Entrevista – Felipe “Billy”

Por: 04/02/2009

Felipe: Moro atualmente em Sorocaba, sou Analista de Sistemas em um banco de pequeno porte, jogo nl100.

Danilo Telles: Há quanto tempo você joga poker? Seu início foi difícil? Como você construiu o seu bankroll?

Felipe: Poker sempre esteve presente na minha vida. Eu tinha 6 anos e já olhava meu pai jogar com os amigos. Por isso, minha história é um pouco diferente das dos demais jogadores regulares. Aos 15 anos comecei a jogar regularmente com um grupo de amigos e isso começou a crescer bastante. Aos 21 anos comecei a ver coisas sobre o Texas Holdem, devido ao Boom Chris Moneymaker (jogador profissional do PokerStars), eu não tinha orkut na época e criei uma apenas para procurar coisas sobre poker. Achei uma comunidade e nela o Brasa avisa que iria ter um campeonato em Campinas (foi o primeiro torneio do que seria o futuro CPH), eu era meio xarope na época e fui com mais 2 amigos, um deles ficou em segundo e o Brasa faturou. Dai vi que o jogo era totalmente outro mas eu já me considerava um ótimo jogador (lol demais). Na terça seguinte, através da mesma comunidade do orkut, eu fui em um torneio em SP e faturei, nele conheci vários dos grandes jogadores de MTT da atualidade e que eram donkeys como eu, tinha um ou dois jogadores que tinham uma boa noção de pot odds.

Eu fui bem vencedor em MTT e cash live uma boa época e jogava muito mal online, tiltava muito fácil. Em 2006 meu filho nasceu e resolvi abandonar de vez o mundo do poker live. Eu já tinha um bom BR devido aos MTT e no meio do ano eu acertei 2 torneios seguidos no PS. Quando resolvi migrar pro cash eu ja tinha BR para isso. Fui para a NL25, sofri demais, vi que eu não sabia nada disso e que tava perdido. Como eu tinha um filho pequeno, minha evolução foi um pouco mais lenta que o comum. Conheci o MaisEV logo na primeira semana e não sai mais do fórum, ai sim evolui muito como jogador, aprendi muito, mas muito mesmo.

Danilo Telles: Você se considera um jogador tight ou loose? Quão agressivo?

Felipe: Loose, por natureza, devido a donkisse que é o 5Draw no Brasil. Mas já fui bem pior. Hoje consigo me adaptar as mesas sem problemas. Jogo 16/13 ou 24/20. Meus stats padrão estão em 20/17 na nl100.

Danilo Telles: Quais são as suas maiores qualidades no game?

Felipe: Ser sangue-frio. Mas isso pode acarretar em defeitos…

Danilo Telles: Qual foi o seu melhor resultado jogando poker?

Felipe: No mesmo dia eu ganhei o torneio de 22$ de heads-up do PS e fiquei em segundo em um regular de 11$ com 1500 pessoas.

Danilo Telles: Você já teve um mês “down” no poker? Como foi essa experiência?

Felipe: Não muitos, mas tive vário no zero a zero. Consegui absorver bem e aprendi com os problemas e erros.

Danilo Telles: Como é a sua rotina atualmente?

Felipe: Corrida, eu tenho um trabalho primário e entro as 7h nele e saio as 16h30. Chego em casa perto das 18h, fico com meu filho sempre até as 20h.

Danilo Telles: E a sua família te apoia no poker?

Felipe: Sim, apoia. No passado minha mãe fez vista grossa algumas vezes. Meu pai sempre apoiou, mas pode ter ficado com pé atrás quando isso passou de diversão para algo mais sério. Mas hoje são de boa. Minha esposa me apoia 100%, não importa o que acontece. Eu só evito falar um pouco na família dela, pois não sei se eles entenderiam tudo isso e a complexidade da ‘máquina’.

Danilo Telles: Qual(is) jogador(es) estrangeiros você admira e por quê? E brasileiros?

Felipe: Não ligo para jogadores gringos, nunca fui de ler notícias sobre Highstakes players. Brasileiros eu posso citar o alguns, mas seria injusto ainda mais porque a maioria deles são meus amigos. Então fica todos os HS players do MaisEV.

Danilo Telles: Você já leu livros sobre poker? Quais lhe trouxeram mais benefícios?

Felipe: Juro que tentei, mas não consegui ler nenhum até o fim. Não enxergo os benefícios de livro comparado a um vídeo ou a um coach particular.

Danilo Telles: Você usa algum software de poker? Se sim, qual?

Felipe: Vários mesmo. Uso alguns scripts ahk, porém customizados as minhas necessidades, SpadeEye quando jogo no Full Tilt e Holdem Manager. Além do Ultra Monitor para ajustar as mesas em multiplos monitores e alguns outros para customização do windows.

Danilo Telles: Você jogou um tempo de Heads-UP. Como foi? Você diria que essa experiência evoluiu seu jogo?

Felipe: Eu foquei cerca de 3 a 4 meses exclusivamente em HU. Tudo começou pq eu fui para a rede ipoker com 50% de RB e o field de 6max era muito NIT. Resolvi jogar HU e vi que a rentabilidade + RB compensavam. Comecei a estudar muito, vi todos os vídeos do DC e me dei muito bem. Joguei até nl100, no move up para nl200 eu abortei e tive que vender todo meu BR pela compra da casa. Até recebi propostas de stakes ou empréstimos, mas achei melhor não. Nunca joguei assim e tenho medo disso. Aprendi muito com HU, aprendi como usar a agressividade, apurei muito minhas leituras e fiquei cada vez mais sangue-frio e com coragem. Fatores essênciais em um HU match. O problema é que muita gente não respeita o BR managment em HU. NUNCA jogue HU com pouco BR, nunca mesmo. 10 BIs down não é nada, nada mesmo.

Danilo Telles: Na sua opinião, a partir de que limite um jogador deveria começar a estudar e jogar heads-up? Que conhecimentos são necessários para isso?

Felipe: O limite pode ser qualquer 1, nl10 para cima é ok. Sempre respeitando o BR managment. Acho dificil um jogador começar direto em HU, alguns fatores precisam ser bem claros para o jogador. Como ranges, odds, implied odds e controle emocional.

Danilo Telles: Se você tivesse que dar um único conselho para um iniciante, qual seria?

Felipe: Estude muito, não pense em dinheiro no primeiro momento. A complexidade do jogo é muito grande e sempre terá o que aprender, acredite nisso.

Danilo Telles: Se você tivesse que começar hoje do zero a sua carreira, com um bankroll de $150 dólares, como o faria? O que jogaria e em o que investiria? E se o bankroll fosse de $1000 dólares?

Felipe: Sabendo o que sei hoje, com 150$ eu faria um promo com alguém de confiança e ganharia uma licença do Holdem Manager. Jogaria NL10 com 4 mesas até ter um BR de 500$, ai ficaria na NL25 até juntar 1.2k +/- e ai iria para NL50 e respeitaria o BR Managment.

Danilo Telles: Qual é o jeito mais rápido de aprender a jogar poker?

Felipe: O coach evolui a pessoa muito rápido. Com coach você aprende em 1 mês o que aprenderia em 6 meses +/-. Vídeos são muito bons também, e eu recomendo muito para quem não pode pagar um coach. Fazer sessions com amigos via skype é muito bom também, apenas 1 joga e o resto conversa. Tentem isso, vale a pena.

Danilo Telles: Você já fez alguma loucura com o dinheiro ganho jogando poker? Faria-a novamente? Como você gasta e administra as suas finanças atualmente?

Felipe: Estou usando todo meu lucro de cash game na minha nova casa. Estou amarradão com isso. Claro que faria de novo, mas não sei se podemos considerar uma loucura né? Sou um bom administrador de dinheiro, mas já tive vários problemas no passado com isso. Sem administração financeira, a pessoa não sai do lugar nunca.

Danilo Telles: O que você pretende fazer daqui pra frente na sua carreira de jogador de poker? Onde você se vê daqui a 3 anos?

Felipe: Sempre me contentei na NL100, esse mês decidi que quero mais que isso e quero evoluir como jogador. Já procurei um jogador Top do MaisEV para ser meu coach nesse jornada. Então pretendo ir para NL200 ou NL400. Daqui 3 anos tem muito ainda, dificil eu me ver jogando NL1k+, fora que nem sabemos o que ocorrerá com o poker daqui 3 anos né?

Danilo Telles: Como você conheceu o MaisEV? E que parte(s) do MaisEV você mais gosta/freqüenta e porquê?

Felipe: Puts, isso eu não sei responder, sei que descobri no dia da inauguração. Eu acessava o fórum do Windelevel (93off) e não o Clube do Poker, pois no meu antigo trabalho era bloqueado. E como o MaisEV não era bloqueado por lá fiquei. Sorte minha! Devo muito ao MaisEV. Eu frequento todo o fórum, exceto MTT, SNG e Esportes.

Danilo Telles: Mande uma mensagem aos usuários do MaisEV.

Felipe: Saia da seção de Off Topic, go grind. Estude muito que terá frutos. O dinheiro está ai e é bem acessível. Boa sorte a todos.

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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