Marco Naccarato Fala Sobre Seu Livro “Floating in Vegas”

Por: 09/10/2012

Quando surgiu a ideia de escrever o livro?

Bem, eu nem imaginava que um dia iria para Vegas, e em 2010 pintou essa oportunidade nas férias, então conversei com o Saito, meu amigo e sócio, e fizemos umas contas pra ir pra lá. Eu peguei meu BR, troquei em dólar e fomos, foi ótimo, tirei uma grana, joguei pacas, tudo rolou bem.

Na volta, todo mundo me perguntava sobre a cidade, sobre os torneios, o nível dos jogadores, enfim. Percebi que tinha muita gente a fim de saber como as coisas rolavam por lá. Eu queria escrever um livro, mas não tinha ainda um assunto que me chamasse atenção, aí foi unir o útil ao agradável.

Então foi intencional escrever o livro como um guia para quem quer jogar em Vegas.

É, acho que hoje ele tem essa função também, mas no início a ideia do livro era falar apenas sobre a viagem de 2010.

O que rolou foi o seguinte, eu sentava toda noite na frente do computador e vomitava o texto. Na ideia original, cada capítulo seria um cassino, e eu iria mesclar a descrição do lugar e do torneio com minha visão sobre o jogo.

Eu consegui seguir assim por 3 meses, mas tava difícil conciliar tudo, empresa, tempo livre, torneios e ainda o livro, e aí dei uma parada por alguns meses.

Mas no final de 2010, conversei com o Saito pra voltarmos pra lá, e aí me empolguei de novo e recomecei a escrever a tempo de finalizar antes da 2ª viagem, e foi em vão, porque na 2ª viagem o livro não tava nem na metade.

Após a 2ª viagem eu já tinha mais claro a estrutura do livro, juntando as duas viagens pra poder mostrar mais do poker na cidade. Mudei o formato, e juntei alguns capítulos, mas senti obrigação em colocar um tutorial das regras do hold’em, colocar essas notas explicativas nas páginas e também descrever como fiz pra ir pra lá.

No total, quanto tempo levou para completar o livro?

Desde maio de 2010 até maio de 2012. Claro que houve pausas nesse período.

E porque decidiu publicar o livro independente de editoras?

O que me motivou a escrever foi a possibilidade não só de contar aos outros e dividir a experiência, mas também poder aprender enquanto eu fazia os relatos.

Na medida em que eu verbalizava a coisa toda, eu tomava consciência de certos aspectos do jogo e de sua teoria, de forma q eu aprendi enquanto escrevia e pesquisava alguns conceitos.

Mas o fato principal que me fez lançar de forma independente está no lance de poder usar a linguagem que eu queria e tentar fazer as coisas no meu tempo. Se eu mandasse para uma editora, poderia estar sujeito a cortes ou concessões que eu não estava disposto a fazer, porque acredito que a ideia original poderia se perder nesse caminho.

Eu acho que o livro é autêntico, e isso que deve chamar a atenção de quem lê. Acredito que coisas feitas com originalidade e qualidade têm resultados bons.

Então você nem chegou a procurar uma editora?

Não procurei, sei também que as editoras tem um tempo meio longo pra avaliar, e como tenho experiência no ramo gráfico, eu tinha tudo na mão pra poder fazer sozinho.

Falando nisso, você não é jogador profissional?

Sou amador. Me dedico bastante ao poker, mas nas minhas horas vagas. Sou jogador de small stakes ao vivo, e online só jogo micro limits.

Às vezes arrisco algo maior, mas o tempo q tenho livre não permite jogar torneios maiores e com buy- in mais caro.

Você costuma disputar os circuitos nacionais?

Não. Joguei duas vezes o second chance do CPH, fiz mesa final, mas não entrei na grana. Fora isso, disputo alguns torneios do Open Poker Paulistano. Jogo às vezes no No Limit, um clube na Vila Madalena, e toda terça jogo o AdT, o torneio q organizo.

E nunca jogou o BSOP?

Curioso né, joguei WSOP duas vezes e nunca pisei no BSOP. É porque nas férias aproveito e vou pra Vegas, bem na época da WSOP, e levanto a grana lá pra disputar a Série.

Na verdade a história do livro é um pouco isso, de como fiz pra levantar a grana pra jogar a Série. Nesse ano também estive lá, mas isso não está no livro.

Por que nunca jogou o BSOP?

Acho que é por conta do tempo e do buy-in. Tenho uma empresa, que tem 10 anos, meu trampo é aqui, isso me toma tempo. Eu jogo quando tenho tempo livre, pra jogar uma etapa do BSOP, eu preciso armar um esquema no trampo, na família… No final de semana eu aproveito pra tomar conta da vida pessoal.

Mas pretendo tentar alguma etapa no ano que vem.

E vai continuar disputando o WSOP?

Sempre que for possível.

Então pretende atualizar o livro com novos relatos?

Isso é um ponto interessante. Eu decidi lançar o livro com 3 viagens porque a cada vez que eu ia, voltava com mais conteúdo pra colocar, e assim eu não iria acabar o livro nunca.

Então, dependendo de como rolar o ciclo todo do livro, tenho conteúdo pra fazer uma 4ª parte. O interessante de Vegas é que a cada ano o cenário muda, e tem sempre muita coisa pra contar.

Até agora, como está a aceitação do livro?

Quando eu estava escrevendo, passei pra alguns amigos lerem alguns capítulos e todo mundo estava gostando muito, uns mais da narrativa mesmo e outros mais dos aspectos do jogo, e quando o livro ficou pronto e comecei a vender no AdT e para os conhecidos, o pessoal deu um retorno muito positivo sobre o livro

Mas você sabe, é gente muito próxima, que me conhece. Então quando comecei a divulgação algumas pessoas do meio começaram a elogiar, até que de surpresa pintou a crítica do Sérgio Prado.

Eu fiquei muito satisfeito pelos comentários dele, é como um respaldo muito positivo pelo trabalho todo. Muita gente me mandou email elogiando.

Mas ainda espero que mais pessoas tomem contato com o livro, e estou aberto à críticas.

Acho que quanto mais gente tomar contato com o poker é melhor, ajuda a tirar esse lance de jogo de azar e vício de vagabundo, esse estereótipo irrita.

Então quanto mais o poker penetrar na sociedade é melhor, e eu acho que nesse sentido o livro pode ser uma contribuição pra isso, embora o relato não seja tão certinho, eu bebo mesmo, jogo e fumo e tá tudo no livro.

É até um pouco daquela ideia batida do “ambiente enfumaçado, cheio de caras mal encarados jogando cartas”, mas não me importo.

É um estudo, um relato, uma forma de popularizar no sentido de tornar mais público, de conhecimento geral.

A grande maioria dos livros é de caras muito bem sucedidos no poker. O cara vira campeão e tal, publica, dá umas dicas, mostra algumas coisas interessantes, mas a grande maioria dos jogadores e caras que vão comprar os livros são os amadores, um monte de gente que curte muito o jogo, e não se vê nada representativo desses caras.

O jogador recreativo procura por respostas das mais variadas, quando está no começo e tem muita vontade de aprender sobre teoria. Aí ele compra o “livro verde do poker” e nas primeiras páginas tá escrito: Poker é para os fortes, se você não quer ganhar dinheiro com poker, esse livro não é pra você”.  Vá se ferrar né?

Poker é pra todos, se você se aplicar, praticar muito e tiver dedicação, seu jogo melhora. Todo mundo gosta de aprender, isso é motivação. Se você vai virar ou não profissional, aí já é outra história.

 

Se você quiser conhecer mais sobre o livro Floating in Vegas, ele pode ser encontrado na Loja MaisEV!

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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