Tony G Quer Processar a AGCC Por Negligência no Caso Full Tilt

Por: 12/10/2011

Para Tony G, a AGCC já sabia dos problemas com os fundos dos jogadores mesmo antes da Black Friday, e deve ser responsabilizada por não tomar providências.

“Acredito que eles já sabiam há muito tempo. Não havia segurança para o dinheiro dos jogadores, eles esconderam o fato junto com seus auditores por anos, se beneficiando em troca. Nós informamos na época, e eles sabiam,” disse Tony G.

Jon Sykes, CEO da consultoria de jogos Vont Limited, de propriedade de Tony G, confirma a informação, dizendo que não havia nos termos e condições do Full Tilt uma cláusula de segurança sobre o dinheiro dos jogadores, o que era contra as regras da AGCC.

“Isso foi questionado e eles sabiam em dezembro de 2010 que o FTP estava violando regras,” diz Sykes. Ele acredita que esta cláusula só foi adicionada depois por causa de seu contato com a AGCC e as investigações subsequentes.

Tony G completa: “Certamente uma violação das regras como essa por um período de tempo tão longo antes da omissão ser apontada por Sykes para a AGCC no fim de 2010 deve ter iniciado uma revisão completa do operador e de sua posição financeira, o que levanta a questão: por quanto tempo eles sabiam da situação financeira precária antes de finalmente puxar o plugue seguindo as ações do DOJ (Departamento de Justiça)? Nós queremos provar que eles têm responsabilidade, estamos indo atrás deles.”

Dias antes das declarações de Tony G e Jon Sykes, o CEO da AGCC, André Wilsenach, disse que não havia indicações anteriores de que o Full Tilt tinha qualquer tipo de problemas.

“Não tínhamos sinais do nosso licenciado de que qualquer evento havia ocorrido, e tudo indicava que eles tinham os fundos e eram sólidos. Foi só depois de iniciar as investigações que descobrimos que o DOJ já estava congelando fundos há dois ou três anos, sem que nenhuma informação fosse disponibilizada por eles ou pelo Full Tilt, e isso colocou o FTP diretamente em violação com nossos termos de licença.”

“É uma grande vergonha que as autoridades dos EUA não tenham nos informado disso antes. Se soubéssemos que o Full Tilt estava nessa situação, e que providências já haviam sido tomadas nos últimos três anos, poderíamos ter feito algo mais cedo.”

Wilsenach diz ainda que, mesmo que os jogadores ainda tivessem grande interesse em continuar jogando no Full Tilt, a AGCC tinha por obrigação suspender o funcionamento do site, mas que espera que a empresa seja vendida e diz que caso isso aconteça, a licença poderá ser renovada.

“Espero do fundo do meu coração que a empresa seja vendida, e que os jogadores recebam seu dinheiro de volta. Nós já dissemos no começo que se isso acontecer poderemos trabalhar com esta nova entidade.”

Por fim, ele disse que não acredita que o que aconteceu no Full Tilt foi um “esquema Ponzi”, mas não entra em detalhes sobre os motivos de sua opinião. Em entrevista recente ao MaisEV, o ex-profissional brasileiro Felipe Mojave também descartou a possibildade do esquema Ponzi ter ocorrido, atribuindo os problemas a “incompetência” da direção do site.

“Não acho que foi um esquema Ponzi. Esta é uma descrição muito emocional, que pode ser usada para atrair a atenção de muitas pessoas. Se esse foi o motivo do DOJ usar estes termos, eu não posso dizer.”

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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