“O Que Me Interessa é o Dinheiro,” Diz Dominik Nitsche em Entrevista Exclusiva

Por: 02/09/2014

Em entrevista exclusiva ao MaisEV, o craque alemão Dominik Nitsche relembrou momentos marcantes da sua carreira como seu primeiro torneio ao vivo e falou de seus objetivos e motivações no poker.

Confira isso e mais abaixo na entrevista com Dominik Nitsche:

 

Eu o conheci quando você venceu o LAPT Mar del Plata em 2009. Na época, você era um garoto bastante tímido, introvertido, que acabou de vencer seu primeiro torneio de poker (e o primeiro torneio que jogou) e mal conseguia posar para a foto de campeão. O que mudou desde então?

Muitas coisas! Primeiro, eu era muito novo na época, quase não tinha saído da minha cidade natal e passava a maior parte do meu tempo livre jogando poker online (bem, acho que isso não mudou muito). Mas foi algo muito surreal pra mim, estar jogando ao vivo o jogo que jogava todo dia na internet, com pessoas ao meu redor torcendo por mim ou meus oponentes. Isso tudo tem uma sensação muito diferente.

Relembre: Dominik Nitsche derrota Jorge Landazuri no heads-up do LAPT Mar del Plata

Eu costumava pensar que poker é mais como um vídeo game onde você está sempre tentando se movimentar para “vencer o jogo” e avançar para o próximo jogo. Minha experiência na Argentina me fez pensar mais no poker como um esporte. Com certeza foi uma experiência que mudou minha vida.

Depois disso minha vida mudou bastante, eu já sabia que era bom o suficiente no poker para chegar lá, mas isso me deu a confiança e o bankroll para provar.

Naquele torneio, você derrotou no heads-up outro jogador de 19 anos, e vocês dois superaram um field de jogadores mais experientes. Como se sentiu com esse fato? Acha que isso reflete o estado do poker atualmente?

Posso dizer honestamente que pra mim foi fácil. Na época eu jogava torneios highstakes online, e os jogadores que enfrentava diariamente eram muito mais fortes dos que aqueles na Argentina, e a razão é bastante simples. O boom do poker ainda não tinha chegado na Argentina/América do Sul e todos ainda estavam atrás dos americanos.

Mas muita coisa mudou desde aquela época e agora tem jogadores incríveis na América Latina e até os jogadores medianos são muito mais fortes do que naquela época. Meu adversário, Jorge, chegou lá em um freeroll e eu fiquei muito feliz por ele ter chegado longe. Ele jogou muito bem e mostrou ter bastante talento.

Dominik Nitsche

 Dominik Nitsche em sua primeira vitória, em 2009

Como você conheceu o poker?

Como qualquer outro garoto. Vi o jogo na TV, quis tentar. Jogava sit and gos de €1 com meus amigos e freerolls no PokerStars e PartyPoker. Por sorte, consegui construir um bankroll a partir daí.

2014 está sendo um ótimo ano para você, com dois braceletes na WSOP. Você também quebrou o recorde que era de Phil Ivey, de ser o jogador mais novo a conquistar três braceletes. O que te motiva no poker? É o número de braceletes, recordes e troféus ou apenas o dinheiro?

Antes de qualquer coisa, o que me motiva é o dinheiro. Isso e a liberdade que vem junto. Posso ir para praticamente qualquer lugar no mundo e justificar dizendo “vou jogar poker enquanto estiver lá”. Eu fiz uma longa viagem na Austrália no ano passado e adorei. Também amo o fato de você poder viver praticamente em qualquer lugar no mundo. Sou muito grato pela sorte que tive na minha carreira até agora.

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Falando sobre recordes, você já tem vitórias em WSOP e WPT, faltando apenas no EPT para ser um dos poucos jogadores com a Tríplice Coroa. Você diria que este é um dos seus objetivos no poker?

Com certeza! Mas como eu gosto de dizer, vencer o próximo torneio é sempre meu objetivo. Isso não significa que será um evento do EPT, WPT ou WSOP. Tudo o que quero é mostrar meu melhor jogo e, com sorte, voltar pra casa com um cheque gordo e um novo troféu. Mas não sou muito ligado em troféus, meu objetivo primário é ganhar o máximo de dinheiro que eu conseguir.

Ainda assim, ainda acho muito legal ter quebrado o recorde de Phil Ivey. E ser o único alemão a vencer 3 braceletes!

Além de ser um ótimo jogador de torneios ao vivo, você também já ganhou mais de US$ 3 milhões online. Como você compara seu jogo ao vivo e online?

Essa é uma boa pergunta. Meus resultados diriam que prefiro jogar ao vivo, mas a variância no poker é muito grande e eu poderia ter conquistado 3 braceletes do WCOOP ao invés de WSOP. Eu gosto de jogar das duas formas e acho que sou igualmente forte online ou ao vivo.

Eu geralmente prefiro jogar online, mas não há nada tão divertido quanto chegar longe em um grande torneio ao vivo. Então eu respondo que gosto de misturar os dois pra manter minha mente sempre ativa!

A Alemanha tem outros grandes jogadores de poker como Philipp Gruissem, Ole Schemion e Marvin Rettenmaier, apenas para citar alguns. Como você vê o cenário do poker no país?

Sendo curto e grosso, nós somos os melhores! Mas falando honestamente, nós temos vários jogadores incríveis, mas eu não diria que somos especiais. A Alemanha é simplesmente um dos maiores países do mundo. Sendo assim, nós deveríamos realmente ter alguns dos melhores jogadores do mundo.

Some a isso o fato de que as pessoas podem jogar online na Alemanha e tudo faz sentido. Sem o poker online as pessoas caem fora da curva e são ultrapassadas pelos novos jogadores. Veja os americanos, por exemplo, que costumavam ser considerados os melhores jogadores de poker em um jogo que está sempre em evolução. Agora é divertido ver se meus compatriotas podem acompanha-los. Eu com certeza espero que sim!

 

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Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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