Relembre o dia em que Jô Soares recebeu Leo Bello para falar de poker e afirmou: “o poker leva à ruína muita gente”

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Leo Bello foi o entrevistado de Jô Soares em outubro de 2008 em uma das primeiras exposições do poker em grande escala

O Brasil foi pego de surpresa na madrugada dessa sexta-feira, dia 4, com a notícia da morte de Jô Soares, aos 84 anos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após dar entrada no mesmo no último dia 28 com um quadro de pneumonia.

Multifacetado, Jô, nascido José Eugênio Soares, escreveu livros, atuou na televisão, teatro, cinema, roteirizou e dirigiu diversos filmes e programas que entraram para a história da TV brasileira, mas ficou mais conhecido como apresentador do talk show – primeiro no SBT, depois na Rede Globo – que recebia uma ampla gama de convidados para bater um papo sempre marcado por curiosidades, questionamentos e, principalmente, bom humor. E foi no “Programa do Jô”, produzido pela emissora carioca entre 2000 e 2016, que Jô permitiu que a população brasileira conhecesse um pouco mais do poker, especificamente o popular Texas Hold’em, ao entrevistar o carioca Leo Bello, então um dos principais expoentes do jogo no país.

“Pois é galera, saiu hoje a confirmação. Próxima terça-feira, dia 7 de outubro, vou gravar entrevista para o Programa do Jô.

Depois de muitas pré-entrevistas, a pauta foi aprovada, e entre outras coisas, devo explicar pro Jô no ar, como se joga o Texas Holdem, mostrar o vídeo que gravei da hora que o Alê Gomes foi campeão, e tentar defender nosso esporte na Globo.

Se alguém souber os caminhos pra tentar estar na plateia (dizem que a plateia está lotada até dezembro, mais sei lá) avisa ao restante da galera. Já pensou conseguirmos levar um grupo grande?

O programa deve ir ao ar na mesma semana, só que não tenho o dia confirmado ainda.

Dedos cruzados, primeira vez que um jogador de poker vai ao Jô! Se a pauta da produção for seguida, o tom deve ser positivo. Eles frisaram muito pra mim que eu deveria diferenciar jogo de azar e habilidade e deixar claro que não estávamos incitando o jogo. A abordagem será com o poker como esporte.” escreveu Leo em uma rede social pouco antes da exibição da entrevista que marcava o lançamento do seu livro “Aprendendo a Jogar Poker”, um dos primeiros livros técnicos lançados em português sobre o jogo.

No dia 8 de outubro de 2008 a entrevista foi ao ar após uma longa conversa com o cantor Jerry Adriani como primeiro entrevistado. Com pouco mais de 15 minutos de duração, Jô apresentou Leo Bello como alguém que “quer provar que o poker não é um jogo de azar” e o que se viu foi uma tentativa, sem sucesso, de Leo afirmar o jogo como esporte, e Jô se mostrando completamente ignorante sobre o jogo, chegando a afirmar que o “poker leva à ruína muita gente”.

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O diálogo – ou monólogo, por assim dizer, marcado por diversas e costumeiras interrupções do apresentador – acabou sendo confuso e causou uma repercussão negativa entre jogadores e entusiastas do poker.

“Ontem, o Leo Bello (autor do livro Aprendendo a Jogar Poker) foi ao “Programa do Jô” divulgar o poker e sua obra. Eu estava ansioso para ver a entrevista… Realmente achava que ela poderia ser positiva, tratando o poker com respeito no maior veículo de comunicação do país. Mas eu estava errado. O Léo tentou de todas as maneiras, mas a visão preconceituosa do Jô acabou prevalecendo, mesmo sem argumentos plausíveis contra a eloquência do Léo. Parabéns ao Léo, que fez bem o seu papel. Nota zero para o Jô, que continua fazendo bem o seu novo papel: o de “chato””, escreveu na época em um artigo no seu blog na ESPN o blogueiro do PokerStars Sergio Prado.

Já um forista do MaisEV descreveu a entrevista como “ridícula”, e outro a classificou como “show de horrores”. Entretanto, houve quem tentou contemporizar.

“O Leo Bello tá de parabéns eu já tinha mandado o Jô ir pra aquele lugar à muito tempo me levantaria e deixaria ele falando sozinho. Acho que ele já tava pronto pro deboche, e o alvo era esse lance do Poker ser um esporte dali em diante começou a cortar o que o Leo Bello falava. Parabéns pro Leo Bello pela paciência de ouro que ele teve. PQP”, escreveu um usuário.

Já outro não se mostrou surpreso com o tipo de abordagem do programa. “É óbvio que iam levar pra esse lado e óbvio que a entrevista é mais pela curiosidade do que por qq outra coisa…não dava pra criar expectativas de nada. Mesmo assim, pelo tempo que ele teve, pelo preconceito embutido, pela forma como a entrevista foi conduzida, acho que o cara se virou bem…é fácil ficar falando mal daqui do fórum…aposto que quase todo mundo se enrola qdo vai explicar pq não é jogo de azar pro pai e pra mãe, imagina na globo pro Jô”.

Juliano Maesano, então editor da Flop Magazine, uma das principais revistas nacionais sobre poker e que acompanhou a entrevista da plateia, explicou sua sensação sobre a exibição.

“Entendo o lado e irritação de todos, incluindo aqui os que tão zoando, os q tão tiltados, e os q estão compreensivos.

As únicas coisas que eu posso falar, são:
1- O Leo não “quis” explicar ordem de melhores mãos ou como funciona o jogo, mas foi uma “exigência” da produção. Ele não queria perder tempo com isso.
2- ANTES de abrirem as cartas e perder tempo precioso explicando a mecânica do jogo, o Leo explicou razoavelmente bem posição do poker com a lei, citando a lei brasileira e explicando didaticamente conceitos de sorte x habilidades.
3- Ele também falou de Gualter no EPT, Guga joga poker, ser um jogo que une pessoas de sexo, idades e níveis diferentes em igualdade, CBTH, etc, etc… e muitas outras coisas que mt gente esta reclamando, mas isso tudo foi cortado.
4- Na minha opinião, o fato da produção não cortar a parte mais chata, as explicações truncadas, mostra que eles realmente acham que para o publico, em geral, isso era mais importante do que o resto, já que o outro entrevistado comeu a maior parte do tempo….

Ao sair de lá, TODOS que fomos nos dirigimos a um restaurante e passamos 2h conversando e discutindo o que cada um achou, e que rumos devemos tomar para as próximas oportunidades (inclusive amanha falarei com um amigo produtor do Altas Horas).
Na hora td mundo que tava lá ao vivo, da nossa turma, teve uma impressão PIOR do que agora vendo na TV, td mundo sentiu o mesmo agora em casa… que mesmo com a edição, a tensão real criada lá não pesou tanto na tv. Soh por isso, apesar de cortes, da explicação confusa, etc, eu já fiquei mais tranquilo.

De resto, eu continuo com a mesma impressão que tive na hora e disse a eles: achei MÉDIO. Pior do que “poderia” ter ficado e melhor do que tbm poderia acontecer. Soh pelo espaço já acho valido. O Leo poderia ter tido outra postura em algumas situações? Acho que, em parte, sim. Mas ele segurou muito bem a onda e teve a paciência para manter-se calmo e acho que fez um belo serviço. Espero que as próximas melhorem, claro. Se já tivesse tido uns 10 minutos a mais, ou não perdesse mt tempo com as explicações, se tivesse posto um filme melhor, se pusesse o vídeo do Ale na WSOP que estava na produção, fotos de jogadores que temos tantas, mostrasse o clima de jogo atual, e não um filme de cowboy, seria melhor ainda… Mas como eu sempre penso que “não se pode querer tudo”, estou medianamente satisfeito“.

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Tamanha comoção causou um número alto de acessos no fórum MaisEV, com muitos jogadores querendo expressar sua desaprovação à entrevista ou acompanhar os comentários sobre a (má) exposição do poker em rede nacional, causando a queda do site por breves instantes. A longa discussão, com mais de 500 postagens, pode ser acompanhada na íntegra aqui.

Analisando em retrospectiva 14 anos depois de sua exibição, a entrevista até encontra algum valor positivo, ainda que mínimo. O “Programa do Jô” contava com a maior audiência nas madrugadas televisivas e, em uma época com mídias sociais ainda incipientes, o poker não era acostumado a ter tamanha exposição (de milhões de espectadores), ainda que já houvesse sido “apresentado”, por assim dizer, em exibições de etapas do WPT nas noites do SBT. Porém, a Globo já era a toda poderosa Globo, o que confere um cenário e importância totalmente diferente na busca da popularização do jogo.

Abaixo, a entrevista pode ser relembrada na íntegra.

https://globoplay.globo.com/v/2820165/

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