Thiago “Decano” Nishijima

Por: 14/03/2014

Decano já venceu um evento da WOSP e os principais torneios online. Finalista de eventos como WPT e EPT, ele é um dos jogadores mais experientes do Brasil.

Thiago Nishijima é um dos jogadores de torneios mais bem sucedidos do país. Seu apelido, “TheDecano”, foi inspirado na personagem de Silvester Stallone no filme Shade – Os bastidores do jogo. O filme mostra o underground do poker em Las Vegas, e a personagem de Stallone é uma das figuras mais imponentes do filme. Imponência que Thiago demonstra às mesas de poker.

Conheceu o jogo através de um amigo, em 2006, e foi paixão à primeira vista. Após ler um pouco sobre, ariscou um depósito em uma sala online e logo no primeiro dia viu seus US$ 100 virarem US$ 300. E perder tudo no dia seguinte. Mas ele já estava fisgado.

Com uma carreira estável no Banco do Brasil, Thiago adotou uma postura agressiva: abriu mão da estabilidade profissional para concentrar-se em virar um jogador de sucesso. E o movimento foi certeiro. Já com uma boa soma na sua conta na rede Ongame, onde dominava os sit’n go’s de diversos stakes, ele pôde realizar um dos sonhos de vários jogadores de poker: conhecer Las Vegas.

A migração para os torneios foi algo natural. Thiago jogava torneios online e participava de torneios ao vivo. Nessa época já era uma figura conhecida em torneios de menor expressão nacional, mas o grande resultado viria já em 2008: a terceira posição no Main Event do EPT Barcelona rendeu pouco mais de US$ 175 mil. Em 2009, o título em uma etapa do EPT Monte Carlo, com o prêmio de US$ 102 mil, o colocou nos holofotes das mídias mundiais. E no online a carreira também ia bem com a conquista do Evento 16 do WCOOP do PokerStars, onde faturou US$ 249 mil. Até hoje esse é o resultado que ele guarda com mais carinho, já que a terceira posição no Evento #45 da WSOP em 2010 o incomoda um pouco pelo fato de não ter vencido o torneio.

No total já são quase US$ 1 milhão faturado em torneios ao vivo e mais de US$ 3,7 milhões no online, números para poucos.

Conhecido pela sua timidez, Decano não é patrocinado por nenhuma sala, como seria de se imaginar: “Já recusei algumas propostas, tive boas oportunidades, mas nada próximo do que almejava. Se não for um projeto que eu acredite, prefiro ficar sem. Há toda a responsabilidade envolvendo a marca, não é só jogar o logo na camiseta; tem que abraçar a ideia, se dedicar muito”, e complementa ao achar que os jogadores brasileiros são pouco valorizados: “Os gringos tem uma valorização maior. Claro que a economia mais forte deles ajuda, porém, muito brasileiro aceita migalha só pra dizer que é patrocinado. Quando alguém aceita muito pouco, como outro jogador pode pleitear algo maior? Já vi site patrocinando jogador sem o menor critério, projetos ruins para eles mesmos, mas muitos acabam aceitando o acordo por questão de status, pra preencher o ego. O principal problema do poker é que ele mexe com duas coisas bem complicadas: dinheiro e ego. E tem gente que não convive bem com isso”.

Decano vive no paradisíaco Balneário Camboriú, em Santa Catarina, um dos luxos acessíveis graças à profissão de jogador de poker, que não precisa ficar atado em um só lugar: “Não tenho escritório, reunião, local de trabalho. Só o poker permite isso”.

Com um controle de banca admirável, Thiago enxerga seus lucros como fluxo de caixa, e não como patrimônio. Boa parte ele investiu em imóveis e em novos jogadores. Promessas que buscarão ser alguém tão bem sucedido quanto Thiago Decano.


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