “Little Green Book” do Phil Gordon, na minha opinião não ser uma das melhores obras já publicadas, aprendi com ele a “regra do turn e do river”, que me ajudaram bastante no início. Aprendi a maioria jogando e vendo vídeos.

Danilo Telles: Você usa algum software de poker? Se sim, qual?

Carlos: Uso o Poker Tracker 3.

Danilo Telles: Se você tivesse que dar um único conselho para um iniciante, qual seria?

Carlos: Poker é um jogo. Nem sempre o melhor jogador ou a melhor mão ganha, mas no longo prazo, quem se dedica mais, ganha mais.

Danilo Telles: Se você tivesse que começar hoje do zero a sua carreira com um bankroll de $150 dólares, como o faria? O que jogaria e no que investiria? E se o bankroll fosse de $1000 dólares?

Carlos: Primeiramente tentaria uma cavalada. Mas com U$150 jogaria SH LHE, e com U$1000, também.

Danilo Telles: Qual é o jeito mais rápido de aprender a jogar poker?

Carlos: O mais rápido é jogando, sem dúvidas. Ler fóruns, ver vídeos, discutir mãos e outros aspectos do jogo, são coisas complementares.

Danilo Telles: Você já fez alguma loucura com o dinheiro ganho jogando poker? Faria novamente? Como você gasta e administra as suas finanças atualmente?

Carlos: Nunca fiz nenhuma loucura, sou bem controlado e não gasto mais do que acho que devo. O dinheiro que ganho eu uso pra jogar limites mais caros e para alguns investimentos off-poker.

Danilo Telles: O que você pretende fazer daqui pra frente na sua carreira de jogador de poker? Onde você se vê daqui a 3 anos?

Carlos: Pretendo seguir jogando enquanto for rentável. É difícil prever daqui a 3 anos, mas acredito que se ainda for +ev, e estiver preparado, seguirei jogando. Caso contrário, voltarei para a faculdade e concluirei meu curso, que é algo que com certeza vou fazer um dia.

Danilo Telles: Ainda falando sobre o futuro, Com a popularização do poker, os jogos têm ficado mais difíceis, e muitos temem que a lucratividade no poker possa estar acabando ou diminuindo bastante. O que pensa sobre o assunto?

Carlos: Acredito que com a variedade de informações disponíveis, a tendência é o jogo ficar cada vez mais difícil. Mas como eu disse, poker é um jogo de adaptação, e na minha opinião, os melhores vão seguir ganhando.

Danilo Telles: Nós do MaisEV agradecemos por nos conceder essa ótima entrevista, boa sorte nas mesas!

Carlos: Primeiramente, muito obrigado pela oportunidade. Aproveito para agradecer a todos que me apoiaram nessa minha empreitada. Quem ler vai saber quem é. Muito obrigado.

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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