Bruno Foster Fala Sobre o November Nine

Por: 18/08/2014

Confira aqui o que Bruno Foster fala sobre a mesa final, seus preparativos para novembro e mais!

 

Nessa entrevista super especial nós conversamos com Bruno Politano – ou Bruno Foster – o primeiro jogador brasileiro a conquistar um lugar na mesa final do Main Event da World Series of Poker.

Vamos começar com uma pergunta básica. Como é a sensação de ser o primeiro brasileiro na mesa final do Main Event?

Por mais que seja uma pergunta básica e várias pessoas já tenham me perguntado isso, a resposta é sempre muito complexa, porque quando a gente fala de sentimento é muito complicado. É muita emoção, eu me sinto energizado, me sinto motivado quando vejo os brasileiros. Os brasileiros são demais nesse sentido, eles tomam conta. Em todo lugar que eu vou a galera me abraça, e a ficha vai caindo cada vez mais, do resultado que eu consegui.

Esse foi o resultado mais importante da minha vida, eu fiquei super feliz, super emocionado, mas conforme os dias vão passando, eu achava que isso ia ficar mais calmo, mas pelo contrário, a cada dia que passa eu vejo que o pessoal tá tão enlouquecido quanto eu. Então eu me sinto cada dia mais nas nuvens e muito confiante pra novembro.

E como foi pra você ter o apoio da torcida, tanto dos jogadores que estavam lá quanto dos brasileiros que acompanharam pela internet?

Foi sensacional, o apoio da torcida lá foi essencial, principalmente nos momentos em que perdi certas mãos e eu olhava pro lado e via a torcida gritando, pulando, os caras inventaram várias músicas, eu estava me divertindo. Enquanto a maioria dos outros jogadores estava tensa, eu estava focado, tranquilo, feliz. Eu via a galera gritando meu nome, ia lá no rail descontrair um pouco, contava uma mão e voltava.

A galera do Brasil também mandou muita energia positiva, eu acredito muito nisso, tanto que agradeci e agradeço todo mundo, do Facebook, Instagram, Twitter. Eu tô demasiadamente feliz, todo mundo me apoia demais, a torcida foi excepcional e eu tenho certeza que em novembro vai mais gente ainda pra colocarmos fogo naquele salão. Eu conto com a torcida brasileira e sei que a galera vai me apoiar muito.

Como você está se preparando para a mesa final em novembro?

Do jeito que sempre me fiz. Tenho uma preparação física, controlo minha alimentação, vou pra academia… Eu acho que o preparo físico é fundamental, não dá pra deixar de lado.

Em relação ao jogo, vou jogar muito. Tô indo pro EPT Barcelona, depois volto pro BSOP Natal, depois vou jogar o WSOP Austrália antes de ir pra Vegas, acabei de vir do BSOP Brasília…  meu foco agora é jogo, jogo, jogo, estudo, estudo, estudo. Eu tenho um técnico, que já era meu técnico mas agora contratei só pra fazer um estudo setorizado da mesa final, jogador a jogador, que é o Ariel Bahia. Ele vai ser meu coach, vai estar comigo lá e vai comigo pra Barcelona pra já começarmos a montar o plano de estudo.

Então minha preparação é essa, manter o preparo físico pra aguentar as horas de jogo, ter um foco mental e fazer um estudo dos oponentes, um a um, sabendo que o cada um faz, como cada um se comporta, tentar ter o máximo de informações possíveis de cada um pra quando chegar lá poder dar o máximo de mim.

Bruno Politano

Mesmo com bom currículo no poker, com resultados sólidos, você não ainda não jogava poker profissionalmente. Isso mudou depois do resultado?

Na verdade o poker é minha profissão assim como tenho outra profissão, sou empresário, tenho uma franquia da Couro e Cia em um shopping em São Paulo. Mas é lógico que após o November Nine minha vida mudou muito, não posso dizer pra você que meu foco na empresa vai ser o mesmo que o da vida profissional de poker.

Agora meu foco é o lado do poker, o November Nine abriu novos caminhos, acredito que vou investir nessa parte do esporte. Eu tenho um sócio que toma conta de muita coisa comigo, já deixei muitas responsabilidades minhas pra ele e ele vai tocar em paralelo comigo. Até porque mesmo sendo profissional de poker, dando mais foco ao jogo, o poker é uma profissão que permite que a gente tenha horários diferentes, que a gente faça o nosso horário, então eu consigo levar as duas coisas, a empresa com meu sócio e o poker, esse esporte pelo qual eu sou apaixonado.

Vou focar mais agora no poker mas não vou largar minha empresa, não vou largar um segundo caminho, até porque eu acho que com o poker cabe, então eu vou manter e se puder abrir mais outra empresa eu vou abrir, desde que não esteja atrapalhando o poker, e tenho certeza que isso não vai acontecer, então pretendendo manter as duas ou três coisas em linha.

Falando em abrir novos caminhos, você recebeu propostas de patrocínio de alguma sala de poker? (Nota: a entrevista foi feita antes da notícia da contratação de Bruno Politano pelo 888poker)

Sim, recebi algumas propostas dos maiores sites do mundo, ainda não assinei com ninguém mas já estou em fase final de negociação do contrato. Ainda não posso anunciar porque não assinei, mas até a próxima semana vai sair um press release e eu vou anunciar em todas as mídias.

Entre os seus oponentes, quem te deu mais trabalho na reta final e quem você acha que vai te dar mais trabalho em novembro?

Na reta final, quem me deu mais trabalho foi o Mark Newhouse, porque apesar de ele não ter posição, de estar jogando na minha direita, fez duas trincas em menos de duas ou três horas, extraiu bastante ficha porque eu paguei todas as streets. Ele é um excelente jogador, não é a toa que tá fazendo back to back e acredito que vai ser um dos adversários fortes, assim como o Martin Jacobson, que também é outro oponente fortíssimo.

Mas acho que quando a gente chegar lá em novembro, nós vamos sentar na mesa, olhar um pra cara do outro e naquele momento depende do que cada um vai fazer na hora. Acredito que por mais estudos que a gente faça e receios que a gente tenha, todo mundo tem um nível mundo bom, ali não tem nenhum aventureiro, então o que vai decidir é o momento e a capacidade de decisão e a habilidade de cada um.

O Mark Newhouse foi realmente quem me deu mais trabalho na reta final e acredito que vai continuar me dando trabalho na mesa final, mas acho que a final tem um significado diferente, todo mundo já tá ali com aquele sentimento de que eu consegui, eu cheguei, então fica uma sintonia diferente entre os jogadores.

Quais são seus planos para depois de novembro?

Independente do resultado, assim que voltar já tem o BSOP Millions no fim do mês, e na sequencia o LAPT Grand Final em Punta del Este. Então eu tô pensando em jogo, em foco, tô pensando em aproveitar ao máximo esse momento, depois tiro uma folguinha do dia 16 de dezembro, depois do LAPT, até o comecinho de janeiro até o PCA, e depois aí sim eu passo um mês e pouco com minha namorada e minha família.

Mas agora meu foco é jogo, independente de qualquer resultado, sendo campeão mundial ou não – que eu vou ser – meu objetivo é esse, participar do BSOP Millions, LAPT e depois PCA, e aí sim passar um mês de férias, viajar com minha namorada, com minha família, dar uma pausa de jogo pra na seguida voltar com tudo de novo, porque no ano que vem, de janeiro até março é um pulo. Então meu objetivo é esse, foco e jogo. Eu quero jogo, eu tô atrás de jogo!

Então nós do MaisEV desejamos um bom jogo agora no EPT Barcelona, nesses outros torneios que vai jogar e principalmente em novembro. Obrigado por conversar conosco!

Eu que agradeço, fico feliz em ter esse espaço, gosto muito do MaisEV, tenho algumas pessoas do fórum. Então sempre que precisar pode contar comigo pois estou a disposição. Agora vamo lá em novembro buscar o bracelete pro Brasil, tamo junto!

 

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(Foto: poker-magazin.at)

 

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Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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