Entrevista – Diego Nakama

Por: 04/03/2009

 

Diego Nakama: Bom, meu nome e Diego Nakama e tenho 25 anos. Sou curitibano de nascimento e atualmente moro em Florianópolis há 8 anos, onde estudei e atualmente estou no último ano do curso de administração na UFSC (após um ano e meio de cursar Ciencias Biológicas na mesma universidade e desistir), curso o qual está temporariamente trancado para me dedicar exclusivamente ao poker.

Danilo Telles: Há quanto tempo você joga poker? Seu início foi difícil? Como você construiu o seu bankroll?

Diego Nakama: Conheci o poker no final de 2005 quando comecei a jogar com uns amigos. Costumávamos nos reunir semanalmente na casa de algum de nós e jogávamos cash games de 10 reais ou valores parecidos. Foi quando comecei a realmente me interessar pelo jogo e resolvi começar a estudar. O primeiro livro que li foi o Theory of Poker do Sklansky e mais alguns. Uns 10 no máximo, no total. Mas isso foi só pra começar. Nunca mais li nenhum livro depois.

Em março de 2006 resolvi depositar 10 dolares no PokerStars e comecei a jogar torneios que eram praticamente freerolls (a minha paixão por mtts é de berço lol). Jogava todos todas as noites que podia 3 torneios de 10 centavos, com normalmente mais de 2000 jogadores. Fiquei assim durante meses e após uma mesa final ou outra, fui conseguindo jogar os sit&gos multi-tables de valor mínimo que eram de 1 dólar, onde o grande problema era o rake. Depois desses sngs, comecei a jogar os famosos sngs de 180 jogadores, onde o valor mínimo era de 4 dólares e fiquei ali um bom tempo, com alguns altos e baixos.

Mas como acontece com muita gente, tive o meu grande (e mais saboroso) dia de sorte. Eu havia ganho 50 dolares do Titan Poker. O BR management foi sempre o meu forte, mas por algum motivo eu não considerava esse dinheiro parte do meu BR. Foi quando, depois de uma noite de muita frustração jogando os sngs de 180 jogadores no PokerStars eu resolvi investir aqueles 50 dolares em um torneio de 10 dolares com rebuy. Ou seja, algo totalmente imprudente, mas no fundo eu não me sentia culpado. Lembro como se fosse ontem. Após algumas horas de jogo, tendo gasto apenas 20 dólares e batendo 132 oponentes, me sagrei campeão do torneio embolsando exatos 864 dolares. Foi o melhor dia da minha vida até então com o poker.

Depois disso passei todo o BR para o Stars, onde voltei para os sngs multitables. Foi lá (e com algumas premiações em torneios com fields maiores) que consegui formar um certo BR mais confortável para começar a jogar torneios com uma premiação um pouco melhor, mas dessa vez no Full Tilt Poker, que possuía (e ainda possui) uma gama excelente de torneios garantidos e o mais importante, com fields razoáveis. Os dois fatores mais importantes para o meu modesto sucesso até hoje com o poker foram, sem sombra de dúvidas, meu BR management e evitar fields com muitos jogadores.

Danilo Telles: Você se considera um jogador tight ou loose? Quão agressivo?

Diego Nakama: Essa é uma pergunta bastante relativa. Tudo depende. Em torneios existe algo que eu considero extremamente importante e crucial para o sucesso do jogador que é saber “mudar de marcha” (embora não seja igualmente importante nas outras modalidades de poker). No geral me considero um jogador bastante tight, pois se for para considerar o quão tight eu jogo um torneio, eu diria que 80% do tempo. Mas é praticamente impossível vencer um torneio apenas esperando por mãos boas. É até possível vencer assim um ou outro torneio, mas só é possível ser um bom jogador se você souber jogar “sem cartas”, especialmente nos estágios finais. Caso contrário acho praticamente impossível ser um jogador vencedor em mtts.

Danilo Telles: Quais são as suas maiores qualidades no game?

Diego Nakama: Acredito que sejam minha paciência, principalmente nos estágios iniciais de um torneio, que definitivamente pode ser bastante entediante para muitos (para mim por exemplo). É tudo muito automático no ínicio, então paciência é algo fundamental. Mas a minha maior qualidade acredito ainda ser o meu controle de bankroll. Sem ele eu não teria chegado nem perto de onde estou hoje, não tenho dúvidas disso.

Danilo Telles: Qual foi o seu melhor resultado jogando poker?

Diego Nakama: O meu melhor resultado foi um quinto lugar no Sunday Mulligan em Junho de 2008. Eu não costumo jogar torneios com premiações lá muito altas. E por incrível que pareça, apesar de eu me dedicar única e exclusivamente a torneios, não jogo muito aos domingos que é o melhor dia para se jogar devido ao número de torneios garantidos. Acredito que isso se deva à minha “formação” no jogo, onde sempre me foquei em torneios menores que me garantem resultados mais frequentes.

Danilo Telles: Você já teve um mês “down” no poker? Como foi essa experiência?

Diego Nakama: Sim, já tive sim. Isso é mais do que normal para quem dedica-se apenas a torneios. No entanto, a minha pior experiência foi em um mês que eu fiquei no azul na verdade. Em fevereiro de 2008 eu estava perdendo quase 1/3 do meu BR. Foi quando nos últimos dias do mês eu ganhei um torneio e fiquei em terceiro em outro no dia seguinte e terminei o mês no azul. Mas aquela sem sombra de dúvidas foi a minha pior experiência com o poker. E o fato de eu ter me recuperado daquela forma deveu-se ao fato de eu sempre respeitar meu BR. Mesmo perdendo quase 1/3 do BR no mês, não precisei baixar os limites que estava jogando, o que acarretou na volta por cima. BR é uma qualidade que todo jogador de poker deve ter.

Danilo Telles: Como é a sua rotina atualmente?

Diego Nakama: Tento acordar todo o dia as 8h. Estava fazendo academia mas detesto, definitivamente. Então comprei uma bike onde supostamente eu deveria pedalar todos os dias depois que acordo, o que obviamente não acontece, mas mesmo assim vou um dia ou outro.

Depois eu volto, tomo um banho e faço coisas relacionadas ao poker. Leio forums, revejo meus torneios, raramente assisto vídeos de treinamento. Escrevo artigos para o MaisEv e faço vídeos para a Universidade do Poker. Paro ao meio-dia, quando almoço e descanso até as 14h, quando começa meu primeiro torneio. E normalmente paro por volta de 23h, 0h, dependendo de ate onde eu vou nos torneios que estiver jogando. Essa é basicamente a rotina de segunda a quinta, com pequenas alterações claro. Sexta e sábado não jogo, e domingo estou tentando começar a jogar pois é dia santo praticamente para jogadores de torneios, mas pelo visto não sou tão religioso assim, lol.

Danilo Telles: Qual(is) jogador(es) estrangeiros você admira e por quê? E brasileiros?

Diego Nakama: É difícil dizer pois são muitos. No live eu diria Daniel Negreanu, pois a postura dele na mesa é algo exemplar. Sempre amigável e carismático. Além dele, sou muito fã do Mike Matusow, pois não existe jogador mais apaixonado pelo poker (principalmente quando se trata de torneios) do que ele que eu conheça, admiro demais isso nele (e o falatório dele não me incomoda nem um pouco, lol).

Já no online eu diria Westmenlo, definitivamente o melhor do mundo. Fazer o que ele faz em tão poucos torneios é inexplicável, embora eu tenha pouquíssima experiência com ele nas mesas. Já não digo o mesmo de Moorman. Ele é o jogador que tem um dos melhores “timings” do mundo na minha opinião (embora achar isso seja muito vago, mas tenho centenas de mãos contra ele que me garantem segurança em afirmar isso). É simplesmente impressionante como ele consegue enxergar a hora certa de fazer certos movimentos. O jogo dele em estágios avançados é impressionante, e ele sabe mudar de marcha muito bem. Estar na mesma mesa que ele, quando o mesmo possui um bom stack, em estágios finais de torneios não é dos melhores cenários.

Diego Nakama: Já no Brasil não conheço muitos pra ser bem sincero, mas um que admiro muito por seus resultados é o João Marcelo, o melhor do Brasil em torneios na internet na minha opinião. E também Akkari e Federal, os quais, embora não conheça muito bem, são excelentes jogadores e possuem ótimo caráter.

Danilo Telles: Você já leu livros sobre poker? Quais lhe trouxeram mais benefícios?

Diego Nakama: Sim, alguns como citei. Mas os que mais abriram minha mente foram os livros da série do Harrington. Vale muito a pena ainda hoje mesmo estando um pouco defasados. Mas um que me ajudou demais é um que poucos conhecem, do TJ Cloutier, Championship No Limit Holdem. Esse livro me abriu muito a cabeça e, mais uma vez, apesar de defasado, vale muito a pena pra quem está começando.

Danilo Telles: Você usa algum software de poker? Se sim, qual?

Diego Nakama: Sim o PokerTracker e PAHUD, apenas para me ajudar a manter um “olho” na mesa e como meus adversários estão jogando. Confesso que mal sei mexer nos programas. E uso muito o Universal Replayer Popopop pare rever meus torneios.

Danilo Telles: Se você tivesse que dar um único conselho para um iniciante, qual seria?

Diego Nakama: Tenha excelente controle de bankroll, estude muito e não seja results oriented.

Danilo Telles: Se você tivesse que começar hoje do zero a sua carreira, com um bankroll de $150 dólares, como o faria? O que jogaria e em o que investiria? E se o bankroll fosse de $1000 dólares?

Diego Nakama: 150 dolares eu provavelmente jogaria sngs mtt em que o buy-in representasse no máximo 1% do meu BR e evitaria completamente torneios com muitos jogadores. O mesmo com 1k.

Danilo Telles: Qual é o jeito mais rápido de aprender a jogar poker?

Diego Nakama: Pra quem realmente quer começar, acho que um livro é um bom começo. Em fóruns você demora um pouco pra começar a pegar a coisa através das discussões pois nelas o básico do básico já está intrínsico na discussão, logo fica difícil para quem está começando. Saber inglês é importante mas não ser muito bom na língua não é problema. Boa parte do inglês que sei falar hoje veio lendo livros de poker.

Danilo Telles: Você já fez alguma loucura com o dinheiro ganho jogando poker? Faria-a novamente? Como você gasta e administra as suas finanças atualmente?

Diego Nakama: Nunca, sempre guardei muito, pois nunca via aquilo como dinheiro, mas como um simples Bankroll. Eu sempre quis alcançar diferentes níveis de BR, então isso me obrigava a ficar sempre guardando. Hoje em dia retiro com freqüência já que atualmente é minha única fonte de renda por enquanto.

Para administrar minhas finanças uso uma planilha de Excel que peguei em algum fórum e fiz minhas próprias adaptações. Manter monitoramento dos números é importantíssimo.

Danilo Telles: O que você pretende fazer daqui pra frente na sua carreira de jogador de poker? Onde você se vê daqui a 3 anos?

Diego Nakama: Confesso que não sei. Estou deixando a coisa rolar. Ainda tenho que me formar. Pra ser sincero não faço a mínima do que pode acontecer, lol. Mas em 3 anos gostaria de estar no poker ainda jogando mais torneios live especialmente fora do Brasil.

Danilo Telles: Como você conheceu o MaisEV? E que parte(s) do MaisEV você mais gosta/freqüenta e porquê?

Diego Nakama: Eu conheci o MaisEV através do usuário Squallz que me indicou o site e gostei logo de cara. Faltava algo do gênero pra ser discutir poker no Brasil. Eu sou moderador da seção de MTTs e essa é a área que mais freqüento, embora moderar mesmo eu não modere muito, lol. Me considero mais um usuário que contribui com o fórum do que propriamente um moderador.

Danilo Telles: Mande uma mensagem aos usuários do MaisEV.

Diego Nakama: Gostaria de parabenizar os usuários que fazem do site o melhor local para se discutir poker no Brasil. Continuem assim, MANEREM com os novatos (lol) e boa sorte, principalmente se for jogar donkaments, lol.

Danilo Telles: Nakama, obrigado por nos ceder um pouco do seu tempo, e parabéns pelos resultados.

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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