Doug Polk: “O Software de IA Se Sairia Muito Bem Contra um Regular de Small Stakes”

Por: 18/05/2015

Doug Polk comentou o resultado do desafio, falou sobre Phil Ivey, o torneio de $500K do Aria e muito mais.

Dias atrás, Doug Polk foi um dos quatro jogadores a enfrentar Claudico, software de inteligência artificial produzido por especialistas da Universidade de Carnegie Mellon no desafio chamado de “Cérebros VS Inteligência Artificial”.

Após a vitória, que rendeu US$ 100 mil ao quarteto, o craque falou sobre a experiência ao site HighStakesDB.com. Abaixo, transcrevemos os melhores momentos da entrevista.

Embora com altos e baixos, foi uma vitória bem decente para os “cérebros”. Foi mais fácil ou mais difícil do que você previa?

Teve muito do que eu esperava, e muito do que eu não esperava. De modo geral, foi como eu previa, um oponente difícil com várias falhas em sua estratégia. Perto do final nós tínhamos uma bela ideia de como as coisas estavam evoluindo e achei que o software reagiria melhor a vários tamanhos de apostas, mas compreendo que mapear isso é uma tarefa difícil.

Como você acha que o Claudico se sairia contra o jogador recreativo ou um regular de small stakes?

Difícil dizer, mas acho que sairia muito bem. O problema é quando jogadores usam tamanhos de apostas incomuns, o programa não está preparado para ajustar de forma correta e isso daria a jogadores fracos alguma chance. Mas é um bom programa e seria difícil para jogadores desse nível vencê-los.Doug Polk

Quais foram as maiores fraquezas e os melhores ajustes que você percebeu no jogo do Claudico?

O maior erro do claudico era que ele ocasionalmente baseava suas jogadas em apostas muito diferentes do que elas realmente eram. Isso às vezes o fazia cometer erro como foldar mãos boas por apenas mais 4.000 em um pote de 36.000, e quando você comete erros desse tipo o pote realmente se acumula.

Boa parte da melhoria do programa foi percebida em ações pré-flop ou no flop. É um tanto difícil para nós, humanos, perceber mudanças de estratégias no river, então estas foram as mais facilmente identificáveis. O software ficou cada vez mais agressivo ao longo do jogo e, no final, parecia um adversário completamente diferente que o do início.

Algumas pessoas criticaram vocês por aceitarem o desafio. O que você achou da experiência? Participaria novamente?

Achei estranho tantas críticas, mas no geral recebemos só palavras positivas. Achei a experiência divertida, embora não possa afirmar que participaria novamente. Foi uma amostragem de mãos um tanto entediantes e, no fim do desafio, eu já estava sofrendo com o cansaço. Não digo nada em definitivo mas esta deve ter sido a última vez que eu carreguei a tocha pela humanidade.

Eu gostei da sua frase “Esse bot é o Kanu dos bots. Não joga muito bem mas gosta de fazer uns raises esquisitos”. Você não é muito fã de Kanu? (Nota da redação: Kanu trata-se de Alex Millar, britânico que utiliza o screen name Kanu7 e faz parte do Team Online PokerStars. É tido como o melhor jogador de No-Limit Hold’em e utiliza o screen name IReadYrSoul no Full Tilt).

(Risos). Também gostei dessa frase. Não gosto de falar muito sobre outros jogadores mas acho um pouco triste o modo que Kanu “saiu do mapa” no Heads-Up de NLH. Ele costumava ser um batalhador, mas agora só apresenta uma estratégia esquisita. Ele tem tido uma carreira bem sucedida e tenho certeza que encontra bons momentos para esses raises esquisitos.

Bjorn Li detonou no desafio. Seria a hora dele se candidatar a um desafio contra WCGRider? (Bjorn Li teve a melhor performance entre os quatro jogadores, com um saldo positivo de 529.000 fichas, enquanto Doug puxou 213.700 da máquina).

Já joguei muito contra Bjorn. Nenhum de nós viu nossos últimos jogos e temos andado bem ocupados, mas tenho certeza que você pode esperar alguns confrontos em breve.

Em uma outra entrevista você falou sobre jogadores pagando o buy-in inteiro do $250K do Aussie Millions. Você sabe quem eram eles?

doug polk partySomente alguns jogadores tinham 100% deles mesmos. O field era muito difícil e a estrutura muito rápida. Acho que se você vai investir tanto dinheiro assim, é melhor esperar por um evento como o $500K (do Aria), onde a estrutura é muito melhor e não há rake.

Você foi muito bem no torneio mas Phil Ivey acabou vencendo. Desde 2012, neste evento, ele ganhou por volta de US$ 7.5 milhões. Analisei os números e percebi que o lucro com estes torneios, fora os buy-ins, basicamente tem financiado as perdas dele nos high stakes online desde então. Você acha que há possibilidade dele voltar a ser um dos maiores do cash online, já que ele se encontra em uma fase “a lá Gus Hansen”?

Apostar contra Ivey é simplesmente burrice. Historicamente, ele sempre se adaptou e conseguiu encontrar bons spots. Acho que ele não está tão afiado como costumava ser, mas com a prática devemos vê-lo tão formidável quanto antes.

Logo mais começa a WSOP. Você buscará adicionar mais um bracelete ao do último ano?

Sim, vou entrar no “modo WSOP” em algumas semanas. Você tem que ir além da sorte para ganhar um bracelete, então, sei que as chances estão contra mim. De qualquer forma, prefiro ganhar o $500K do Aria.

E por enquanto quais são os seus projetos?

Por ora, o SCOOP, e então a WSOP. Geralmente grindo online em Vancouver, então talvez eu mude isso um pouco este ano, quem sabe? Mas por enquanto é MTT’s, heads-up de NLH e grind.

Confira aqui a entrevista na íntegra (em inglês)

doug polk bracelete wsop

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Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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