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Tópico: Play By Forum - Tormenta RPG - Inscrições + OOtC Topic

  1. #391
    World Class Avatar de luigibr
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    Apenas para esclarecimentos e dúvida: alguém que acompanhava a aventura no começo ainda acompanha? Caso queira saber, a luta final vai começar.
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  2. #392
    Expert Avatar de andrevadiu2
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  3. #393
    World Class Avatar de luigibr
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    @Felipe_Phil, @Joshua, @TiagoM, @TURCI, @_CJ_550

    Atenção, isso vale para todos. O acordado foi que todos postariam 2 posts diários, de segunda à sexta. E todos contam com isso. Até agora, tenho sido bastante tolerante com todos os que não postam um dia ou outro, ou demoram pra postar. Pois bem, não serei mais.

    A partir de agora, quem tiver um intervalo superior a 12 horas (ou entre o período que eu dormir até o período que eu acordar, o que for maior) entre uma postagem e outra, perderá 20% do HP total. Esse 20% serão semipermanentes, o que significa que não poderão ser recuperados até o final da aventura (ou seja, se uma aventura tiver 3 partes, os 20% entrarão em efeito até o final das 3 partes; se você sofrer dano e tiver alguém recuperando o dano, o limite de recuperação será sua vida máima - o que foi perdido de punição). E isso é cumulativo. Se acontecer duas vezes, 40%, e assim sucessivamente. Se alguém chegar a 0 de HP desta forma (ou seja, se você der mancada 5 vezes), seu personagem será permanentemente morto. Nem Desejo vai ressuscitá-lo. Ele vai morrer, seu corpo vai se desintegrar e sua alma vai para um Reino de algum deus aleatório. A única forma de trazer o personagem de volta à vida seria através de uma aventura épica... E eu não entraria numa aventura assim pra ajudar alguém que não tá nem aí pro grupo (porque se você der mancada 5x, significa que você não tá nem aí pro grupo).

    Como folgamos de fim de semana e feriados prolongados, as 12 horas contarão do dia anterior até o primeiro dia válido na semana seguinte.

    Como exemplo, na semana que vem, tem feriado de sexta à segunda. Isso significa que quinta é o último dia, e volta a obrigatoriedade na terça.

    Eu sempre apareço no grupo e informo se eu posto ou não. Mas em regra geral, é como o poker: se todo mundo concordou com a ação proposta, eu posto e dou continuidade. Se a ação foi aberta por alguém, eu não posso postar, não posso deduzir o que vocês decidiram, e o que foi conversado no Skype não vale ItC.

    Se alguém tiver algum problema que impeça de cumprir os dois posts por dia, ou um a cada 12 horas, informe-me por MP (porque é certeza de eu ver em tempo), que eu assumo seu personagem por aquele dia, tomando as decisões que você tomaria. É necessário que a informação seja antecipada. Se ela for feita posteriormente à situação, eu aceito uma justificativa uma vez. Da segunda em diante, se não informar antecipadamente, não tem perdão.

    A única exceção à regra das 12 horas é se alguém fizer 3 posts ou mais num mesmo dia. Neste caso, a tolerância sobe pra 18 horas. Do contrário, não serão abertas exceções.

    Se vocês leram até aqui e concordam com os termos, curtam este post. Se não concordam, informem-me por pvt no Skype que eu mato seu personagem na aventura e acaba o problema.

    Obrigado pela atenção.

    Atenciosamente,

    THE Dungeon Master
    Let's roll the dices!

    ps.:
    Isso passa a valer a partir do momento em que todos visualizarem esta mensagem.
    TURCI, Felipe_Phil, TiagoM and 1 others like this.
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  4. #394
    World Class Avatar de TiagoM
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    Nao li luigi, to operado. Tive q vim pro jospital ontem de manha enja falo com vcs
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  5. #395
    World Class Avatar de luigibr
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    Como falei com o pessoal do RPG, vou começar a usar minha criatividade para escrever contos envolvendo seus personagens. De tempos em tempos, conforme for dando na telha, farei isso. E hoje, trago o primeiro.




    As ruas da capital podem ser impiedosas à noite. Criminosos de todos os tipos saem de suas tocas para atacar. E foi numa noite do Refúgio da Felicidade, o bairro dos novos-ricos de Valkaria, que um homem encapuzado ouviu um choro.

    "Mais um bebê chorando. Quando essas mães vão enfiar os peitos nas bocas e calar-lhes?"

    O homem odiava choro de crianças. Lembrava-lhe de tudo o que havia desistido em busca de sua iluminação. Lembrava-lhe de que nunca teria uma família.

    O choro continuava incessante. Num suspiro, o monge encapuzado decidiu verificar. Caminhou pelas ruas escuras, seguindo a direção do som.

    "Se essa mãe não calar esse bebê, eu mesmo vou fazê-lo" - ele pensou, apertando o cajado em sua mão.

    Ao entrar num beco, o som parecia ainda mais alto. Mas ele não via mãe alguma. Começou a se preocupar. Andou cauteloso. E se fosse uma armadilha? No meio de alguns sacos, o homem enxergou algo que parecia ser um pé. Ratos estavam ao redor, um já roía a carne macia.

    Com um soco no ar, o monge enviou uma rajada de vento, e removeu os ratos de perto. O que roía a carne espatifou-se na parede, e passou a olhar para o monge com ódio. Depois, como que decidindo que não valia a pena, enfiou-se num buraco.

    Com cautela, o barulho do choro havia cessado. O barulho do ar se movendo pareceu pará-lo. Mexendo cautelosamente com seu cajado nos sacos, o monge encontrou a origem. O pé pertencia a uma mulher. Morta, com sangue ao redor de suas genitais. Ela estava lá. As pernas abertas. O bebê, que agora não chorava, mas olhava com olhos curiosos para o estranho encapuzado, vermelho de sangue, com o cordão ainda ligado à sua mãe.

    Em meio aos ratos, ele não deveria estar vivo. Mas, contra todas as probabilidades, ali estava. A ambição de viver é o primeiro ato da bênção de Valkaria.

    Como que confirmando ao monge que estava vivo, o bebê recomeça a chorar. Temendo que isso atraia qualquer uma das guildas, ele chacoalha seu cajado. Um guizo na ponta faz um barulho, o bebê acha interessante, e para de chorar. Despindo-se de sua capa superior, o monge decide recolher o bebê. Com um movimento rápido de sua sai, um corte seco no cordão. Ele prende o que sobra num nó firme. Espera que seja o bastante. Coloca as mãos sobre o corte, faz uma prece a Valkaria.

    Abrindo os olhos, ele encontra os olhos fechados do pequeno. Coberto pela capa, ainda com crostas de sangue na pele, o bebê adormecera. Verificando as genitais, o monge confirma ser um menino. Sorri. Se fosse menina, não poderia entrar no templo.

    "Ah, pequeno. Por alguma razão, Valkaria me trouxe a você. Será que é você quem vai acalmar a solidão em meu coração?"

    Em passos rápidos, porém silenciosos, o monge caminha pelas ruas do bairro. Chega a uma casa de decoração modesta, comparada a todas as vizinhas, espalhafatosas. Mas essa era a casa mais antiga de lá.

    Ninguém conhecia seus moradores. Ninguém falava com eles. Eram todos silenciosos, com as cabeças raspadas, cobertas por capuzes, e todos andavam com um cajado. Uma ordem de monges, que não recebia visitas, não falava com ninguém.

    O monge toca o sino, a janelinha é aberta. Verificada a identidade, a porta se abre.

    Um jovem de não mais que 20 anos se curva.

    "Mestre, o senhor demorou. O que traz aí?"

    "Valkaria me deu uma missão. Este pequenino foi-nos enviado para ser cuidado. Por favor, banhe-o e leve-o aos meus aposentos. Vou ordenhar nossa cabra."


    "Ele tem um nome?"

    "Quero que todos saibam que ele veio de um lugar famoso. Ele foi um presente da nossa deusa."

    E buscando em sua mente palavras de culturas antigas, ele chegou ao nome que queria. Sussurrando para o bebê, agora no colo do seu discípulo, o mestre falou.

    "Seu nome é Orlando."
    Última edição por luigibr; 23-02-2015 às 21:59.
    TURCI, JoseIrineu, Picinin and 3 others like this.
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  6. #396
    World Class Avatar de luigibr
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    Mais um conto. Enjoy.


    Em Sambúrdia, entre o Refúgio da Donzela e o Balneário de Zannar, existe uma fazenda. É apenas um hectare de terras, mas elas são verdes, férteis, e geram frutos o ano todo.

    São frutas, legumes e verduras que ajudam a pagar os impostos. O que não vai para impostos, é vendido no mercado. Uma parte da produção, alimenta a família.

    E que família estranha era essa. Pelo menos, foi o que os vizinhos mais próximos (a alguns quilômetros de distância) e os cobradores de impostos pensaram quando viram-na pela primeira vez.

    Ele, um meio-orc atabalhoado, feio e fedido, com um enorme machado nas costas e uma bolsa cheia de moedas. Ela, uma moça bela, esbelta, com roupas que um dia foram finas, de tecidos de ótima qualidade, um olhar sedutor e um rebolado que ajudou na hora de conseguir um preço naquele pedacinho de chão.

    Por mais improvável que aquele casal fosse, o olhar de um para o outro desde que chegaram era óbvio: Eles se amavam demais.

    Dez anos se passaram desde então. A mulher, já não mais tão bela, nem tão esbelta, com as ancas largas de duas gravidezes. Dois meninos fortes como o pai, bonitos como a mãe. O mais velho tinha pouco mais de nove anos. O mais novo chegara há cinco, mas já ajudava nas colheitas. Era o que mais se interessava por elas. O mais velho gostava mesmo era de animais. De tanto insistir, o pai cedeu e lhe deu uma cabeça de gado. Era uma vaca, que dava leite de qualidade.

    "Jimmy!" A voz da mãe gritava da varanda da casa que eles construíram no terreno. "Chame seu irmão e seu pai, é hora do almoço!"

    O garoto secou o rosto com a manga da camisa, deu um tapinha nas ancas da vaca, pegou os baldes cheios de leite e os carregou. Eram dois baldes de tamanho médio, e um menino não deveria ser capaz de carregá-los. Mas ele era. Seus músculos eram mais desenvolvidos que de adolescentes, lição que os filhos de alguns ricos fazendeiros da região aprenderam da pior forma possível. Mas isso é história para outra hora.

    Deixando os baldes na soleira, onde a mãe os pegaria para preparar queijo, o menino chamado Jimmy foi cumprir a tarefa dada pela mãe. Se tinha algo com o qual ele não se importava era isso. Sua mãe era tão amorosa, tão carinhosa, que era difícil de acreditar nas histórias que ela contava. Até parece que sua mãe enfrentou uma clériga do deus dragão. Mas ele deixava que ela falasse. Seus olhos brilhavam quando ela contava a história. E os de seu pai sempre se perdiam no ar.

    Enxergando um movimento numa árvore próxima, Jimmy avistou seu irmão, trepado numa laranjeira.

    "Torv, desce daí. Mamãe chamou para comer, e você pode se machucar."

    "Torv é forte. Pequeno, mas forte e poderoso. Papai sempre fala isso pra mim."

    O irmão mais novo tentou descer da árvore. Como sempre, não conseguiu.

    "Jimmy ajuda Torv forte a descer da árvore?"

    Sorrindo, o irmão mais velho pegou o caçula no colo, e o ajudou a descer.

    De mãos dadas, os dois seguiram pelo meio do pomar, passaram pela horta, e encontraram seu pai pelo som de machadadas. O enorme machado, que vivia preso em uma corrente na cintura de seu pai, subia e descia. Mesmerizados, os meninos não se cansavam de olhar. Depois de alguns instantes, ao parar para ajeitar a lenha que cortava, o pai notou os filhos.

    "Mamãe chamou para almoçar."

    "COMIDA! OBA!"

    A fala simples de sempre do seu pai deixava os irmãos felizes. Um pequeno "clec", o cinto que prendia o machado se soltou. Aquela que antes era sua posse mais preciosa, era agora colocada junto às pilhas de lenha. Na sombra, para evitar danos, mas ficava ali.

    Com um movimento rápido, os dois meninos foram parar nos ombros do pai. Um de cada lado. Rindo e brincando, eles chegaram à casa. A mãe sempre sorria. A felicidade naquele lar era plena, ela acreditava.

    "VOU COMER, AMOR!"

    Com uma leve pancada com a colher de pau, a mulher olhou firme para o marido.

    "Já lavou as mãos, Senhor Rooster?"

    "XI, ESQUECI! FOI MAL!"

    O jeito de falar gritando piorara com os anos. Os gritos obrigatórios do mercado o deixaram mal-acostumado.

    De mãos e rosto lavados, o enorme homem sentou-se à mesa, e se serviu.

    Em silêncio, todos oraram a Alihanna, e agradeceram pela colheita e pelos alimentos. Em silêncio, todos comeram. Era sagrado apreciar os dons da Deusa da Natureza.

    Após comerem, sentaram-se à varanda, observando o mar. A baía chamada de Lança de Hyninn oferecia água salgada para as crianças nadarem. Estava a poucos quilômetros da Enseada dos Selakos e, consequentemente, do Grande Oceano, aquele que quase ninguém ousava desafiar, e de onde menos gente ainda conseguia voltar.

    Com o olhar perdido, olhando aquele pedacinho de terra pacato do outro lado da Lança, aquelas belas colinas, Rooster tinha o olhar perdido.

    Normalmente, ele gostava de observar aquelas colinas em silêncio. A mãe dissera aos filhos que era um dos poucos momentos nos quais seu pai estava em paz. Surpreendendo a todos, porém, ele se virou para o pequeno filho e disse, com a voz calma e mansa, algo ainda mais incomum:

    "Tá vendo aquelas colinas, meu filho?"

    "Sim, papai!"

    "São as Colinas dos Bons Halflings."

    "E tem Halfling mau?"

    O pai tinha dificuldades com as palavras, pensava bem antes de dizer:

    "Conheci um que tentava dizer que era mal. Mas era um cara legal."

    Notando a dificuldade do marido em se expressar, a esposa, Heledd, completou:

    "Um dia, filho, esse halfling de quem seu pai tanto fala deverá voltar à terra dele. E se voltar pelo mar, terá que passar por aqui. E você vai conhecê-lo."

    "Por que vou conhecer o halfling mau legal?"

    "Porque foi dele que veio seu nome."

    O garotinho sorriu, sentindo-se cheio de importância.

    "Torv é pequeno, mas forte e poderoso. E é um halfling mau legal."

    E levantando-se, começou a andar batendo os pés no chão.

    "Sou halfling mau legal, sou halfling mau legal..."

    Nesse dia, as gargalhadas de Rooster foram tão altas, que os halflings, bons ou não, da Colina dos Bons Halflings, sentiram uma alegria imensa, e riram com ele.
    Última edição por luigibr; 24-02-2015 às 20:40.
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  7. #397
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    @Felipe_Phil e @Joshua, espero que leiam isto antes de postarem.

    Arcturus lançou teste de Diplomacia contra Cervantes, e o mesmo de Torv contra Orlando, e os dois foram bem sucedidos.

    Isso significa que, não importa o quanto vocês tenham tido vontade de cumprir a palavra, foram convencidos pelas palavras deles. Mesmo que não gostem 100% do que foi dito, eles convenceram vocês de que o caminho que eles sugeriram é o melhor a ser tomado. Vocês podem decidir como proceder daí, mas lembrem-se de que, neste momento, a decisão foi tomada por vocês, os dados decidiram que vocês devem ceder.

    Postem como quiserem, mesmo que seus pensamentos conflitem, desde que, o que for expresso como fala ou decisão seja na linha do que foram convencidos a fazer.

    E a partir de hoje, vou usar este tópico para recados assim, é mais confiável que o Skype.
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  8. #398
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    Todos dormiam. Não ele. Ele não precisava dormir, nunca mais precisaria. Munido de sua máscara, ele sai de seu quarto. Sempre teria um quarto só para ele, numa casa só dele. Aquele palacete enorme é dele. Primeiro objetivo da vida foi conquistado.

    Faltava outro. Saindo de sua casa pelos fundos, ninguém o viu. Ele obteve as informações necessárias, e, seguindo seu conhecimento das ruas da cidade, foi se embrenhando cada vez mais fundo em locais que ninguém deveria ir. Chegou à favela dos goblins, voando sorrateiramente, a centímetros do chão, para não deixar marcas. Foi interpelado por um dos nojentos goblinoides, mas conversou com eles em sua língua, e confirmou as indicações de local.

    Quase parou para devorar aquele goblin, mas não podia. Tinha que ser invisível.

    Depois de uns minutos, chegou ao local. A portinha pequena era difícil de ser vista por quem passasse e não estivesse procurando. Mas seus olhos, perfeitamente adaptados para enxergar no escuro, viam as ranhuras.

    Bateu na porta no padrão que foi indicado. Abriram uma portinhola. Disseram para entrar. Ia entrar, notou as armadilhas. Com um movimento rápido de suas adagas, desarmou todas. Todas menos uma. A que estava atrás dele, ativou de propósito. Voando com força no momento certo, fez o virote venenoso passa por ele e atingir o pequeno que abrira a porta.

    Era um teste. Ele passou. Aquele halfling, não.

    Outro surgiu do corredor, conforme ele andava.

    "Melhor botar o lixo pra fora."

    A voz vinha arranhada, saindo de trás daquela máscara impassível. A máscara da Deusa da Ambição. E nada era mais ambicioso que o que ele estava prestes a fazer.

    O segundo halfling correu para o corredor. Abriu a boca de espanto. Recolheu o cadáver. Fechou a porta.

    Torv continuava andando pelo corredor. Flutuando, na verdade, sem deixar rastros.

    Chegou ao líder da guilda. A Guilda dos Pequenos Assassinos preparara vários testes. E ele passou em todos.

    O líder apenas acenou com a cabeça.

    "Seu treinamento começa agora. Em um mês, você estará pronto para o teste final."

    "Um mês é tempo demais. Dou-lhes uma semana. Não preciso dormir. Quando um se cansar, mandem-me outros."

    "Gosto da sua ambição. Merece a máscara. Será que merecerá ter entrado por aquela porta?"


    Um sorriso se formou nos lábios ressecados e putrefatos de Torv. Ninguém viu. Ninguém nunca mais veria seu rosto.

    A semana se passou. Naquela semana, ficou enfiado lá dentro. Nos testes, passava em todos. Saía uma vez ao dia, por uma hora. Ninguém sabia o que ele fazia. Era o único momento no qual tirava a máscara. Encomendava com goblins carne crua. Animais de médio porte, em sua maioria. Goblins não questionavam. Viam o ouro e corriam a cumprir. Alguém com aquela aura de poder, falando a língua deles fluentemente, eles achavam ser alguém enviado pela Aliança Negra. Melhor não questionar.

    A semana se passou. Torv aprendeu a lidar com venenos. É muito mais fácil quando não se tem o risco de morrer ao manuseá-los. Aprendeu a ouvir os sussurros da noite. Aprendeu a se comunicar pelo silêncio. Aprendeu a andar ainda mais furtivamente do que antes. As asas, agora se decompondo, tornaram-se algo ainda mais valioso. Sem as membranas para captar o ar, eram ainda mais silenciosas. Aprendeu a matar. De todas as formas possíveis.

    Seu treinamento completo levaria tempo, levaria prática. Mas ele sabia que a semana o havia tornado em algo ainda melhor. Num assassino perfeito. Só faltava sua prova final. Matar alguém.

    E ele sabia quem seria a vítima perfeita. O último homem a ver seu rosto. O único valkariano que sabia sua identidade. Aquele que fizera sua máscara.

    Despedindo-se da guilda, O Halfling da Máscara de Valkaria começou, assim, sua lenda.

    Torv alçou seu voo silencioso pelas ruas de Valkaria, até chegar a Ni-Tamura. O reduto dos tamurianos na capital do Reinado fazia com que lembrasse de Musashi. Quase sentiu remorso do que faria. Sentiria, se ainda fosse capaz disso. Aproximando-se da loja de máscaras, passou por samurais que guardavam locais importantes no bairro. Ninguém o viu. Com suas ferramentas de ladrão, abriu a janela mais alta, entrou por ela.
    A casa tinha dois quartos, todos em estilo tamuriano, clássico. Máscaras diferentes decoravam todas as paredes. Ambos os quartos tinham colchões no chão. Ambos sobre tablados. No primeiro quarto, uma menininha dormia. Seus olhos rasgados e sua respiração profunda, assim como seu cheiro de criança, despertaram um desejo em Torv. Ela parecia deliciosa. Salivaria, se ainda tivesse papilas. Forçou-se a sair de lá. Não seria ela seu batismo.

    No segundo quarto, o casal. A mulher, vestida num kimono vermelho, dormia profundamente. O homem, com uma roupa semelhante, porém azul, fazia o mesmo. Torv planejara com cuidado.

    Fez um leve barulho nos ouvidos do homem, para só ele ouvir. E se ocultou nas sombras. O homem acordou sobressaltado. A mulher se mexeu, mas não acordou. Ele se levantou, apertou a faixa do kimono e pegou uma katana que estava ao lado da cama.

    Com ela desembainhada, saiu caminhando com cautela. Com ainda mais cautela, Torv flutuava atrás dele. Soprou o vento com as asas, o homem olhou para trás. Nada viu. Suor gelado escorria pela nuca, os pelos se eriçavam.

    "Dare ga imasu ka?", falou o homem, no idioma nativo de Tamu-Ra.

    "Quem está aí?"

    Torv então fez-se notar. O homem viu a máscara, lembrou-se do rosto. Aquela feição que o assombrava nos pesadelos.

    "O que quer?", o sotaque arrastado atrapalhava.

    "Sua vida."

    "Fiz a máscara que pediu. Não contei a ninguém. Tenho pesadelos toda noite."

    "Vou livrá-lo dos seus pesadelos. O problema de ser humano é que um dia você vai querer contar. Um dia, eu serei alguém famoso. E você saberá quem eu sou. E não queremos isso, queremos?"


    O homem começou a transpirar. Ergueu a katana à frente, ameaçando Torv. Apesar do medo que chegava aos olfatos do halfling com seu suor, era admirável que mantinha a arma firme.

    "Não posso ser morto." Como que pontuando suas palavras, Torv projetou o corpo à frente, mergulhando a espada no próprio peito. Sentia um incômodo, mas não mais sentia dor. "Já estou."

    A vontade era morder. Era atacar. Era se alimentar. Mas Torv sabia que, se fizesse isso, não teria passado no teste. Ele não chegara tão longe para fracassar.

    Com calma e tranquilidade, pegou sua adaga mais antiga, sua mais velha amiga, aquela que ele tomara "emprestado" da coleção de seu pai, lá em Hongari, e fez um movimento veloz com a mão direita. O homem não viu o que aconteceu. Apenas sentiu um pequeno arder no pescoço. Ao colocar a mão e olhar os dedos, viu o sangue escorrendo. Torv tirou a máscara. Olhou profundamente para os olhos do homem.

    "Nunca mais terá pesadelos."

    Os olhos do homem se travaram nos de Torv. Um juramento de vingança ficou entalado na garganta. Ainda com os olhos abertos, sua luz se apagou. As pernas ficaram moles, o corpo escorregou. Torv moveu-se para trás, soltando a espada do seu corpo, deixando o braço tombar.

    Como orientado, deixou sobre o corpo do homem uma folha de pergaminho, enrolado, selado com cera preta. Ao abrirem, encontrariam o símbolo da Guilda dos Pequenos Assassinos.

    Torv passara no teste. Limpando o sangue da adaga na língua, Torv recoloca a máscara. Aquele homem fora o primeiro valkariano a ver seu rosto. E o último. Tão silencioso quanto entrou, Torv deixa a casa pela mesma janela que entrou, trancando-a novamente.

    Que a milícia de Valkaria se virasse para explicar um assassinato numa casa completamente trancada e sem sinais de arrombamento. A ele, só interessava ter conseguido o que queria.

    Sua deusa seria libertada. E ele agora estava um passo mais perto de conseguir isso.
    Roseraplo and Joshua like this.
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