Alex Dreyfus, CEO do Global Poker Index, Fala Sobre o Poker Como Esporte e os Planos do GPI

Por: 21/01/2015

A mente por trás do Global Poker Index, Alex Dreyfus fala sobre sua campanha para “esportificar o poker”

O Global Poker Index (GPI) é hoje reconhecido como o mais relevante ranking de poker da indústria. E o que começou como um “simples” ranking hoje se expande para eventos ao vivo e até mesmo a criação de ligas profissionais e universitárias nos Estados Unidos.

Tudo isso é ideia de Alex Dreyfus, executivo do poker desde que fundou a sala francesa Winamax, tendo passado também pela presidência da sala Chili Poker, da rede iPoker. Hoje, Alex Dreyfus tem como foco a expansão do poker ao vivo, tendo iniciado uma campanha para divulgar o poker como um esporte para a mídia popular.

Nós conversamos hoje com Alex Dreyfus, que nos contou o pensamento por trás da campanha de “esportificação do poker”, a criação de seu evento ao vivo e o mercado do poker como um todo.

 

Você realmente acredita que poker é um esporte ou isso é apenas uma maneira de deixá-lo mais aceitável para a mídia popular?

Um pouco dos dois. O poker tem todos os requisitos de um esporte, física e mentalmente. Em termos de competição, mental, desafios, estratégia. É um esporte? Ninguém pode responder isso. A visão do GPI é promover o poker COMO um esporte, não FAZER dele um esporte. Isso é importante. Se for legalmente um esporte, trará uma série de questões legais. Não é isso que queremos criar. Queremos promover o poker para ser mais mainstream, mais legítimo e visível, então promovemos como um esporte e usamos os mecanismos do esporte.

No Brasil há muita discussão sobre o poker como um esporte, e muitos membros da mídia especializada tentam vender o jogo como um esporte da mente. Qual é sua opinião sobre isso?

Em primeiro lugar, não existe UM poker. Assim como não existe um esqui. Existe slalom, surf, saltos, etc… No poker é a mesma coisa. Há o poker online e ao vivo, dois tipos diferentes de poker e diferentes tipos de jogo. E há o Texas Hold’em (especialmente No Limit), que é muito mais um jogo de habilidade que o Five Draw (o poker antigo). Graças ao ranking do GPI, você pode perceber que os jogadores número 1 do mundo nos últimos três anos são os mesmos: Daniel Negreanu, Dan Smith, Ole Schemion. Não tem segredo, é um jogo de habilidade, um esporte da mente, um esporte. Não é sorte.

Muitos jogadores, especialmente os profissionais do online, temem que o reconhecimento do poker como esporte crie impostos e torne o jogo menos lucrativo.

Isso é completamente verdadeiro, por isso é preciso ser muito cuidadoso com seu objetivo e em como alcança-lo. Nós do GPI promovemos o poker como um esporte mas não advogamos torna-lo um esporte.

Recentemente o GPI anunciou a criação de seu primeiro evento ao vivo, o Global Poker Masters. Por que criar este evento, e por que uma competição de equipes nacionais?

O GPI não está se tornando uma empresa de circuitos de poker ou não quer organizar eventos abertos de poker. Nossa missão, visão, é “esportificar o poker” para que ele possa crescer. Para alcançar essa visão, acreditamos que ter uma Copa do Mundo LEGÍTIMA faz total sentido e ajuda a desmistificar a imagem do poker. Dará desculpas e conteúdo para que a mídia especializada e a mídia esportiva, e esperamos que em alguns anos a mídia popular, falem sobre poker de uma maneira diferente, não apenas “este jogador venceu aquele torneio e ganhou $1 milhão.” Precisamos de novo conteúdo. Precisamos de novos ângulos. É para isso que serve o GPI, assim como o Global Poker Masters. Para ser legítimos, precisamos criar um evento, com fundações sólidas, ter os melhores países, melhores jogadores. O que pode fazer isso acontecer? Os rankings do GPI.

Alex Dreyfus - marketing esportivo

Já houve outras tentativas de torneios por equipes, especialmente a Nations Cup da Federação Internacional de Poker. Por que eles não conseguiram a atenção esperada, e o que o GPM planeja fazer diferente?

É como eu disse antes, é necessário legitimidade. Você precisa dos jogadores, precisa do melhor formato. O IFP teve uma iniciativa interessante, mas com jogadores desconhecidos e um formato que não é reconhecido pelos jogadores (match poker). Você não consegue criar uma legítima Copa do Mundo ou Copa das Nações, não importa a marca que use, se a comunidade do poker não te apoiar. Você precisa das mídias de poker e dos jogadores profissionais a bordo. As outras iniciativas, feitas pelo PokerStars, World Team ou IFP, falharam porque não tiveram participação. E foi no momento errado.

O GPI foi criado como parte da empresa Federated Sports+Gaming (FGS) e só depois comprado por você. Por que você acha que eles falharam como um todo, especialmente com o Epic Poker League?

Falharam porque gastaram muito dinheiro (eu também gasto) na hora errada e quiseram fazer tudo ao mesmo tempo. Eventualmente, eles queriam se tornar uma sala de poker online ou de jogos sociais. Eles queriam competir com o ecossistema.

Nossa posição é muito clara, temos nosso próprio nicho e não queremos competir com ninguém. Tentamos trabalhar com todo mundo para que o poker possa crescer. Temos nossas próprias iniciativas. Eles erraram na escolha do momento apropriado e gastaram muito dinheiro desde o primeiro dia. O GPI tem uma visão de longo prazo, suportada pelo meu próprio capital e meus recursos de investimento, então estamos indo passo a passo, como um bebê. Nós não organizamos um torneio com $1 milhão garantido. Honestamente, a FSG não falhou em sua ambição, eles falharam financeiramente porque não tinham um plano de negócios para o curto prazo. Isso é algo que também pode acontecer comigo, mas eu sou muito cauteloso.

Antes do GPI já havia outros rankings respeitados como das revistas Bluff e CardPlayer, mas estes sempre tinham como objetivo apenas atrair o público para as revistas. O que faz do GPI um ranking diferente e melhor os outros?

Como você disse, esse não são rankings, apenas ferramentas de marketing para as revistas. Eles tem a disputa de Jogador do Ano para colocar nas capas, mas é só isso. Nós somos o ATP (do tênis) ou o PGA (do golfe) do poker, não somos a “Revista do Tênis”. Nosso sistema é usado pelo WPT, EPT e muitos outros para se tornar o padrão. É isso que queremos fazer. Criar um sistema unificado para os jogadores. Onde quer que joguem no mundo, sabem que estarão ganhando pontos para o GPI, nos mesmos valores. Em alguns anos, esses pontos terão valor – de alguma maneira. É por isso que premiamos os melhores jogadores do GPI com os prêmios de American Poker Awards, European Poker Awards, Latin Poker Awards, agora com o Masters e futuramente com a Liga.

Diferente dos outros rankings, o GPI é uma empresa em si, então como ganha dinheiro?

Boa pergunta. Não ganhamos. Estamos agora na fase de investimento e temos mais dois anos para atingir nosso projeto. Ainda geramos algumas centenas de milhares de dólares baseado em propagandas no HendonMob, GPI e etc, mas essa não é nossa prioridade.

Falando em antes do GPI, antes de se tornar um dos nomes mais respeitados da indústria do poker ao vivo você gerenciava a sala online Chili Poker e, antes dela, o Winamax. Por que a transição para a indústria de poker ao vivo?

Eu não mudei do online para o ao vivo, eu continuei no poker. Já são 11 anos. Eu gosto desta indústria e vejo potencial onde outros veem desafios.

Você acredita que haverá outro boom do poker? E o que faria isso acontecer?

Acredito em um crescimento do poker, não em uma explosão. O que fará isso acontecer é a indústria mainstream falando do poker. A única maneira de isso acontecer é dar novidades a eles, não a mesma “merda” que fazemos há 10 anos. Assim como qualquer ciclo industrial, precisamos de inovação, risco e sangue fresco.

Para finalizarmos, qual é sua opinião sobre o mercado de poker no Brasil?

É provavelmente o mercado mais excitante atualmente. Um país que abraça o poker como um esporte, como o BSOP que está conseguindo patrocinadores apropriados. É o mercado dos sonhos para mim. Se todos os outros países pensassem como o Brasil, o poker estaria GIGANTE no resto do mundo.

 

 

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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