Bad Run e Good Run

Por: 25/07/2012

Com toda certeza, um bom jogador tem a noção que eventos matemáticos são totalmente independentes, um spot vai ser matemática sempre um evento único e momentâneo, acontecimentos anteriores ou posteriores em nada influem nesse spot. Mesmo tendo essa compreensão, por meio de um engano mental, o psicológico desse jogador se posiciona de uma maneira controversa a isso, acreditando que um evento anterior de alguma maneira pode exercer influência no evento próximo. Esse jogador se encontra em um estado mental-corporal momentâneo de engano, ele passa a criar aglomerados de eventos bons ou ruins, eventos pautados em confiança ou descrença.

Isso acontece em decorrência de um determinado ponto crucial que cria esse estado mental no indivíduo. Em alguns, esse ponto crucial pode se manifestar por meio de coisas simples e supérfluas, porém complexas, e abstrusas para outros. Esse estalo, click, tiro, bum, como preferirem, pode aparecer de várias maneiras diferentes a cada vez, podendo acontecer in ou off poker, mas exercendo consequências diretas no jogo.

Existem pessoas que passam a acreditar estarem iniciando uma bad run quando perdem por dois outs no river, ou quando perdem um Heads Up depois de terem acumulado mais de 70% das fichas, ou ainda, pessoas que acreditam que estão passando por uma fase ruim no seu cotidiano, ou por ficarem muito tempo sem um resultado bom, por sentirem que não estão um level acima do field, e assim passam a criar dúvidas e embaraços em spots simples. Dessa mesma maneira, o estalo das “good runs”, o aglomerado de eventos confiantes, pode se iniciar depois de uma boa sequência de flips ganhos, ou até de uma sessão muito boa.

Quando a mente, mesmo preparada, por conta de algum acontecimento imperceptível, envereda por esses períodos enganosos de extrema autoconfiança ou descrença, esses enganos e equívocos são automaticamente levados e incorporados ao jogo da pessoa afetada.

Jogadores em “good run” estão propícios a supervalorizarem jogadas de grandes riscos mesmo que impróprias para o momento, devido ao excesso de certeza que se encontram. Até mesmo optar por apostar 3 streets com mãos que eles sabem que não são boas para isso, por acreditarem percorrer as estradas da boa fase, ainda podem escolher jogar grandes e desnecessários flips por se encontrarem em um momento mental glorificador do seu EGO. De alguma maneira esse pensamento de good run faz com que o feeling dos jogadores fique mais apurado. Isso talvez aconteça por não estarem presos a pensamentos negativos que os impeçam de raciocinar de maneira objetiva e analista. Já os ocupantes do pensamento “bad run” tendem a evitar jogadas de grande variância, mesmo que sejam próprias e corretas, por acharem que se encontram em um momento ruim nas mesas, ou podem perder valor com algumas mãos tendo medo de inflar o pote e o oponente acertar seu draw no river. Isso acontece todos os dias, e nada mais é que a mente trabalhando como deve trabalhar, expondo medos ou audácias. Fica claro, como o jogo é afetado diretamente, o jogador que acha estar em uma bad ou good run, pode vir a se desprender da jogada correta, ou seja, naquele momento, “devido ao seu estado, ele acredita ser a jogada correta”, mas não passa de um grande erro de pensamento.

O que espero que tenhamos compreendido é que matematicamente, bad ou good runs não podem existir, não é possível ou lógico que aglomerados de eventos emocionais exerçam influência direta nos números. Não é porque você está em uma boa fase que você está propenso a ganhar o próximo flip ou a acertar seu draw no river. Como não é por estar em uma fase que parece ser ruim que você tende a perder a maioria dos flips então deve evitá-los e optar por jogadas mais seguras. Isso não passa de equívocos mentais, onde nosso subconsciente criou uma maneira de glorificar ou esmagar nosso EGO, nos fazendo sentir o máximo ou um acabado azarado.

Destarte, bad ou good runs, devem ser temas excluídos do nosso conhecimento sobre poker, devemos buscar entender a variância e optar por maneiras de diminuí-la ao máximo, não anestesiarmos os erros e enganos com a desculpa de estarmos passando por momentos bons ou ruins. Mãos de poker devem ser tratadas como eventos únicos e independentes, sessões de poker devem ser abordadas como eventos únicos e independentes. Assim, devemos trabalhar de alguma maneira para diminuir a variância sessão por sessão, ou mão por mão. Outro ponto de grande valia para abandonarmos essas linhas errôneas de pensamentos é a análise de Hands histories de jogadores vencedores, tentando perceber se temos as mesmas linhas de raciocínio desses winners ou não.

Artigo escrito por Rafael Tosati, do Steal Team

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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