Dan “jungleman12” Cates: “Isildur1″ Sabe o Que Você Está Pensando”

Por: 12/11/2013

Com apenas 23 anos, Daniel Cates é um dos maiores vencedores dos high stakes, com mais de US$8 milhões de ganhos nas mesas mais caras da internet.

Mais conhecido por seus nicknames “jungleman12” no Full Tilt e “w00k3z” no PokerStars, Dan Cates é visto com frequencia enfrentando outras feras como Viktor “Isildur1” Blom, Tom “durrrr” Dwan e Phil Galfond. Já nos torneios ao vivo, ele conquistou pouco mais de US$600 mil, e tem como seu melhor resultado a 2ª posição no PartyPoker Premier League V, que aconteceu no ano passado.

Nós entramos em contato com Daniel “jungleman12” Cates para marcar uma conversa,  e assim como fizemos em nossa entrevista com Phil Galfond, recorremos aos usuários do Fórum MaisEV para preparar algumas perguntas desta entrevista em duas partes, onde ele fala sem medo de vários assuntos de sua carreira, desde seu passado como atendente de McDonalds até o escândalo em que se envolveu com o português José “girah” Macedo.

Confira abaixo a primeira parte da entrevista com Daniel “jungleman12” Cates:

 

Você conhece o Brasil?

Sei que tem lugares legais aí, mas nunca fui, primeiro preciso aprender português ou espanhol.

Já jogou contra algum brasileiro? Que achou deles?

Sim, joguei contra alguns.

Você provavelmente jogou contra Marcelo “coragyps111” Freire e Gabriel “verve.oasis” Goffi, certo?

Sim, já joguei contra os dois. Contra “coragyps111”, pelo menos uma vez no passado. Também já joguei contra “verve.oasis”, mas muito pouco. “Coragyps111” joga muito heads-up, pelo menos costumava jogava, não tenho certeza, mas joguei uma boa quantidade de mãos contra ele.

Na matéria do New York Times sobre você, você foi descrito como uma criança obcecada por vídeo games.

Eu gosto de games no geral. Pra falar a verdade antes de começarmos eu estava jogando um pouco de Civilization (série de jogos no estilo RPG, em que o objetivo é desenvolver uma civilização).

Esse é um dos atrativos do poker, que é essencialmente um jogo, e eu gosto de jogos de todos os tipos, não só vídeo games mas também jogos de tabuleiro e coisas do tipo, como xadrez.

Daniel CatesAntes do poker, você já pensou em ser um profissional de games, como Bertrand “ElkY” Grospellier foi com StarCraft?

Nunca pensei nisso. Só pensei que poderia ser um jogador profissional de poker, não um gamer profissional. Mas sei de uns caras em Las Vegas que são os melhores gamers profissionais do mundo.

Você aproveitou no poker alguma habilidade que aprendeu jogando vídeo games?

Uma coisa que realmente me ajudou foi perceber o que as outras pessoas estavam fazendo, ver o que faziam bem e aproveitar aquilo, essa foi uma grande coisa que eu aprendi.

Essa mesma matéria do NYT disse que você foi de um perdedor nos jogos locais de $5 para vencedor nos high stakes em apenas 18 meses. Como isso aconteceu tão rápido?

Bem, eu joguei sit and go’s por um tempo, e com um certo volume. Não sei, mas acho que eu entendi o poker. Eu assisti vídeos em sites de treinamento na época e valeu muito a pena. Eu também joguei muito e pensei muito sobre o jogo, fazendo estratégias na minha cabeça, estudando o resultado de várias ações. Observei muito do que os outros jogadores faziam e adaptei ao meu jogo. Basicamente eu estava muito consciente quando tentava melhorar.

Falando sobre estar consciente, você diria que é um jogador mais de intuição ou matemática?

Eu sou um jogador mais lógico. Muito do que eu faço tem a ver com padrões e o que faz sentido e como faz sentido. Meu plano de jogo varia do plano de outros jogadores. Penso em como posso ajustar meu plano de jogo, como as situações podem funcionar a meu favor, etc.

Você ainda estuda o jogo hoje ou acha que chegou em um ponto em que não precisa mais estudar?

Sim, eu ainda estudo. Na verdade da última vez que eu estava em Vegas eu fui a uma livraria e comprei alguns livros, porque são mais úteis para coisas como teorias do jogo. Teve até um cara de um site sobre poker que tirou foto disso (risos).

Os jogos estão definitivamente ficando mais difíceis, está cada vez mais difícil conseguir uma vantagem, então tenho sempre que procurar melhorar.

Por dois anos você fez um concurso em que deu uma entrada do Main Event do WSOP para os vencedores. Por que fez isso?

Honestamente, parte do motivo é óbvio, foi uma forma de me promover. Mas também foi algo legal de se fazer por alguém, mostrar que coisas legais acontecem. Foi divertido.

Você planeja fazer isso novamente?

Sim, mas eu faria algo mais original. Eu tenho uma outra ideia – que na verdade não é uma ideia minha, mas de outra pessoa – que  os competidores teriam que gravar um vídeo com rap sobre poker e o melhor vídeo ganharia o buy-in.

Qual foi seu objetivo de se promover com isso, estava pensando em conseguir um patrocínio? E falando nisso, alguma sala de poker já te ofereceu um contrato de patrocínio?

Já me ofereceram algumas vezes, e eu não aceitei por diversas razões. Basicamente é porque o acordo não era bom o suficiente. Mas eu gostaria sim de um contrato de patrocínio. Não sei é algo que realmente vai acontecer, hoje em dia é muito mais difícil. Eventualmente eu gostaria sim de um acordo de patrocínio, mas não sei o que vai acontecer. Hoje em dia é muito difícil conseguir um patrocínio, já era antes da Black Friday. Se fosse em 2005 seria mais fácil.

Daniel Cates

Em uma entrevista recente, Alex “kanu7” Millar disse que Viktor “Isildur1” Blom só joga contra ele se ele fizer aumentos padrão de 3x o big blind em NLH. Ele também impôs essa regra contra você?

Não, e eu nem seguiria uma regra como essa. Acho que o motivo para o “Isildur1” fazer isso é que ele não gosta de jogar potes pequenos, coisa com que eu até me identifico. Faz bastante sentido.

Ainda sobre “Isildur1”, você uma vez disse que ele é um dos poucos jogadores de heads-up que conseguem dominar você na maior parte do tempo. Isso ainda é verdade ou agora você tem mais vantagem sobre ele?

Eu não sei, não jogo com ele já faz algum tempo. Mas uma coisa que me impressionou muito sobre “isildur1” é que ele sabe o que você está pensando e como se ajustar para isso. Eu acho que ele é um dos melhores jogadores em relação a se ajustar a outros jogadores. Falta nele algumas coisas fundamentais do jogo, mas isso também é uma das coisas que o fez ser muito bom.

Quando você disse isso sobre “Isildur1”, também falou que se alguém te domina com frequência, você não joga muito com aquela pessoa, mas que não faz isso para sempre.

Eu paro de jogar temporariamente contra alguém para eu não perder meu bankroll, mas não gosto disso.

É como se fosse algo estranho na minha mente, como se eu não pudesse aceitar que alguém seja melhor que eu, tenha mais habilidade que eu. É ok alguém ser melhor que eu em um determinado momento, mas eu não consigo aceitar que alguém seja melhor que eu no poker, por exemplo. Simplesmente não consigo.

Então você vê isso como um desafio? Mesmo nesses casos em que outro jogador é melhor, você aprende com isso?

Isso, é um desafio. Olha, é claro que dá pra aprender, mas não gosto dessa ideia de jogar high stakes para aprender. Acho uma péssima ideia.

Outra coisa que você disse em entrevistas é que enfrenta qualquer jogador em quaisquer stakes de No-Limit Hold’em, mas não de Pot-Limit Omaha porque você odeia variância. Como você escolhe contra quem joga?

Depende. Eu também dou alguns tiros, claro, tipo se tiver um fish em stakes mais altos, mas analiso o risco de jogar com grande parte do meu bankroll. Normalmente, se eu sei que alguém é muito bom e será uma disputa muito vulnerável a swings, então tento manter o jogo pequeno, não vou muito paras mesas de $100/$200 ou $200/$400. Se for um jogador ok, eu enfrento em mesas muito altas, mas se for um top player, quando se pode facilmente perder um milhão, então tomo mais cuidado.

E como lida com a grande variância dos high stakes?

Não tem muito o que fazer, você apenas aceita.

 

O livro The Royal Book: Os segredos dos High Stakes, de Ivan “RoyalSalute” Santana, está disponível na Loja MaisEV  e te ensina como jogar poker em alto nível. 

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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