Taxação causou distorções como prêmio maior para Kenny Hallaert em 4º do que para Braxton Dunaway em 3º
Taxação causou distorções como prêmio maior para Kenny Hallaert em 4º do que para Braxton Dunaway em 3º
A mesa final da World Series of Poker (WSOP) de 2025 consagrou o americano Michael Mizrachi como o grande campeão, levando para casa o prêmio de US$ 10.000.000. No entanto, uma análise mais detalhada da premiação revela que os verdadeiros vencedores do torneio podem não ser os que levaram os maiores prêmios, mas sim os que pagarão menos impostos. No total, US$ 10.054.387 em prêmios serão destinados ao pagamento de impostos, com o “Leão” americano (IRS) sendo o maior beneficiário.
A sorte de um jogador de poker não termina nas cartas, mas estende-se à sua nacionalidade e às leis tributárias do seu país. Este ano, o exemplo mais flagrante é o do belga Kenny Hallaert e do austríaco Luka Bojovic. Graças aos tratados de dupla tributação entre os seus países e os Estados Unidos, e ao fato de os seus países de origem não tributarem ganhos de jogo, ambos sairão de Las Vegas com os seus prêmios de US$ 3.000.000 e US$ 2.400.000, respetivamente, intactos.
Este cenário contrasta fortemente com o dos jogadores americanos e de outras nacionalidades. O campeão, Michael Mizrachi, apesar de residir na Flórida, um estado sem imposto de renda estadual, terá de entregar quase US$ 4.000.000 ao fisco federal, uma taxa efetiva de 39.67%. Isto significa que o seu prêmio líquido será de aproximadamente US$ 6.000.000.
A situação é ainda mais curiosa quando se compara a premiação de jogadores que ficaram em posições diferentes. O americano Braxton Dunaway, que terminou em terceiro lugar com um prêmio de US$ 4.000.000, levará para casa cerca de US$ 2.500.000 após os impostos. Já Kenny Hallaert, que ficou em quarto lugar, levará para casa os seus US$ 3.000.000 na íntegra, ou seja, mais do que o terceiro classificado.
Leo Margets, que joga com as cores da seleção espanhola de poker, também sentirá o peso dos impostos. Apesar de o tratado fiscal entre Espanha e os EUA a isentar de pagar impostos nos Estados Unidos, ela terá de pagar cerca de 47% do seu prêmio de US$ 1.500.000 ao fisco espanhol.
O caso mais extremo é o do sul-coreano Daehyung Lee. O seu país não tem um acordo fiscal com os EUA que cubra ganhos de jogo, o que significa que o seu prêmio de US$ 1.000.000 será tributado tanto nos EUA como na Coreia do Sul, resultando numa taxa de imposto combinada de mais de 51%.
A análise dos impostos da mesa final da WSOP, compilada por Russell Fox do blog especializado Taxable Talk, revela uma realidade complexa e muitas vezes desigual no mundo do poker profissional. Para os jogadores, a nacionalidade e a residência fiscal podem ser tão importantes quanto uma boa mão de cartas.
| Vencedor | País | Prêmio Bruto | Prêmio Líquido | Alíquota Efetiva de Imposto |
| Michael Mizrachi | Estados Unidos | US$ 10.000.000 | US$ 6.032.745 | 39,67% |
| John Wasnock | Estados Unidos | US$ 6.000.000 | US$ 3.790.106 | 36,83% |
| Braxton Dunaway | Estados Unidos | US$ 4.000.000 | US$ 2.524.527 | 36,89% |
| Kenny Hallaert | Bélgica | US$ 3.000.000 | US$ 3.000.000 | 0,00% |
| Luka Bojovic | Áustria | US$ 2.400.000 | US$ 2.400.000 | 0,00% |
| Adam Hendrix | Estados Unidos | US$ 1.900.000 | US$ 1.202.000 | 36,74% |
| Leo Margets | Espanha | US$ 1.500.000 | US$ 795.000 | 47,00% |
| Jarod Minghini | Estados Unidos | US$ 1.250.000 | US$ 768.447 | 38,52% |
| Daehyung Lee | Coreia do Sul | US$ 1.000.000 | US$ 482.788 | 51,72% |
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