Antonio Esfandiari

Por: 08/01/2014

Antonio Esfandiari

Talvez por ter presenciado os horrores de uma guerra, Antonio Esfandiari é alguém que sabe aproveitar a vida.

Nascido em 1978 no Teerã, capital do Irã, com o nome de Amir Esfandiari, sua infância foi marcada pela guerra Irã-Iraque, que durou praticamente toda a década de 1980. “Tínhamos que nos esconder no porão de onde morávamos por causa dos bombardeios” relembra Antonio.

Seu pai, um empresário bem sucedido, era dono de quatro negócios distintos no Irã. Uma das consequências da guerra foi a ruína financeira sofrida por sua família: “Poderíamos ter sido multi-milionários, mas quando meu pai decidiu ir trabalhar nos Estados Unidos, o valor da moeda iraniana era tão baixo que nem levemente ricos éramos”.

Mesmo com aulas de inglês durante sua infância no Teerã, a chegada a San Jose, Califórnia, em 1988, mostrou a difícil adaptação ao idioma: “Quando cheguei aos Estados Unidos, a única palavra que sabia era ‘hello’; levou seis meses para eu conseguir me virar na língua”.

Aluno exemplar, sua adolescência foi marcada por uma de suas marcas esfandiari girlsregistradas: festas. Após uma briga com o pai, Antonio saiu de casa aos 17 anos, e nunca mais voltou. Depois uma pequena temporada na casa de um amigo, ele alugou um apartamento, e logo depois já comprava seu próprio imóvel, trabalhando como garçom: “Sempre ganhei bem trabalhando como garçom, ganhava toneladas de gorjetas. Quando tive meu próprio lugar, toda sexta-feira tinha festa lá em casa. E quanto mais festa eu fazia, pior ficavam as minhas notas”, diverte-se com a memória de outros tempos.

O poker entrou na sua vida aos 20 anos, quando um colega de apartamento lhe  apresentou o jogo. Sem idade para participar do torneio que o amigo iria participar, Antonio mostrou uma sensibilidade que certamente iria lhe ajudar a ser um jogador de poker bem sucedido: “Decidi ir lá e entrar como se eu fosse o ‘dono do ambiente’. Deu certo e acabei ganhando o torneio.” Seu amigo, ao ver o interesse de Antonio pelo jogo, decidiu lhe mostrar livros sobre poker. Winning Low Limit Hold’em, de Lee Jones, foi o primeiro que o jogador leu, e disse ter se sentido “fora da Matrix” após a leitura.

Mas ele ainda era um garçom, não um profissional de poker. Na verdade, Antonio já era um mágico profissional. Aos 18 anos, após ver um barman realizar alguns truques de mágica e deixar todos à volta embasbacados- inclusive Antonio- ele se dirigiu a uma loja de mágicas e explicou ao vendedor alguns truques que tinha presenciado. No que o vendedor informou que Antonio poderia fazer mágicas iguais, nascia sua grande paixão, o nome Amir ficava para trás (Amir” The Magician” não era tão misterioso quanto Antonio “The Magician”, segundo o próprio) e ele se tornaria oficialmente Antonio “The Magician” Esfandiari.

“Fiquei fascinado por mágicas e estudava muito, coisa de 12 horas por dia. Enquanto atendia meus clientes como garçom, fazia alguns truques e deixava um cartão. Além de eu ganhar ainda mais gorjetas, comecei a ser chamado para apresentações em eventos. Era um período econômico muito bom, com a explosão de empresas no Sillicon Valley, e eu ganhava muito dinheiro”.

Antonio EsfandiariApós alguns anos de sucesso como mágico, o declínio da economia fez seu negócio encolher, enquanto ao mesmo tempo ele ganhava cada vez mais dinheiro com o poker. Foi aí que surgiu sua profissionalização.

Em 2004 ele conquistava seu primeiro bracelete da WSOP e seu primeiro milhão com o título do WPT Poker Classic. Em 2007, Esfandiari já era uma celebridade, e estrelou o programa I Bet You, em um canala a cabo americano, no qual fazia apostas insanas com o seu amigo Phil Laak, o jogador de poker também conhecido como “Unabomber”.

Mas o grande momento de Esfandiari ocorreu em 2012, com a conquista do maior prêmio do poker. O Big One for One Drop foi um dos eventos da WSOP daquele ano, e teve o singelo buy-in de US$ 1 milhão. 48 jogadores pagaram a entrada, um field pequeno, porém duríssimo, com as presenças de Phil Ivey, Sam Trickett, Brian Rast, Phil Galfond, Bertrand Grospellier, entre outros. O título valeu a Antonio o maior prêmio da história do poker: US$ 18.346.673,00.

Obviamente, Antonio não pagou o buy-in integralmente, e a porcentagem ganha por ele permanece um mistério. E se ele já gostava de festas, é de imaginar a comemoração épica que ocorreu após a conquista.

Com três braceletes da WSOP e dois títulos do WPT, além de quase US$ 21 milhões ganhos durante a carreira, Antonio Esfandiari é uma das figuras mais simpáticas do circuito. Alegre, divertido, fã de uma boa aposta, ele ainda empresta seu carisma às transmissões de poker da ESPN americana como comentarista, provando que além de tudo isso, ainda tem uma visão técnica bem aguçada.

Se a vida é mesmo curta, como Antonio adora mencionar, seu estilo de vida busca viver 10 mil vidas em uma. Nada mal para quem viu com os próprios olhos o terror de uma guerra.


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