Entrevista – Arthur “r2arthur” Henrique

Por: 11/03/2009

Arthur Henrique: Sou Arthur Henrique, 23 e moro em Juiz de Fora – MG. Sou universitário: Curso Direito na UFJF (já era para ter terminado o curso) e estou começando Sistemas de Computação na UFF (semi-presencial). Atualmente represento o RakeRebate.net e assumi a parte de publicidade do MaisEV. Fiquei alguns meses praticamente sem jogar poker atualmente tento me firmar de vez NL100 6-max.

Danilo Telles: Há quanto tempo você joga poker? Seu início foi difícil? Como você construiu o seu bankroll?

Arthur Henrique: Recreativamente há bons anos (uns cinco) com amigos. Acho que desde que “chegou” o poker on-line no Brasil eu comecei a jogar, mas nunca levando a sério. O primeiro contato com o “real money” foi quando um site da época (Royal Vegas Poker) oferecia $10 para todos que simplesmente criavam uma conta lá. Como todo bom donk perdi esses $10 várias vezes sem levar a sério e fazer algum dinheiro. Resolvi aprender como funcionava e consegui por conta própria pedir um cartão de débito e sacar o dinheiro. Na época havia ainda muita dúvida sobre se aquele dinheiro “era real mesmo”. Daí pra frente passei alguns anos estagnado sem saber que havia uma espécie de “ciência” ou “disciplina” vencedora. Me arrependo muito de todos os anos sem ter estudado nada jogando por jogar. Depois de me dedicar aos estudos, uma pessoa do Fórum MaisEV (VictorMM) decidiu que eu tinha capacidade de jogar regularmente começando pela NL50 – fizemos um acordo e ele, além de se tornar meu “coach”, me forneceu o bankroll para começar. Acertamos um “deal”.

Danilo Telles: Você se considera um jogador tight ou loose? Quão agressivo?

Arthur Henrique: Me considero quase que exclusivamente tight em 6-max. Acredito que até a NL100 (pelo menos no meu field) você não precisa jogar loose na maioria das vezes para se dar bem. Na grande maioria das vezes “tight is good” para estes limites – algumas vezes claro você vai ter que mudar as marchas, mas é uma exceção fácil de perceber. Por conta deste estilo ser agressivo é uma questão de sobrevivência.

Danilo Telles: Quais são as suas maiores qualidades no game?

Arthur Henrique: O fato de eu ter jogado durante muito tempo sem preparo teórico foi algo que me deu um instinto muito bom no jogo (o “feeling” e o “math” estão associados). Tenho facilidade grande de colocar oponentes em ranges jogando analiticamente. O estudo teórico caiu como uma luva sobre o meu jogo que, apesar de não ser muita coisa, cresceu de uma forma muito rápida desde então (espero que não pare).

Danilo Telles: Qual foi o seu melhor resultado jogando poker?

Arthur Henrique: Jamais jogo torneios. Quando comecei a jogar profissionalmente eu fui um “investimento” – nunca havia jogado naquele limite. De cara, nos primeiros 2 meses jogando eu já consegui ser bem lucrativo. Até hoje acho que esse resultado é o que tem o gostinho especial. Acho que, nos limites que jogo, o máximo que consegui fazer foram 8 buy ins em um dia, com um volume de jogo relativamente pequeno, e fechar um mês com apenas 3 sessões negativas.

Danilo Telles: Você já teve um mês “down” no poker? Como foi essa experiência?

Arthur Henrique: Por incrível que pareça não. Mas já fiquei break-even e a sensação é igualmente horrível. Eu gosto de um estilo de jogo de “low-variance” (acredito que pelo menos até a NL100 dá pra ficar praticamente alheio à grande variância). O tempo que fiquei break-even foi justamente o tempo que tentei entrar no piloto automático pra tentar fazer um bom dinheiro jogando muitas mesas ao mesmo tempo. Eu tinha a sensação de que já bailava com tranquilidade no limite que jogava – acho que foi uma questão de estratégia ruim.

Danilo Telles: Como é a sua rotina atualmente?

Arthur Henrique: Atualmente isto é um problema enorme para mim. Tento voltar à rotina universitária. Até o início deste período (estava praticamente parando de estudar até então) eu acordava muito tarde, dormia muito tarde e comia muito mal – enfim, uma rotina de caos – acredito que a maioria dos jogadores de poker sabem do que estou falando. Pretendo estabelecer algumas metas, mas já estou vendo que não é fácil.

Danilo Telles: Qual(is) jogador(es) estrangeiros você admira e por quê? E brasileiros?

Arthur Henrique: Não sou muito “tiete” por falta de tempo mesmo, fico perdido quando falam de profissionais, mas eu gosto muito do Phil Ivey por conseguir ser um jogador sólido, vencedor e versátil por tanto tempo (não só um “personagem”) mas existem muitos outros nomes no cenário internacional (Leatherass, durr, gosto também Negreanu). No Brasil conheço menos ainda. Acho que o C.K. seria minha indicação (mesmo não conhecendo o jogo dele) por ser um nome que é citado desde que “tudo começou” e até hoje o homem está aí. Fora da cena “holofotes”, no MaisEV temos ótimos exemplos de sucesso no Poker, desde pessoas que entendem MUITO do jogo e jogam poucas mãos por mês de stakes maiores até pessoas que fazem a vida com o Poker, jogando mais de 100k hands por mês, sustentando a família. É tanta gente boa que não ouso citar.

Danilo Telles: Você já leu livros sobre poker? Quais lhe trouxeram mais benefícios?

Arthur Henrique: As duas etapas de leitura que eu tive na minha vida de poker foram: alguma coisa como “Como calcular outs e odds” há muito tempo atrás e quando resolvi me profissionalizar “Two Plus Two NLHEM Anthology” (e manuais similares, como o do Ryan Fee). Falando sério, nunca li um livro de poker porque o básico infelizmente aprendi na marra, e, quando resolvi encarar a parte mais difícil, a Internet já fornecia farto material. Hoje em dia a informação está esparramada por aí, basta querer aprender.

Danilo Telles: Você usa algum software de poker? Se sim, qual?

Arthur Henrique: Utilizo exclusivamente o Holdem Manager. É um alicate suíço para analisar o seu próprio jogo e ter sempre à mão “super-notes” de jogadores que você joga com frequência – hoje em dia para mim, é uma espécie de “extensão do meu cérebro”. Quando estou estudando gosto do PokerStove pra fazer alguns cálculos de ranges.

Danilo Telles: Se você tivesse que dar um único conselho para um iniciante, qual seria?

Arthur Henrique: Você não precisa vencer aqueles que estão sentados na sua mesa. O seu maior “inimigo” e “amigo” são o longo prazo, é ele que você tem que domesticar – tenha disciplina.

Danilo Telles: Se você tivesse que começar hoje do zero a sua carreira, com um bankroll de $150 dólares, como faria? O que jogaria e em o que investiria? E se o bankroll fosse de $1000 dólares?

Arthur Henrique: $150 eu jogaria NL10 até $500, onde mixaria entre NL25 e NL10, e subiria gradativamente. Com $1000 eu jogaria NL50 até ter entre $2.500 e $3.000 para jogar NL100, e subiria quando atingisse um bankroll de uns 50 buy ins para os limites superiores. Nos primeiros estágios, caso entrasse numa bad-run, desceria um limite.

Danilo Telles: Qual é o jeito mais rápido de aprender a jogar poker?

Arthur Henrique: Definitivamente coach é a maneira mais rápida e fácil. Como geralmente quem precisa “aprender a jogar poker” costuma ser quem não tem muita disponibilidade de recursos, vídeos e fórums são ferramentas que dão conta do recado no começo – estamos em um momento singular em que a informação salta aos olhos, e há, nos forums online de poker, muitos bons jogadores dispostos.

Danilo Telles: O que você pretende fazer daqui pra frente na sua carreira de jogador de poker? Onde você se vê daqui a 3 anos?

Arthur Henrique: Eu pretendo passar um tempo na NL100 até minha vida se estabilizar fora do poker, isso deve levar alguns meses ainda. Tendo nível, quero subir com segurança, mas sem perder tempo. Daqui a 3 anos quero estar formado em Direito e ainda ter pique para jogar muito poker, o que me daria um bom tempo disponível para estudar ainda mais.

Danilo Telles: Como você conheceu o MaisEV? E que parte(s) do MaisEV você mais gosta/freqüenta e porquê?

Arthur Henrique: Fui parar no MaisEV clicando em algum link qualquer. Notei que havia um plus em relação às outras comunidades de poker do Brasil: As pessoas que procuram o MaisEV são as que se recusam ser perdedoras no Poker. Gosto mais das seções de Cash-Game. A seção que mais gosto de ler é a de High Stakes porque os tópicos são muito elaborados e valem como verdadeiras aulas – lá eu praticamente só posto para fazer perguntas, pois o nível costuma ser alto. Nos stakes menores há também ótimos jogadores postando, mas acho que há muito mais gente em busca de informações com as quais posso contribuir então posto diariamente. Não esqueçamos também da seção de Rakeback, em que leio e respondo a todos os tópicos.

Danilo Telles: Mande uma mensagem aos usuários do MaisEV.

Arthur Henrique: O Poker é uma “corrida do ouro”. Você já deve ter ouvido falar em algum lugar que antigamente era muito mais fácil bater os limites maiores, isso é verdade. Se você acha que tem potencial para ser vencedor em certo limite, mas não estuda, só age na mesa sem saber os motivos, ou tem preguiça de entender agora, amanhã você estará se lamentando. Os usuários do MaisEV têm uma oportunidade excelente de evoluir, a informação salta aos olhos. Menos Off Topic e mais discussões teóricas FTW.

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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