Max Lacerda comenta seus desafios de cash game

Por: 01/06/2020

Max Lacerda, do time BrPC, fala sobre desafios, times de poker, rotina e mais

Em 2019, Max Lacerda, comax lacerdam o nickname “LAGasaurus”, publicou no Fórum MaisEV um desafio impressionante: se propunha a jogar 1 milhão de mãos de cash games e ter grande lucratividade. Já neste ano, outro desafio surgiu: ganhar 60 mil reais em dois meses.

Por isso, convidamos Max Lacerda para falar sobre seus desafios, sua carreira no poker e mais. Confira!

 

Seu desafio anterior foi de 1 milhão de mãos no ano fazendo 5bb/100. Como foi esse primeiro desafio?

Primeiramente obrigado por essa oportunidade de ser entrevistado pro MaisEV, desde quando eu jogava micro stakes eu já acompanhava muito o fórum, principalmente as postagens mais antigas de jogadores que eu admirava. E inclusive foi isso que me incentivou a criar os meus 2 blogs no fórum. O primeiro blog foi em 2018, quando meu bankroll era de 10 mil reais, e eu queria transformar ele em 60 mil. Na época eu jogava NL25 e cash game live.

O feedback foi bem legal e eu gostei muito da experiência, fazendo assim eu decidir criar um novo blog quando o BrPC (Brazilian Poker Crew – time de cash game que atualmente eu sou instrutor) foi criado. Na época, fevereiro de 2019, eu jogava NL50 e o Mateus “zinhao” e o Saulo Costa me chamaram junto com meu amigo Rodrigo Bianchini pra jogar nl200 com o dinheiro e coaching deles e dividindo os lucros, e assim foi criado o BrPC.

Eu terminei o desafio percebendo que meu objetivo de fazer 1 milhão de mãos na NL200 não fazia muito sentido, eu deveria fazer o move up pra NL500 caso eu já estivesse batendo decentemente o limite, e foi exatamente o que aconteceu.

O volume deixou de ser uma prioridade e passou a ser bater a NL500. No fim das contas eu joguei 750 mil mãos totais, fiz aproximadamente 3.2bb/100 na NL200, porém já estava jogando NL500 antes do desafio terminar. Acabei lucrando a quantidade total de US$ 57 mil brutos, e apesar de não ter conseguido fazer 5bb/100 fiquei muito satisfeito de em um ano eu ter conseguido sair da NL50 pra NL500, obviamente com a grande ajuda que meus backers me proporcionaram.

O resultado te incentivou a criar o desafio de R$60 mil? Se sente motivado por essa pressão?

Com certeza, eu criei o desafio no final desse período de 1 ano pois eu estava interessado em lançar um canal pro YouTube (acompanhe aqui), e achei que esse desafio seria um ótimo jeito de começar. Eu sempre quis ajudar outras pessoas na comunidade pra entenderem o que o poker é de verdade, entender o quão é difícil se dar bem nessa profissão, e não serem iludidos por valores monetários divulgados fora de contexto.

Vendo que eu era um dos poucos brasileiros que estavam jogando a NL200 e posteriormente a NL500, percebi que já tinha autoridade suficiente pra fazer o que eu há muito tempo já queria, então foi esse o maior intuito desse desafio.

Também pra mostrar o quanto de variância existe nesse jogo, ao mesmo tempo mostrando o quanto você pode conquistar nesse jogo sendo uma pessoa extremamente focada e trabalhadora.

Você falou do seu primeiro bankroll, de 10 mil reais? Construiu esse BR jogando NL25 e cash live?

Eu comecei a construir ele através de freerolls, frequentava diversos freerolls ao vivo aqui em Brasília, e também jogava freerolls online. Não considero uma boa decisão perder o seu tempo tentando jogar freerolls pra ganhar um pouquinho de dinheiro, mas na época era o que eu podia fazer. Eu não tinha outro dinheiro pra colocar no poker e também não trabalhava, então dependi dos freerolls. Até que um dia consegui ficar em segundo lugar em um freeroll e ganhar 500 reais, é importante frisar que por mais que seja freeroll, os jogadores podem comprar mais fichas, fazer rebuys e addons, e eu não fazia isso, então naturalmente minhas chances de ganhar já diminuíam muito, mas acabei runnando muito bem nesse torneio e consegui meu primeiro dinheiro vindo do poker.

Desses 500 reais eu comecei a jogar $1 no botão e consegui dar uma construída no meu bankroll. Eventualmente depositei online pra jogar um pouco de NL10/NL25 enquanto jogava muito  R$1/R$2 live. E foi assim que eu construí esses primeiros 10 mil reais.

Hoje em dia o que mais se fala no poker brasileiro é torneios, talvez por causa da grande propaganda e mídia que fazem os times, que também se multiplicam, enquanto pouco se fala dos cash games. Como você vê o movimento dos cash games atualmente?

Eu entendo os diversos motivos que fazer os torneios serem mais conhecidos que os cash games, mas sendo parte do BrPC eu consigo ver o quanto os cash games vem chamando mais atenção, muitos interessados todos os dias pra entrar no nosso time ou no time base de cash micro da Cardroom. E se formos analisar é a primeira vez que isso de fato existe um time de cash game no Brasil. Já tiveram divisões de times estrangeiros que passavam pelo Brasil, mas nunca um time de cash game formado por brasileiros.

Além disso, apesar de sempre existirem brasileiros jogando cash games, a grande maioria deles preferia ficar em anonimato ou não fazer um trabalho em redes socias pra se promover (Lgwz, maax45, roqueiro, sphinter entre outros), os únicos jogadores de cash game (que me vem na memória agora) que realmente se promoveram no passado foram o Gabriel Goffi, Cláudio Davino e o Yuri Martins (que acabou mudando pra torneios), então eu entendo o baixo interesse que se tinha em se tornar um profissional de cash game no Brasil. Mas vejo isso mudando dia a dia, eu, o Saulo Costa e o Mateus “zinhao” Moraes estamos divulgando bem mais essa modalidade, principalmente com o crescimento exponencial que estamos tendo no BrPC. Então por isso acredito que daqui pra frente o cash game só tende a crescer.

Durante o primeiro desafio, você comentou que tinha como meta fazer 10h de estudo por semana. Você mantém isso? Como faz seus estudos?

Mantenho sim, normalmente eu estudo revisando mãos marcadas no dia anterior junto com o PioSOLVER e o H2N, porém também foco em um spot específico as vezes usando o GTO Trainer. Quando descobri esse programa achei ele muito interessante pelo feedback instantâneo, basicamente você simula uma situação de jogo real e tem que fazer a decisão, então o programa te dá a resposta se sua decisão foi correta ou não de acordo com o GTO das trees que você importou pra ele.

Você também falou sobre sua vontade de chegar ao topo. Como você estabelece suas metas, e quais são pra esse ano?

Normalmente eu tento fazer o melhor o possível mas sem colocar muitas metas de dinheiro ou limites, porém desde que comecei a trabalhar com o psicólogo do BrPC percebi que tinham lados positivos em colocar metas mais palpáveis. No momento quero chegar a estar jogando a NL1000 regularmente até o final do ano. Hoje em dia meu jogo é quase que totalmente focado na NL500 zoom/zone, e sei que ainda vou ter que manter esses limites pelo fato de serem os limites mais altos de zoom que tem ação constante, mas quero estar jogando mesas de valores mais altos também, e acredito que a NL1000 seja uma meta bem possível.

Em relação a metas monetárias não planejei muito bem ainda, porém quero ter pelo menos 650 mil mãos até o final do ano jogadas em NL500+.

Nesse período de desafio, como é sua rotina?

Então, meus dias tendem a variar um pouco, mas o que acontece a maior parte das vezes, e que eu considero o ideal seria: acordo entre 9h e 9:30, faço meu café com canela, manteiga e óleo de côco, vou pro PC e estudo por volta de 2 horas com o PioSOLVER, H2N, e etc… Aí por volta de 12h eu jogo uma sessão rápida até o horário do almoço (13:30). Aí 14h é quando eu marco meus compromissos, dar aulas pro BrPC, fazer uma sessão ao vivo, alguma reunião e etc..

Então 15:30 é quando eu vou fazer alguma atividade física, normalmente academia ou andar de bike, volto pra casa por volta de 17h, tomo banho, como algo, então começo meu grind mais intenso, jogo por volta de 4h, com intervalos de 5 a 10 minutos entre cada hora. E então dou meu dia por encerrado.

Existem variações, alguns dias eu estudo menos, ou não vou na academia e jogo mais, ou tenho algum compromisso ou ensaio com a minha banda a noite e tenho que fazer as coisas do poker mais cedo, mas no geral seria isso.

O que você mudou na sua rotina desde que iniciou a pandemia/quarentena do coronavírus?

Eu basicamente comecei a trocar horas de estudo por horas de grind, basicamente os jogos ficaram muito melhores, então tenho que aproveitar essa época que com certeza tem prazo de validade. Mas não deixei os estudos totalmente de lado, continuo tendo aulas com o Mateus “zinhao” e o Saulo Costa no BrPC, continuo ministrando minhas aulas pra outros alunos lá também e claro estudando por minha conta, mas definitivamente diminui o ritmo de estudo pelo EV de jogar mais tempo nesses jogos. Também não estou fazendo nada tão drástico e jogando incontáveis horas por dia, só aumentando o volume dentro do possível.

Psicologicamente, isso te afetou de alguma maneira, no seu jogo ou no seu desafio?

Não, a única coisa que afetou foi que eu comecei a jogar mais e parar de sair de casa. Sei que é uma situação extremamente difícil pra todos no mundo, mas ficar me preocupando não vai ajudar em nada, estou em quarentena e só saio pra ver minha namorada, e nesses tipos de períodos o melhor a se fazer é focar em trabalho/estudo. Como um ditado já dizia, mente vazia é oficina do diabo, então é o que eu faço e recomendo todos a fazerem. Estou tendo mais tempo pra focar na minha música também (pra quem não sabe sou vocalista da Rideway – @ridewayband no instagram), então estou compondo e gravando muito.

Enfim, novamente obrigado pela oportunidade, espero que essa entrevista tenha ajudado a “clarear” um pouco mais sobre esse universo do Cash Game hahah. Pra quem tiver interesse em seguir meu trabalho, faço atualizações diárias no meu Instagram @max.lacerda1 e sempre tem coisa nova no Instagram do time também @brazilianpokercrew. E caso você jogue NL25+ e tenha interesse em se inscrever no BrPC, só entrar no nosso site: https://brpokercrew.com.br/.

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Danilo Telles

Danilo Telles

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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