Entrevista Exclusiva Com David Carrión, Presidente do LAPT

Por: 16/02/2011

Danilo Telles: O evento inaugural do Latin American Poker Tour foi realizada no Rio de Janeiro, em 2008. Depois disso, só voltamos a ter uma etapa brasileira do LAPT no ano passado, em Florianópolis. O que aconteceu na época para que o LAPT deixasse de ser realizado no Brasil?

David Carrión: Bem, eu ainda não trabalhava no PokerStars na época, então não sei detalhes sobre isso. Mas posso te dizer que, quando o LAPT começou, tínhamos apenas três etapas naquela temporada, então nos concentramos em países onde era mais fácil realizar o evento. Hoje o poker cresceu muito no Brasil, muita coisa mudou nos últimos anos. Mas na época, era melhor para nós realizar o LAPT em países em que tínhamos maior facilidade para produzir o evento.

Danilo Telles: Mas houve algum problema específico no Rio de Janeiro?

David Carrión: Não sei se houve algum problema específico no Rio, mas eu sei que havia melhores oportunidades em outros países, com mais facilidade para nós, e não gostamos de perder oportunidades, então preferimos fazer o LAPT em outros países na época.

Danilo Telles: E o que mudou desde aquela época, que permitiu a volta do LAPT ao Brasil?

David Carrión: Bom, algumas coisas mudaram. Primeiro, a economia brasileira está indo muito bem. Segundo, agora há muitos eventos de poker no Brasil além do LAPT. Vocês tem o BSOP, o Circuito Paulista de Hold’em, todos esses torneios, então nós percebemos que há muitos jogadores de poker no Brasil, e agora podemos fazer um torneio do tamanho que gostaríamos. Outra coisa que mudou bastante é que nos últimos três anos, há muito mais jogadores latino-americanos, e na época do LAPT Rio, 60% dos jogadores eram americanos e canadenses. Aqueles jogadores agora tem muito mais escolhas para jogar nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Eles jogam o EPT, o NAPT, o WSOP, então é mais difícil esses jogadores virem para cá. Mas agora há jogadores suficientes na América Latina, que podem vir para o Brasil e jogar um grande evento.

Danilo Telles: Houve algum tipo de obstáculo legal para a volta do LAPT ao Brasil?

David Carrión: Não tivemos nenhum problema. No último um ano e meio muita coisa mudou na maneira como o poker é visto no Brasil. A legislação brasileira já entende que o poker não é um jogo de azar, como cassinos, blackjack e outros. Em muitos países há discussões sobre o poker ser ou não um jogo de habilidade. Além disso, há o reconhecimento do poker como esporte mental, e no Brasil há uma documentação muito forte de um antigo Ministro da Justiça, que depois de muitos estudos concluiu que o poker é definitivamente um jogo de habilidade. A Confederação Brasileira de Texas Hold’em tem representantes em mais da metade dos estados brasileiros, e isso legitima a atividade no país. Quando realizamos a etapa de Florianópolis, um juiz declarou que o evento estava totalmente dentro da legalidade. Sendo assim, acho que hoje não há mais nenhuma dúvida sobre a legalidade de torneios de poker. Está claro que os torneios de poker estão dentro da lei, e acho que todos podem ficar despreocupados quanto a isso. Temos aqui hoje o Secretário de Esportes de São Paulo, que disse que este é um evento oficialmente apoiado pelo governo da cidade, então a situação para torneios no Brasil está bastante favorável.

Danilo Telles: Sim, na coletiva de empresa, o Secretário de Esportes falou que foi o governo que convidou o PokerStars para realizar o LAPT aqui.

David Carrión: Foi isso mesmo. Nós estamos sempre procurando bons lugares para uma etapa do LAPT. Mas é diferente quando o Secretário de Esportes aparece e diz “ei, eu gostaria que vocês fizessem um torneio aqui,” e foi isso que aconteceu. E como podemos negar um convite como esse?

Danilo Telles: Qual é a importância do Brasil para o PokerStars?

David Carrión: O Brasil é um país muito importante. Afinal, tem uma população de 200 milhões de pessoas, é o maior país da América do Sul, podemos dizer com certeza que é o maior país da América Latina. É um país que nós vamos continuar apoiando. Nós tentaremos ajudar o máximo possível o mercado do poker ao vivo o Brasil.

Danilo Telles: Há algum tempo corre um boato de que o PokerStars planeja criar uma série de torneios no Brasil, supostamente chamada de Brazilian Poker Tour (BPT). O que pode nos dizer sobre isso?

David Carrión: Bem, nós estamos considerando fazer mais eventos ao vivo no Brasil. Neste momento não sabemos exatamente o que será feito. Sabemos que o Brazilian Series of Poker é muito forte, então se decidirmos fazer algo aqui além do LAPT, vamos pensar em algo que irá realmente complementar o mercado e agradar aos jogadores.

Danilo Telles: E quais são as chances disso se tornar realidade?

David Carrión: Eu diria que as chances do PokerStars fazer algo aqui, além do LAPT, no futuro próximo, são muito boas.

Danilo Telles: E quanto a outras etapas do LAPT no Brasil? O Brasil é agora uma parada obrigatória do LAPT?

David Carrión: Claro. A partir de agora, sempre haverá uma etapa do LAPT no Brasil. Vamos esperar para ver como a semana vai se desenrolar, mas creio que será um grande sucesso e que nós continuaremos a realizar etapas em São Paulo. Eu não sei se há mercado suficiente para que façamos duas etapas por ano no Brasil, mas é bastante possível, então também estamos considerando isso. Depende do que acontecer nesta semana, pois o LAPT não é apenas o evento principal, mas um festival de poker. Talvez o evento principal atinja a marca que esperamos, de 500 jogadores, o que seria incrível, e talvez tenhamos fields realmente grandes nos eventos menores, então dependendo do que acontecer nesta semana nós decidiremos o que fazer aqui no futuro.

Danilo Telles: Há alguma chance da etapa final desta temporada ser no Brasil?

David Carrión: Há uma grande chance da Grand Final ser aqui no Brasil. Há uma chance real, muito alta, da final ser realizada no Brasil.

Danilo Telles: Isso é uma ótima notícia.

David Carrión: Sim, eu concordo.

Danilo Telles: Qual é a sua opinião sobre os jogadores brasileiros?

David Carrión: Os jogadores brasileiros são conhecidos por serem bastante agressivos, que gostam de arriscar bastante nos torneios. O Brasil já tem muitos bons jogadores. Eu joguei alguns torneios aqui no Brasil ultimamente, e pude ver como eles jogam. Acredito que há bastante potencial nos jogadores brasileiros para atingir bons resultados no futuro, mais do que agora. Acho que se o LAPT vir ao Brasil duas vezes por ano, até mesmo uma vez, será uma excelente oportunidade para eles jogarem com um field mais forte, e assim se tornarem melhores. Na verdade, há tanta gente jogando que tem que haver bons jogadores entre eles. Os jogadores brasileiros tem um futuro brilhante.

Danilo Telles: Uma última pergunta. Nas etapas do LAPT vocês sempre trazem grandes jogadores que fazem parte do time de profissionais do PokerStars. Em Florianópolis, tivemos a presença de Joe Cada e Victor Ramdin, por exemplo. Mas muitos fãs aqui se perguntam se há chances de vir alguém ainda mais conhecido, como Daniel Negreanu ou Barry Greenstein.

David Carrión: Bem, se realizarmos a Grand Final aqui no Brasil, certamente traremos grandes jogadores. O problema com esses jogadores é a agenda deles, que é sempre cheia. Eles tem compromissos com muitos programas de televisão, torneios, etc. É por isso que criamos o time latino-americano de profissionais do PokerStars, para que eles possam trazer mais visibilidade ao mercado latino-americano. Com certeza nós traremos estes grandes jogadores para o Brasil, mas é difícil dizer quem será, e quando. Estamos tentando fazer isso acontecer, e eles querem vir, mas é apenas uma questão de conseguir um espaço na agenda para que eles venham.

Danilo Telles: David, muito obrigado por nos conceder um pouco do seu tempo, esperamos que o LAPT São Paulo seja um grande sucesso.

David Carrión: Obrigado, isso é o que queremos.

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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