19 de Agosto de 2008
Tem ficado a cada dia, mais comum lermos posts sobre como somos pré-julgados por sermos jogadores de poker. Muitos, senão quase todos, têm um pré-conceito ou preconceito sobre o jogo de poker apenas por nao saber muita coisa a respeito. Falar a amigos e familiares sobre como você um dia pretende viver disso e ganhar “x”bbs/100 ou ter um ROI de X% é simplesmente uma idéia muito estapafúrdia para que as pessoas possam te levar a sério. Infelizmente estas pessoas vivem na escuridão, e não sabem o verdadeiro motivo pelo qual não aceitam sua profissão, tampouco seu estilo de vida. Fomos moldados para sermos trabalhadores das 8 às 18h, desde muito pequeno, por avós, pais, professores e tantos outros. Não culpe os outros por não te entenderem, também não os culpe por não querer te entender. Isso me faz lembrar sobre a famosa parábola escrita pelo filósofo Platão, entitulada, Alegoria da Caverna.
Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.
Mas, o que quer dizer isso? Primeiramente, vale a pena saber do que se trata esta parábola.
Neste vídeo há uma exemplificação, que não substitui a leitura do texto original, mas que ajudará os que não estão familiarizados com o texto a entender o que estamos falando.
Quando se fala algo a alguém que tem esse algo como verdade e você mostra um novo caminho, não seria compreendido e seria tachado por mentiroso ou louco. Para o filósofo, a realidade está no mundo das idéias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância. Aqueles que conseguiram sair da caverna e observaram que existe um mundo de novas possibilidades agora querem retornar àquela mesma caverna e libertar os demais da “prisão” em que vivem. Porém, ao tentar fazer isso, será repudiado, os que vivem na escuridão acharão que ele enlouqueceu e tentarão a todo custo fazer com que desista da idéia.
O prisioneiro que fugiu é aquele que tem a oportunidade de adquirir conhecimentos e se libertar da sua ignorância. As pessoas que continuam presas são aquelas que, por medo ou comodismo, não estão dispostas a ir em busca da verdade.
“Nos mostra o quão difícil é nossa ascensão, mas o quanto ela é gratificante para os que perseveram e alcançam o topo. E também a dureza que é tentar ajudar os que ficam lá embaixo, por estarem eles se deleitando tão somente com aquilo (o ilusório), quando há muito mais para se ver! E fica a mensagem: não se pode tirá-los à força!”.
Quando te perguntarem, o que você faz, saiba que estas pessoas estâo presas à escuridão, dentro de uma caverna, e ao tentar expôr isso a elas, sofrerá repúdio. A televisão passa a ser a grande manipuladora da mente humana nos dias de hoje, nos induzindo a levar uma vida de acordo com os conceitos e regras apresentados , pois o ser humano continua condicionado a uma vida determinada pelo ambiente à sua volta.
Não se afaste das pessoas que não te entendem, também não queira fazer com que te entendam, apenas compreenda-as. Saiba quem está na luz e quem está na escuridão, e pensem nisso da próxima vez que te perguntarem o que você faz, ou qual sua profissão.
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Written by Vinicius Campos · Filed Under Artigos
12 de Agosto de 2008
Nessa série de artigos que escrevo para o MaisEV, procuro apontar erros que observo nos jogadores de cash game de limites baixos. E nesse artigo não será diferente.
Bom, como está escrito no Guia de Poker para Iniciantes MaisEV, a essência do jogo é jogarmos as características dos nossos adversários, não as nossas cartas. Normalmente elas são o que menos importa. Então é extremamente normal nós fazermos planos de como agir em determinada situação sem levar em conta a nossa mão. Nós vamos fazer um float (que consiste em um call no flop com quaisquer duas cartas com a intenção de blefar no turn), ou dar um raise com air no flop, ou representarmos uma mão que não temos para expulsarmos da jogada uma mão melhor, etc.
Até aqui tudo bem. O problema vem quando nós mudamos o nosso raciocínio no meio da mão porque apareceu uma carta muito boa ou muito ruim no turn ou no river. Muitos jogadores não mantêm o raciocínio da mão nesse tipo de situação. Eles são tentados a jogarem sem levar em conta os seus reads por causa dessa carta. E isso implica que na maioria das vezes nós não vamos extrair o máximo de dinheiro do nosso adversário.
Vamos a alguns exemplos. O primeiro bem simples, uma mão que eu vi em um blog há alguns meses atrás.
NL100 6 max - Stacks efetivos de 100 BB
UTG fold, MP fold
CO open raise de 4 BB
Hero call no BTN com ATo.
Aqui o call é tranqüilo porque Hero tem posição e apesar de estar na frente do range de open raise do vilão, ATo não está a frente do range de call em 3bet fora de posição dele. E ainda, teríamos que largar para um possível 4bet.
Blinds dão fold
Os reads são que o CO é um jogador lag (loose-aggressive) e hero tem imagem e vem jogando como um tag (tight-aggressive) comum.
Flop vem J
8
4
, CO dá a c-bet. Aqui Hero sabe que seu range é muito grande. E a sua imagem é boa para moves. Então ele pensa em fazer um float e dá call.
Turn 9![]()
O vilão pede mesa. Agora o trabalho de Hero é apenas apostar. E devido aos reads, ele vai levar a mão uma porcentagem grande das vezes que apostar. Mas como o 9d completou vários draws e ele tem draw para sequência em 2 pontas ele decide dar check.
River Xx
Vilão aposta ½ pot e o hero dá fold.
Esse foi só um exemplo introdutório de como mudar a linha de raciocínio da mão, devido a uma carta que apareceu em alguma street, é muito ruim. Todos os reads e imagens indicavam que o melhor seria apostar no turn, porém o 9
“abalou” o raciocínio de Hero e o fez desconsiderar os seus reads.
Mudar o plano que temos para a mão devido a uma carta muito boa ou muito ruim é aceitável. Mas deixar essa carta influenciar tanto que nós chegamos a desconsiderar os nossos reads, definitivamente, não é a decisão mais lucrativa.
Segundo exemplo. Estamos numa situação de re-raised pot. Hero e Vilão são jogadores lags.
NL200 6 max - Stacks efetivos de 100 BB
UTG fold, MP fold, CO fold
Hero open raise de 4 BB com 9
8![]()
SB fold
Vilão, no BB, dá uma 3bet pra 14 BB.
Aqui Hero tem os seguintes reads: o vilão é lag, o vilão vê Hero como um jogador lag e nas ultimas órbitas o vilão vem dando muita 3bet no hero, tanto em posição quanto fora de posição. Assim Hero supõe que o range de 3bet do vilão é 66+, vários suited connectors e várias combinações de duas cartas maiores ou iguais a 10. Assim Hero decide dar call na 3bet e usar seu arsenal de linhas pós-flop em posição contra alguém que vem dando 3bet light nele.
Hero tem várias linhas boas para esse tipo de defesa, é capaz de fazer vários bons floats. Sabe se adaptar à street correta para fazer um float no flop. Sabe dar raise por puro bluff em flops secos. Sabe dar push em bons flops, geralmente baixos, etc.
Hero dá call na 3bet.
Flop 9
9
8![]()
Vilão dá c-bet de 2/3 do valor do pot. Hero pensa um pouco e dá push querendo ser pago por overpairs. Vilão fold.
O fato de ter feito um full house no flop atrapalhou a raciocínio do hero. Ele não soube extrair ao máximo do range do vilão. O push nessa situação seria uma boa linha com overcards, como AJ ou AQ porque a nossa fold equity é muito grande. Mas com um full house temos que pensar na melhor maneira de extrair do range todo do vilão e não apenas de uma parte. Eu acredito que a melhor linha nesse spot seria influenciar o vilão a colocar mais dinheiro no pot com air. Assim eu daria um raise pequeno no flop se o vilão já tivesse me visto fazer isso com air. Ou faria um float dando bet no turn, porque assim, o vilão pode atirar uma outra aposta no turn ou dar um check raise com overcads ou algum draw.
Vamos ao último exemplo e nele nós abordaremos o melhor float possível em um re-raised pot. Agora nós vamos mudar o nosso plano, mas não o nosso raciocínio.
Mesma situação do segundo exemplo. Só as cartas do hero que mudaram. Estamos numa situação de re-raised pot. Hero e Vilão são jogadores lags.
NL200 6 max - Stacks efetivos de 100 BB
UTG, MP, CO fold
Hero open raise de 4 BB com Ad Qc
SB fold
Vilão, no BB, da uma 3bet pra 14 BB.
Aqui Hero tem os seguintes reads: o Vilão é lag, o vilão vê Hero como um jogador lag e nas últimas órbitas o Vilão vem dando muita 3bet em Hero, tanto em posição quanto fora de posição. Assim, Hero supõe que o range de 3bet do Vilão é 66+, vários suited conectors e várias combinações de duas cartas maiores ou iguais a 10. Assim, Hero decide dar call na 3bet e usar seu arsenal de linhas pós-flop em posição contra alguém que vem dando 3bet light nele.
Hero call.
Pré-flop, a 4bet e call push não seria ruim. Mas só dar call e jogarmos em posição contra um range que estamos na frente é bem mais lucrativo na minha opinião.
Flop vem 5
5
4![]()
Vilão dá a c-bet de 2/3 pot. Aqui o push é ok e com certeza é lucrativo. Mas há uma linha melhor. O float dando check atrás no turn. Vamos a vários exemplos de turn e comportamentos do vilão.
Hero call c-bet.
Turn 8
.
Vilão faz outra aposta. Essa é a pior situação possível porque nós teremos que dar fold a maioria das vezes. Mas vamos pensar bem. Um segundo blefe em um re-raised pot é muito raro em jogos de limites baixos. Então nós podemos dar o fold tranqüilamente. E as mãos que fazem outra aposta no turn por valor pagariam o nosso push no flop. Então tentando o float ao invés de dar o push nós economizamos dinheiro contra esse range do vilão. Caso nós tivermos reads que o vilão faria uma segunda aposta com air, o push turn fica melhor que o push flop. Então se vilão apostar turn nós vamos dar fold a maioria das vezes.
Vilão dá check no turn. O natural aqui é as pessoas apostarem. Porém fazendo o bet no turn nosso range fica polarizado em mãos fortes e air. Como o jogo está light o vilão não nos dará uma grande fold equity no turn, então nós enfrentaremos um check-raise all-in no turn uma grande porcentagem das vezes. Porém, o bet turn, mesmo assim, ainda é um pouco lucrativo, mas não é a melhor linha. Quando o vilão dá check num turn que não seja significativo o melhor que nós temos a fazer é dar um check atrás. Porque assim nosso range fica reduzido a mãos marginais com showdown value, como pares baixos.
River Xx
O Vilão aposta. Agora nós temos um fold fácil. Porque nós representamos showdown value no turn e mesmo assim o vilão apostou no river. 90%+ das vezes ele vai ter uma mão forte. E eu posso afirmar, pela minha experiência, que é muito raro o vilão blefar nesse river. O jogo está light e ele sabe que não tem fold equity para um bluff. Então se ele apostar nós largamos.
O vilão dá check. Isso é o que acontece na maior parte das vezes. Nós apostamos um pouco mais de ½ pot e o vilão vai dar fold na maior parte das vezes. Posso afirmar que eu já usei essa linha dezenas de vezes até hoje, talvez centenas de vezes. E só tomei check/call river duas vezes.
Esse float é muito eficaz em re-raised pots. Vamos comparar com o push. Basicamente, a maior parte das mãos que vão pagar o nosso push no flop atiram uma segunda aposta ou apostam no river. E as mãos que vão dar fold para o push dão check turn e check/fold river.
Para finalizar, vamos a outro tipo de turn.
Turn Q![]()
O vilão dá check. Aqui nós temos que apostar. Se nós dermos check atrás com Top Pair Top Kicker nós teremos showdown value e representaremos showdown value. Então eu sempre aposto nesse tipo de turn para que não fique fácil de ser lido e para que tenha uma porcentagem boa de air no meu range.
Nesses dois tipos de turn nós mudamos o nosso plano de acordo com a carta. Mas não mudamos o nosso raciocínio e nem ignoramos os nossos reads.
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Written by Diógenes Malaquias · Filed Under Artigos
5 de Agosto de 2008
Alguns jogadores vem me perguntando ultimamente sobre meus “notes” nos adversários, e como considero isso algo fundamental, vou tentar repassar a vocês a maneira pela qual faço minhas anotações e como elas podem me ajudar durante a disputa. Lembrando que jogo quase que única e exclusivamente torneios, portanto muito do que aqui será discutido será melhor aproveitado para multi-tables, embora possa vir a servir de orientação para as demais modalidades.
Antes de começar a explicar como faço meus notes, gostaria de mencionar o quão importante considero o papel de sites de monitoramento de resultados quando da criação de anotações. O site que eu mais utilizo e mais recomendo é o Official Poker Rankings, também conhecido pela sigla “OPR”. Utilizo o The PokerDB apenas quando estou jogando em algum outro site que o OPR não cubra, uma vez que o mesmo fornece informações valiosíssimas, de forma bastante prática, e o melhor, absolutamente de graça ( o PokerDB possui algumas informações que só podem ser acessadas por assinantes).
Quando você faz uma busca em determinado jogador no OPR, o site apresentará diversas informações, como total de prêmios, lucro, número de torneios, etc…(o site considera também torneios sit&go, portanto fique atento para filtrar as informações corretas)..
Muitas pessoas dão relevância exagerada em minha opinião sobre duas informações que, embora muito importantes, não as considero as mais vitais quando da análise dos dados de um jogador. São elas o Lucro e a porcentagem de In The Money (ITM), que nada mais é do que a freqüência com a qual o jogador entrou na faixa de premiação nos torneios em que jogou. Muitas vezes você encontrará jogadores com lucro negativo mas isso não significa que os mesmos não sejam bons jogadores. E o contrário também é verdade, ou seja, só porque um determinado jogador tem um lucro enorme isso não faz dele um excelente jogador. O mesmo serve para o de ITM. Grandes jogadores que jogam um jogo de elevadíssima variância (entrarei nesse importante assunto mais a frente) não necessariamente possuem um de ITM elevado, e mesmo assim são grandes vencedores.
Outro fator que não deve ser negligenciado de maneira alguma é a amostra. Todas as análises devem ser feitas através de uma amostra representativa, ou seja, o jogador precisa, necessariamente, ter jogado uma quantidade considerável de torneios para que as informações sobre ele possuam mais legitimidade e não nos levem a tirar conclusões precipitadas e errôneas. Um número que considero bastante satisfatório para se começar a ter uma boa idéia do perfil de um jogador é em torno de 500 torneios jogados.
Mas você pode estar se perguntando: “Mas apenas 500 jogos não vai me dizer se o jogador é um vencedor/perdedor no longo prazo. Não é preciso muito mais jogos que isso?” Correto. Realmente, para determinar se um jogador é ou não vencedor no longo prazo, é necessária uma amostra muito maior que essa, mas esse não é o objetivo da análise do perfil do jogador através dos dados do OPR. Não queremos saber se o mesmo é vencedor ou não no longo prazo, mas sim saber quem esta longe de ser. Em outras palavras, nosso principal objetivo não é identificar quem são os bons jogadores (obviamente esse também é um dos objetivos, mas não o principal), mas sim, quem são os jogadores fracos, pois são desses jogadores que você pretende extrair fichas e esses você consegue identificar mesmo com uma amostra pequena.
Ás vezes até mesmo 100 torneios (poucos torneios podem significar também inexperiência e pouco conhecimento do jogo) são mais que suficiente pra você perceber quando um jogador é extremamente fraco.
Vamos agora às informações mais valiosas na minha opinião que o OPR fornece e como eu as utilizo para determinar um possível perfil do jogador.
Average Finish (Média de posicionamento)
O Average Finish (Avg. Finish) eh na minha opinião a informação mais importante que você pode obter no OPR sobre seus adversários. Esses números apresentam qual a porcentagem das vezes que o jogador analisado foi eliminado em determinada posição no torneio, como bem no início ou na reta final.
O Avg. Finish é dividido em: Early, Middle Early, Midle, Midle Late e Late, sendo que os mesmos significam Início, Início para o Meio, Meio, Meio Para o Fim e Estágio Final, respectivamente.
O motivo pelo qual considero essas as informações mais importantes, é porque através delas (considerando-se uma amostra mais confiável como citado anteriormente) você consegue adaptar seu jogo da melhor maneira possível contra cada tipo diferente de jogador.
Quando você faz a busca em certo jogador, o Avg. Finish apresentará dois grupos de números diferentes. Entre parênteses, estão o que podemos chamar de média geral, ou seja, essas são as colocações finais que se espera de um jogador mediano e funcionam como base de referência para as informações logo à direita, que são os Avg. Finish efetivos do jogador pesquisado.
Agora que temos os Avg. Finish do nosso adversário devemos levar em consideração antes de tirarmos qualquer conclusão, um conceito extremamente importante que nos permitirá aproveitarmos essas informações da melhor maneira possível, que é a questão de Alta ou Baixa Variância de determinados estilos de jogo.Um jogador que executa muitas jogadas de alta variância normalmente apresentará Avg. Finish de Early e Middle Early elevados. Isso significa que eles normalmente jogam muitas mãos, quedas como flush draw e straight draw de forma agressiva, blefam com muita freqüência, etc.
Um jogador com baixa variância joga de forma bem mais simples e direta, não tenta jogadas desnecessárias, principalmente em estágios iniciais, não blefa com freqüência elevada, etc. Basicamente, meus notes baseiam-se em Alta ou Baixa Variância. Quando sei que um jogador apresenta um jogo de alta ou baixa variância, meu note sobre ele fica como sendo “parece ser alta variância”, ou “parece ser baixa variância”.
A partir do momento em que começo a prestar atenção nas suas ações na mesa, começo a retirar as palavras “parece” e tento jogar me adaptando contra o estilo que ele joga. Caso ele seja um jogador com alta variância e que tenha poucas premiações, é bem possível que ele seja um jogador fraco. Conclusão essa a que se chega em algumas rodadas após ver como o mesmo se comporta na mesa.
Tomando como base um jogador que apresenta Avg. Finish em Early e Middle Early elevados, explicarei agora como você pode vir a extrair o máximo (ou não entrar em conflito) de jogadores com essa característica.
Jogadores fracos com percentuais de Early e Middle Early elevados
Esses são definitivamente seus alvos quando você começa a jogar um torneio. Caso você encontre um jogador com essas características e que possua uma amostra consideravel de torneios jogados, coloque imediatamente uma anotação no mesmo de, por exemplo, “possivelmente fraco”. Lembre-se sempre que o OPR te dará apenas uma possível idéia do perfil do jogador analisado. A conclusão final virá a partir do momento em que você veja ele atuando de forma coerente com sua “Pré-anotação”. Portanto, uma vez que você tenha uma idéia de como pode ser aquele jogador, coloque anotações como “Possivelmente”, “Parece”, e as retire quando você chegar à conclusão de que o jogador já não mais somente parece ser o que você pressupôs através dos dados do OPR, mas ele realmente o é; como fraco, extremamente fraco, etc.
Um jogador fraco com elevados percentuais de Early e Middle Early posicionamentos, normalmente é o jogador que:
- Joga um elevado numero de mãos;
- Entra de limp no pote com diversas mãos suited;
- Joga qualquer As que recebe;
- Normalmente não desistem da mão quando acertam um Top Pair no flop.
- Arrisca seu torneio sem necessidade em quedas como flush draw e straight draw.
- Não preocupa-se com pot odds;
- Não preocupa-se com posição.
Jogadores com as características acima citadas normalmente irão apresentar percentuais de Early e Middle Early elevados na grande maioria das vezes, e são contra eles que você deve tentar jogar seu maior número de mãos em posição, sempre que possível. E recomendo adaptar-se da seguinte forma:
- Jogar mãos com bom potencial de desenvolvimento pós-flop (como suited connectors, Axs, pares baixos) e em posição contra os mesmos;
- Evitar ao máximo blefar;
- Jogar de forma agressiva e direta suas mãos “Premium” pré-flop, como pares altos.
- Diminuir o percentual de seus continuation bets quando não acertar nada no flop.
Ao mesmo tempo em que esses jogadores serão sua maior fonte de novas fichas, jogar de forma “errada” contra os mesmos pode ser prejudicial para o andamento do seu torneio na mesma proporção. Contra jogadores com essas características é difícil de se blefar, uma vez que qualquer que seja a melhora que a mão deles obtiver no flop, eles provavelmente continuarão na mão, muitas vezes não importando o tamanho da sua aposta. Eles continuam depois do flop com pares médios, quedas, pocket pairs baixos mesmo quando existem 2 ou até mesmo 3 cartas acima de seu par original no flop, etc. Portanto, evite principalmente a jogar fora de posição e muito agressivamente contra esses jogadores quando você não tiver uma boa mão.
Jogadores com percentuais de Early e Middle Early baixos
Esses são os jogadores com os quais você tem que ter mais cautela, principalmente em estágios iniciais dos torneios, pois, na maioria das vezes, eles são o que chamamos de Tight Agressive. Esses jogadores normalmente jogam poucas mãos, o que significa que eles filtram melhor suas mãos iniciais, exigindo maior cautela quanto a jogar com mãos mais marginais contra eles.
É importante ressaltar que não necessariamente jogadores com baixo percentual de Early e Middle Early sejam bons jogadores. Eles podem jogar dessa forma e ainda assim serem jogadores fracos. O mesmo vale para jogadores com elevado percentual de Early e Middle Early.
Geralmente, jogadores fracos ou extremamente fracos, apresentarão elevados percentuais nesses dois quesitos mas existem jogadores bons e excelentes com percentuais semelhantes, como veremos no exemplo a seguir.
Para ilustrar exatamente o que venho dizendo ao longo deste artigo, façamos uma pesquisa de teste com dois grandes jogadores vencedores em multi tables onde poderemos ver o contraste de cada um deles. No site do OPR, entre com o nome do usuário PearlJammer. Repare nos percentuais de Early e Middle Early dele. Faça o mesmo com o jogador FU_15.
Repare na gritante diferença entre as informações desses dois jogadores. O PearlJammer é um jogador extremamente tight em estágios iniciais, e isso é um fato. Assim como é fato que o jogador FU_15 apresenta um jogo de altíssima variância. Ele joga diversas mãos pré-flop em início de torneio. Ele aumenta potes com mãos extremamente marginais como suited connectors baixos e de forma bastante agressiva. Isso torna o jogo dele em num estilo de elevada variância, mas como dito anteriormente e podemos ver agora, não necessariamente um jogador com elevados percentuais de Early e Middle Early é um jogador fraco.
No próximo artigo, darei continuação a esse assunto importante onde falarei um pouco mais sobre as outras informações que o OPR fornece e como as utilizo de forma a se tirar proveito de diferentes estágios de torneios. Boa sorte a todos e até a próxima.
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Written by Diego Nakama · Filed Under Artigos
29 de Julho de 2008
Em meu primeiro artigo para o MaisEV eu poderia ter escolhido tratar de uma única teoria ou idéia que deixaria vocês de boca aberta, mas eu vou guardar isso para uma outra vez. Ao invés disso vocês vão ter de se contentar com meus pensamentos sobre uma área do jogo na qual poucos jogadores se sentem realmente confiantes, mas que é um ingrediente crucial se sua meta for se tornar o jogador que ninguém quer ter a sua esquerda. Estou logicamente falando sobre 3-bet em posição pré-flop.
Vamos usar um jogo típico com 100 BB deep 50NL 6-max como exemplo, onde estamos no button com a imagem e histórico de um TAG regular no jogo e um jogador de perfil parecido abre do CO enquanto temos a) TT, b) T9s, e c) KTo.
Agora vamos fazer o que tem que ser feito conforme uma nova informação é apresentada (nesse caso, a informação é o raise de um TAG a partir do CO): vamos decidir como essa informação afeta e define o range dele. Dando ao TAG um VPIP/PFR típico por volta de 22/19, precisamos primeiro reconhecer que embora ele dê raise em 19% de todas as suas mãos, essa porcentagem não é acurada para quando a ação chega em fold para ele no CO. Nesse caso o que conta é o Attempt to Steal que é em torno de ~35%, e por isso é seguro afirmar que seu PFR nessa situação é muito mais próximo de 30 do que de 19%. Dando a ele um PFR de 25% no CO, quando ninguém ainda entrou no pote, ele terá um range de 22+, A2s+, A7o+, K9s+, KTo+, Q9s+, QTo+, 76s – T9s. Um range grande com certeza, mas agora podemos começar a jogar nossa mão contra a dele ao invés de simplesmente jogar a nossa mão.
Assim como nós consideramos de que forma o raise do vilão afetou e definiu o range dele, vamos agora considerar como um 3-bet nosso definiria o nosso range. Assumindo um típico TAG jogando 100nl para abaixo, um range típico para 3-bet de um regular aqui poderia ser interpretado pelo vilão como JJ+/AQ+. Contra um range tão forte e com o entendimento do valor da posição, isso resultará em uma polarização da ação por parte do vilão. Por isso, eu quero dizer que raramente ele dará flat-call em sua 3-bet e mais frequentemente ele dará 4-bet ou fold. Mas antes de considerarmos o que essa polarização significa para nós , vamos primeiro olhar para quais seriam os efeitos de uma 3-bet com TT quando consideramos o que o vilão pensa sobre nosso range.
Por darmos 3-bet com TT nós representamos uma mão mais forte do que temos, já que decidimos que o vilão frequentemente vai nos colocar em pelo menos JJ, uma vez que dermos a 3-bet. Sempre que você jogar, é importante considerar como cada ação está definindo seu range e onde a força de sua mão se encaixa naquele range. Nesse caso, estamos estreitando nosso range consideravelmente por dar 3-bet, e TT se encaixa entre as mãos mais fracas desse range em força. Sempre que você se achar com uma mão que está entre as mais fracas do seu range, você usa essa mão para pegar um blefe ou como um blefe posterior representando uma mão ainda mais forte e um range ainda menor.
Conversamente, entretanto, quando uma mão está no topo de seu range em posição você pode fazer com que o vilão aposte por valor uma mão pior ou ele pode tentar blefar você para fora da mão imaginando que você esteja com uma das mãos mais fracas do seu range. Então se esse é o caso, a menos que estejamos planejando colocar mais dinheiro no pot com TT (contra uma 4-bet do vilão que espera que tenhamos JJ+/AQ+ a maior parte do tempo), estamos tornando nossa mão em ar se escolhermos dar reraise e fold para uma 4-bet porque não iremos até o showdown com ela. Por transformar nossa mão em ar desse modo, nossa única lucratividade vem do fato de que iremos ganhar esse pequeno pot sem um flop a maior parte do tempo.
Comparativamente, quando damos flat call pré-flop estamos no topo de nosso range de mãos com as quais daríamos call e também ganhamos o benefício de manter nosso range muito maior pois o vilão terá maior dificuldade para nos colocar em um range. O benefício de ter um range grande em qualquer situação é claramente o fato de que o vilão tem muito mais dificuldade em jogar corretamente contra nós já que podemos ter muitas mãos diferentes e também podemos representar muitas mãos diferentes como blefes. Claramente, a menos que estejamos encarando um oponente que seja explorável por dar 4-bet com um range que TT esteja a frente ou que vai incorretamente dar call em 3-bets com um range amplo demais, o flat call deve ser o move standart nessa situação. As mesmas considerações devem ser usadas para outras mãos em outras posições também – por exemplo, JJ encarando um raise do UTG. Para resumir, assim como as ações do vilão estarão polarizadas entre fold ou 4-bet, nosso range deve ser polarizado entre mãos as quais iríamos allin quando ele der 4-bet e mãos que poderíamos dar insta fold para uma 4-bet, evitando mãos que ficariam num meio termo como TT.
Com T9s temos uma mão que obviamente não é nem de longe tão forte como TT e de fato fará foldar algumas mãos melhores se dermos 3-bet com ela. Entretanto, embora possamos fazer com que ele dê fold em uma grande porcentagem de seu range, ganhando frequentemente o pot sem showdown, precisamos comparar isso com a lucratividade de se jogar essa mão em posição pós-flop. Por muitas das razões pelas quais dar 3-bet pré-flop com TT em posição é uma escolha medíocre, dar 3-bet com uma mão que joga bem pós-flop e até mesmo melhor que TT se for multi-way como T9s, dar 3-bet com T9s é um erro similar. Ter o button em um pot multi-way com uma mão como T9s tem uma quantia de equidade implícita inestimável já que uma mão como essa pode ver o turn, ao contrário de TT ou pocket pairs piores e possibilita a um bom jogador ganhar muitas mãos sem showdown as quais não seria possível tendo 66 por exemplo.
Agora finalmente, vamos considerar o mesmo raise do CO enquanto temos KTo. Podemos dar call? Quando olhamos para o range do vilão, ele inclui mais mãos que nos dominam (AK/AT/KJ/KQ/TT/KK/AA) que mãos que dominamos(QT/JT/K9s). Nossa mão na melhor das hipóteses, está no meio do range dele, e lembrando a Teoria do Gap de Sklansky, nós queremos ter uma mão que seja pelo menos igual à do vilão. Certamente que, sem conhecer um leak, uma falha explorável no jogo do vilão, da qual poderíamos tirar vantagem já que estamos em posição, esse flat call será difícil de jogar lucrativamente.
Mas voltando ao nosso julgamento original do range de abertura do CO (22+, A2s+, A7o+, K9s+, KTo+, Q9s+, QTo+, 76s – T9s), vamos agora considerar o range de 4-bet dele versus uma 3-bet em posição aqui. Assumindo que ele não tenha razão para esperar que nós vamos dar 3-bet/fold tão frequentemente, já que JJ+/AQ+ é uma parte tão dominante do nosso range, então a 4-bet dele deve ser algo em torno de JJ+/AK com algumas mãos randômicas no meio já que ele deve estar inclinado a sair da linha aqui ou ali. Tal range representa os top 3.5% de mãos, e quando comparado ao seu 25% PFR original no CO, esse é um percentual muito pequeno, e um desequilíbrio muito explorável entre seu range raise/continuar na mão (o ocasional raise/call mais seu raise/4-bet) e seu range raise/fold.
É importante manter um equilíbrio entre esses dois ranges em geral, porque um desvio em qualquer direção pode ser facilmente explorável. Por exemplo, nesse caso, se o desequilíbrio do vilão estiver em seu range raise/continuar na mão for muito grande em relação ao seu range total, então podemos explorar ele dando mais 3-bet por valor com nossas boas mãos do que normalmente faríamos. Mas se o vilão só continuará com o top 3.5% de suas mãos, então isso significa que ele vai dar fold (e muito raramente, call) 86% do tempo!
Quando consideramos também as vezes ocasionais em que tomamos call do SB/BB ou tomamos call fora de posição do CO que frequentemente terá um range em torno de 88-JJ, o fato de KT estar bem contra esse range, essa mão se torna um excelente candidato para o 3-bet já que decidimos que flat-call não é lucrativo.
Eu espero que esse artigo sirva como uma base para cimentar seu jogo pré-flop, enquanto levanta questões para se considerar outras situações. Considerações sobre como as ações definem o range de seus oponentes, onde sua mão se encaixa no range que você está representando, a importância de equilíbrio entre seus ranges, tudo isso é de vital importância não apenas para decidir quando e se dar 3-bet pré-flop, mas a qualquer ponto em que essas questões se aplicarem, para qualquer mão que você jogue. Usando o tempo para responder essas questões, a freqüentemente nebulosa pergunta “Devo dar 3-bet?” vai ter uma resposta muito mais clara.
Written by Eric von Guttenberg · Filed Under Artigos
22 de Julho de 2008
O controle de tilt é considerado uma das habilidade mais difíceis de se aprender para jogadores de poker iniciantes. E não só eles. Muitos experientes jogadores, até mesmo profissionais, constantemente têm problemas por não saberem quando parar, perdendo assim grandes quantias de dinheiro.
Diferentemente de leaks como bankroll pequeno, falta de value-bets no river ou range pré-flop muito grande, o tilt não é um leak que pode ser facilmente corrigido através de fórmulas e cada jogador precisa encontrar o seu método de encará-lo. Para a maioria dos jogadores é necessária uma mudança completa na mentalidade para realmente incorporar o controle de tilt em seu jogo.
Alguns jogadores têm muito sucesso usando práticas anti-tilt como o stop-loss — parar de jogar por um determinado período de tempo depois de perder um determinado valor. Outros usam atividades físicas, como corridas diárias ou idas à academia, para manter-se em melhor forma mental e assim ter mais prontidão ao reconhecer o aparecimento de sinais de tilt durante o jogo.
A solução principal, contudo, é se deparar de frente com o tilt e mudar a sua mentalidade quanto a isso. Muito se tem falado sobre o tilt e suas formas de controlá-lo ou extinguí-lo, mas mesmo que você use práticas anti-tilt, se você não perceber que haverão momentos em que você está prestes a entrar em tilt e que você deve controlar estes momentos, eventualmente o tilt se infiltrará pelas práticas anti-tilt em um dia em que você estiver desatento e fará seus estragos.
Devemos reconhecer que em muitos momentos a melhor jogada é parar de jogar. Em outros, a melhor pode ser se conscientizar que um determinado bad beat em um pote grande não deve influenciar em nada a nossa estratégia de jogo.
Longe de ser a solução definitiva, este texto inclui alguns princípios sobre o tilt a sobre os quais você deve refletir, a fim de poder encarar o problema e encontrar a sua solução pessoal.
Pare de Querer Ganhar Dinheiro
Parece paradoxal. No entanto, se você pretende ser um vencedor no hold’em, você tem que controlar o seu desejo de ganhar pots a qualquer preço. Como nos ensina Mike Caro no livro Super System, “você não é pago para ganhar pots; você é pago para tomar decisões corretas”.
Quantas vezes você entrou em tilt porque era favorito em um pot perdeu, e começou a jogar loose demais para recuperar, ou porque deveria ter dado fold e por causa do tamanho do pot — e sua imensa vontade de ganhar dinheiro — não conseguiu passar a mão?
Lembre-se: de acordo com Mike Caro, sempre que você deu um bom fold, você não economizou dinheiro; você ganhou dinheiro!
Você Não Controla as Cartas — Acostume-se a Isso
Segundo o renomado life coach americano Jack Canfield, a vida — e podemos aqui também considerar o poker — tem uma fórmula simples.
Evento + Resposta = Resultado
Portanto, os Eventos acontecerão em sua vida — e em sua mão — independentemente da sua vontade. Mas o Resultado, será sempre dependente da sua Resposta a eles. O river pode trazer uma terceira carta de copas, ou você pode levar um check-raise allin do jogador mais tight da mesa… Ainda assim, você poderá escolher se irá se entregar ao seu sentimento de raiva e pagar uma aposta que não deveria só por revolta à sua “má sorte” ou pode dar fold e perder menos do que perderia.
Quanto antes você se conformar que uma carta prejudicial à sua mão pode vir, ou que você pode tomar uma bad beat, e ainda assim manter a calma e decidir pelo correto, mais cedo você estará próximo de controlar seu tilt. Se você observar suas sessions ruins, verá que se você tivesse se conformado com os 2 buy-in’s que perdeu “injustamente” com seu AA e KK, você teria apenas perdido 2 buy-in’s; e não 5.
A Situação Sempre Pode Piorar
Darrell “Gigabet” Dicken em um de seus excelentes posts na 2+2, escreveu que “você sempre enfrentará uma bad run pior do que a pior que você previa”. Ou seja, por mais que saibamos que bad runs existem, sempre aparecerá uma bad run incrivelmente difícil, que nunca teríamos imaginado fosse possível.
Nessas situações o tilt costuma ser muito comum, pois irracionalmente pensamos que estamos sendo injustiçados e que esse tipo de coisa só acontece com a gente. Então jogamos tudo pro alto, começamos a apostar desenfreadamente e dizemos que nunca mais jogaremos poker. O resultado, no dia seguinte, é um jogador incrivelmente chateado por ter deixado isso acontecer e se perguntando como reconstruirá a parte perdida do seu bankroll.
Mike Caro expõe no livro Super System um conceito similar, fundamental para remediar a situação. Ele o chama de “Mike Caro’s Threshold of Misery” e consiste no seguinte:
“Quando uma situação se torna dolorosa demais, ela passa a causar uma anestesia no indivíduo.”
Por exemplo, vamos supor que você pudesse perder, confortavelmente, sem que isso represente uma perda extremamente dolorosa, $1.000 dólares. Claro, você não está feliz em perder $1.000 dólares. Mas não é uma tragédia para você. Mas, e se você perdesse mais de $30.000 dólares? Faria diferença perder $31.000 ou $32.000 dólares? Poucos jogadores sentiriam a diferença ao perderem esta quantia, mas é claro que a diferença existe e é grande, como Mike Caro nos ensina.
Por mais que depois de um tempo, emocionalmente pareça que nada mais importa… o segredo é agir como se você se importasse. Assim, segundo Mike Caro, você estará apto a tomar a decisão correta, mesmo que esteja com aquela sensação de que não faz diferença perder mais alguns mil dólares depois de ter perdido tanto.
Teoria das Sub-Personalidades
Como a psicologia nos ensina, todos temos sub-personalidades, frações de nossa personalidade. Assim sendo, podemos ser teimosos num momento e compreensivos em outro. Podemos ser jogadores de poker concentrados ou “crianças” querendo ir “brincar” lá fora com os amigos.
Cada vez que damos preferência a uma sub-personalidade em detrimento de outra, como por exemplo, deixamos de sair com os amigos para jogar poker, deixamos de aproveitar um dia de “preguiça”, para jogar poker ou deixamos de ficar com a namorada para jogar poker, enfim, nossa sub-personalidade que quer mais sussego, nosso lado mais “moleque” tende a “sabotar” nosso lado mais analítico e racional, o lado do jogador de poker.
Esse será aquele dia em que você intencionalmente (e sub-conscientemente) não entende a dinâmica da mesa, não sabe quem é tight, quem é loose, ou o que diabos você está fazendo naquele quarto sozinho com seu pc.
Portanto, saia se divirta e respeite seu lado que não quer jogar poker. Além disso: respeite seu lado que odeia poker (leia-se: trabalho). E ele te deixará em paz para jogar sossegado quando você realmente precisar e estiver em boas condições para fazê-lo.
Um dos fatores mais importantes para dominar o tilt, é estar tranqüilo, no verdadeiro sentido da palavra tranqüilidade. Para atingir tal situação é necessário equilíbrio. Reflita sobre essas considerações, elimine preocupações, deixe-se confortável e à vontade para jogar e na próxima sessão você já sentirá uma notável diferença em seu jogo. E assim melhores resultados virão.
Muito obrigado a André “andre–sp” Costa pela enorme contribuição com o artigo.
Written by Roberto Riccio · Filed Under Artigos
10 de Julho de 2008
Antes de me dedicar ao poker eu tinha sonhos de ser um grande jogador de xadrez. E fico muito feliz de ter tido uma base tão sólida como a que tive no jogo dos reis. Muitos outros jogadores de poker tiveram sua base em outros jogos estratégicos - como Magic e gamão - e tenho certeza que muitas das coisas que aprenderam em seus jogos anteriores, serviram como alicerce para o conhecimento adquirido com o poker. E assim foi comigo.
No xadrez eu aprendi a necessidade de estudar as fases do jogo e a relação entre elas; no poker eu busquei entender como funcionava cada street e perceber as conseqüências que as decisões em uma tinham sobre a outra.
No xadrez eu vi a necessidade de se jogar com estratégias diferentes, contra jogadores diferentes, e o mesmo se aplicou ao poker, que é um jogo onde a estratégia ideal sempre remete à adaptação.
Eu poderia citar vários exemplos de conceitos do xadrez que me auxiliaram no poker, mas alguns seriam óbvios ou não tão úteis a quem não tem experiência no tabuleiro. Por isso resolvi concentrar este artigo em algo que eu considero ser crucial na evolução de qualquer jogador, que é a idéia de nuances da posição. Nuances são leves diferenças ou detalhes finos. E quando digo posição, me refiro a uma situação específica de uma partida, não posições de mesa (button, small blind, etc.).
Quando no xadrez se estudam combinações (formas de ataque), o comum é ver várias posições chaves, a partir das quais serão mostradas as possíveis combinações vitoriosas. Mas o jogador não deve gastar seu tempo memorizando milhares de posições e torcer para que a mesma situação se repita em uma de suas partidas. Na verdade seria bem raro que a posição se repetisse de modo igual — devido às bilhões de possibilidades que uma partida de xadrez pode apresentar.
O que o jogador precisa fazer nos seus estudos é entender a linha de raciocínio tomada durante a combinação. Porque embora a posição dificilmente se repita, haverá partidas que apresentarão nuances da posição estudada, ou seja, vários detalhes semelhantes com sutis diferenças, e, se o jogador tiver compreendido a linha estudada, ele poderá perceber estas nuances e fazer as correções necessárias para elaborar uma combinação vencedora a partir do mesmo princípio.
Após está explicação tão técnica sobre este assunto, vocês podem se perguntar: “Tudo bem, mas como isso se relaciona com a evolução no poker?”
Veja: assim como no xadrez, no poker nós estudamos “posições” (de novo, situações, não confundir com posição na mesa) de partidas (mãos) já realizadas, e que dificilmente irão se repetir de maneira exatamente igual. Então, não devemos nos preocupar com uma mão específica e sim com a linha de pensamento usada para se chegar à jogada +EV naquela mão e as nuances que esta linha apresenta.
Exposto desta forma pode parecer algo claro e intuitivo, mas ainda assim, quando alguém publica uma dúvida em algum fórum ou comunidade, ou mostra uma mão jogada a um amigo, é normal que haja uma preocupação maior em saber a “jogada correta” do que entender a linha de pensamento que a originou.
Deixe-me mostrar um exemplo elementar para expor esta situação:
No-limit hold’em, 6 jogadores com 100 BB de stack cada.
- Hero, um jogador inexperiente, é o primeiro a agir (UTG), recebe JJ e aumenta 4 BB;
- O próximo jogador (UTG+1), desconhecido, paga sua aposta.
- Chega em fold até o Big Blind, um jogador conhecido por ser nit (extremamente tight) que tem uma noção razoável do jogo. Costuma jogar cerca de 10% das mãos e dar raise em 7%. Ele dá 3-bet para 20 BB.
Neste ponto o inexperiente Hero fica confuso, porque sabe que um par de valetes é uma das melhores mãos do jogo (top 2%). Depois de suar por alguns minutos, ele toma a sua decisão - que não precisamos saber qual é.
No dia seguinte ele ainda está pensando na mão, e resolve perguntar para seu amigo de infância Phil Ivey o que ele deveria ter feito. Phil diz que era um fold claro, por que o range do BB para dar a 3-bet provavelmente só possuía mãos melhores ou no máximo equivalentes aos Jacks.
Hero agradece, dá um “pedala Robinho” no Ivey e vai para casa satisfeito, com a seguinte conclusão:
“Quando eu tiver JJ, tomar um call de alguém e um raise de um jogador nit; eu devo dar insta-fold”.
Então ele aprendeu a lição?
Não!
Esta situação não vai acontecer desta exata forma com muita freqüência, assim ao fazer uma conclusão tão específica o Hero está limitando o seu aprendizado. O que importa nesta mão é qual o raciocínio usado por Ivey para chegar à jogada +EV e as nuances que o raciocínio apresenta.
O que faz o range do BB ser tão forte? Qual era aproximadamente este range após a 3-bet? Como a posição (na mesa) influenciou a decisão? Como a leitura que se tinha do BB influenciou?
Respondendo a estas perguntas, Hero vai absorver a linha de pensamento que estava por trás da jogada correta. E saberá jogar situações parecidas usando esta mesma linha, só alterando alguns detalhes devidos às nuances próprias de cada mão.
Perguntas como: “Com que mãos ele poderia ter pago ou aumentado o raise do BB? Com que leitura do BB o fold deixaria de ser correto?”. Se tornarão fáceis de se responder após Hero compreender o raciocínio subliminar da jogada sugerida.
Se o Hero teve dificuldades nesta mão, ele deve explorar este fato, visando sua evolução. Cada mão que deixa um jogador com dúvida é uma oportunidade de curar vários problemas que ele teria em situações parecidas. Algumas pessoas costumam manter um mesmo leak (falha) no jogo por um longo tempo sem nem sequer notá-lo. Postam/expõem muitas mãos sempre com a mesma dificuldade, mas só se importam com a resposta para aquela mão. Quando o real problema deles está na verdade em não compreender aquele “tipo” de mão.
O exemplo dado talvez faça parecer que este é um artigo dedicado somente a jogadores iniciantes, porém vejo muitos jogadores experientes apresentarem a mesma falha. Um exemplo disso é o célebre e bem conhecido Teorema Baluga que diz para reavaliarmos top pairs e overpairs quando recebemos um raise no turn. Poucos jogadores realmente entendem a linha que foi usada para se chegar a esta conclusão e destes, muito menos jogadores usam o mesmo raciocínio em outras streets (ou seja, avaliar a probabilidade de um c/r no river ser um blefe) ou em situações análogas, porque o enxergam de maneira específica. Outro problema comum aos mais experientes, é que às vezes em “guerras de regulares” encontram um adversário superior e não se concentram em entender as linhas que o adversário usa para superá-lo.
Os jogos de poker estão cada dia mais difíceis, com muitos jogadores tentando evoluir. Não desperdicem suas dúvidas. Muito menos suas boas respostas. Descubram as linhas de pensamento por trás delas. E as use em prol de sua evolução. Em tempos tão competitivos, pequenas nuances fazem a diferença.
* O Teorema Baluga diz para reavaliar top pairs e overpairs quando receber um raise no turn, pois estes raises raramente serão draws, principalmente se o raise for grande. Por outro lado, dar raise no turn com draws é uma boa arma contra bons jogadores.
Written by Ivanei Ivanov · Filed Under Artigos
8 de Julho de 2008
Neste artigo eu espero contribuir para o melhoramento do jogo dos leitores do MaisEV, dando umas dicas sobre como jogar limped pots. Não tenho a prepotência de ensinar completamente os segredos de um limped pot. Minha intenção é curar um leak que percebo que existe em 100% dos meus alunos de poker até hoje. E não foram poucos.
Cada mão de limped pot a que eu assistia, eu via jogadores bons darem de presente pequenas quantidades de dinheiro para os donkeys ou então doar um stack inteiro para outro bom jogador em situações claramente -EV. O bom jogador desprezava o pot por ele conter apenas 3 ou 4 big blinds e desistia dele em situações onde não deveria desistir; ou perdia seu stack inteiro em situações onde deveria dar fold.
Vamos à primeira situação. Em um limped pot o bom jogador acerta um segundo par no flop ou um top pair sem kicker. A minha observação nesses casos mostra que é muito comum o bom jogador desistir do pot simplesmente por quê não quer se envolver em um pot “pequeno” com uma mão marginal contra donkeys.
Entretanto, vamos fazer umas contas. Um bom jogador de no-limit hold’em 6-max tem uma winrate aproximada de 12 BB/100 mãos. Isso implica que esse jogador ganha em média 0.12 BB por mão e 0,72 BB por órbita. Então um pot de 4 BB, definitivamente, não deve ser descartado.
Muitos jogadores conseguem colocar os adversários em um range de cartas e jogar de acordo com isso. Porém o que eu observo em um limped pot é o medo de agir seguindo esse pensamento. Muitas vezes o medo ocorre por não se saber jogar bem o pós-flop e medo de se envolver em situações difíceis pelo pouco dinheiro a se ganhar. Mas já foi provado que perdemos muito com isso.
Vamos a outro exemplo. Mesa com 6 jogadores, os stacks são os seguintes:
UTG com 100 BB
MP com 165 BB
CO com 38 BB
BTN com 59 BB
SB com 120 BB
BB (Hero) com 100 BB
Pré-flop
UTG e MP fold,
CO e BTN limp,
SB fold,
Hero com T
7
check.
Flop
J
T
2![]()
Pot 3.5 BB
De acordo com nossos reads os dois jogadores que deram limp pré-flop são donkeys. O range deles de open-limp é bem grande, ultrapassa 40% das mãos. Nós temos segundo par no flop.
Aqui é o grande detalhe. A maioria dos jogadores de micro/small stakes desistem desse tipo de mão. Dão check/fold no flop ou vão de check até o final. Porém, claramente, o hero está na frente do range dos dois oponentes. O range de limp pré-flop deles é gigante. Então eles vão errar a maioria dos flops. Outro detalhe importante é que esse tipo de oponente tem característica de pagar muitas apostas. Logo, a nossa mão é mais do que suficiente para extrair valor de mão piores que a nossa. O certo nesse flop é apostar por value.
No flop fizemos um bet de 3 BB, o CO dá fold e o BTN dá call.
Turn
3![]()
Pot 9 BB
Aqui temos uma situação semelhante à do flop. Ainda estamos na frente do range do oponente pelo fato de o range dele pré-flop ser muito grande e também pelo fato de o range dele de call no bet flop ser grande. Por isso, no turn fazemos um segundo bet de 7 BB, e o oponente dá call.
River
J![]()
Pot 23 BB
Aqui a tomada da melhor decisão será baseada em reads e históricos. Também temos que nos basearmos na velocidade em que o BTN pagou os bets, pois geralmente um call rápido é sinal de uma mão fraca.
Nós podemos ir de check/call se o oponente for bem agressivo no river e capaz de blefar com missed draws. E não é raro acharmos donkeys passivos no flop e turn, mas agressivos no river. Nós podemos ir de bet também se o nosso oponente for muito calling station e for capaz de dar call com mãos piores. Iremos de check/fold caso o oponente somente aposte no river com mãos boas e dê check behind com draws perdidos.
Outra simulação de river:
River
7![]()
Pot 23 BB
Aqui claramente nós temos de apostar.
Com dois pares estamos muito na frente do nosso oponente. Apostamos 16 BB esperando sermos pagos por Jx, Tx, 2x ou qualquer outra coisa inesperada vinda de um donkey. Na maioria das vezes ele irá dar fold. Outras vezes call com um par. E em outra situação ele vai nos responder com um mini-raise para 35 BB onde nós teríamos pagar mais 19 BB. Nesse caso a melhor jogada é o fold.
Claramente o oponente está batendo a gente. E eu afirmo isso simplesmente porquê essa linha, quando adotada por um donkey, é uma mão muito forte mais de 99% das vezes. Observe que ele deu um raise pequeno para que a gente desse call. Ele não quer nos espantar para fora da mão e sim que nós fiquemos presos a ela com um raise tão pequeno. Assim a decisão mais lucrativa nesse spot é o fold.
O importante é que possamos entender o raciocínio que originou os bets no flop e turn. O range de limp pré-flop dos oponentes é muito grande. Então nosso segundo par no flop é mais que suficiente para extrairmos valor de mãos piores que a nossa.
Perceba que, se no flop ou turn enfrentarmos um raise, nós teremos um fold fácil. Não é lucrativo criarmos resistência com mãos marginais fora de posição sem termos um excelente motivo para isso.
A minha intenção aqui não foi criar uma “receita de bolo” de como jogar limped pots com essas características, até porque esse tipo de receita não existe no poker. Devemos sim, prestar atenção nas tendências dos bons jogadores e no comportamento padrão dos diversos tipos de jogadores fracos nesta situação.
Agora, vamos a mais um exemplo. Mesa com 6 jogadores.
UTG com 100 BB
MP com 165 BB
CO com 38 BB
BTN com 59 BB
SB com 120 BB
BB (Hero) com 100 BB
Pré-flop
UTG e MP fold,
CO e BTN limp,
SB completa,
Hero com T
7
check.
Flop
J
T
7![]()
Pot 4 BB
Nessa situação nós temos dois pares e claramente estamos na frente dos três oponentes. O CO e o BTN são donkeys e seus ranges são mais de 40% das mãos, enquanto SB é um jogador sólido e bom. Geralmente o range do SB são mãos que podem flopar bem, como poket pairs e suited connectors baixos.
O SB sai apostando 3 BB. Nós fazemos um raise para 11 BB. Os dois donkeys largam e o SB responde com um 3-bet para 34 BB. O que devemos fazer agora? Na minha opinião, fold. O SB não sairia apostando no flop contra 3 oponentes sem ter uma mão feita. Ele tomou um raise que demostra força e mesmo assim continuou na mão dando um 3-bet.
Vamos explorar o nosso próprio raciocínio que gerou todo esse artigo. A maioria dos bons jogadores de small/micro stakes jogam limped pots de uma forma muito conservadora. Então o SB não iria adotar essa linha no flop com apenas um par. Com um par, caso saísse apostando, ele daria fold para o raise ou no máximo call. Quando ele dá a 3-bet, o range dele, claramente, se resume a dois pares e straights. Raramente um combodraw. Assim, a melhor decisão nesse spot será o fold.
Espero ter contribuído um pouco com vocês sobre como jogar um limped pot.
Written by Diógenes Malaquias · Filed Under Artigos
4 de Julho de 2008
Primeiramente gostaria de agradecer ao Roberto Riccio o convite para contribuir com artigos para o MaisEV. É uma honra e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade, pois o público do fórum possui um ótimo nível de entendimento sobre o jogo e está na busca constante de novos conhecimentos. Por esse motivo sinto-me extremamente grato por ele ter depositado essa confiança toda em mim.
Para aqueles que não me conhecem, jogo quase que única e exclusivamente torneios. Desde o início, sempre me senti atraído pela atmosfera da disputa e a tensão das retas finais, onde o número de variáveis possíveis de serem exploradas são tantas, que as cartas, muitas das vezes, pouco importam. Esses são um dos motivos que sempre me levaram a jogar torneios, mesmo quando possuía um bankroll de $10 dólares.
No entanto, devo ressaltar que começar através de torneios não é nada fácil. Inclusive não sei se recomendaria isso para quem está começando, pois é a modalidade do poker que apresenta a maior variância entre investimento e retorno e, caso você não possua um bankroll saudável, você pode acabar quebrando várias vezes devido a essa variância. Mas como sei que existem muitos jogadores que preferem começar desta forma, acredito poder colaborar para tornar esse caminho árduo mais fácil de ser trilhado.
O grande chamariz que existe quando se trata de torneios é que você pode obter um retorno gigantesco se comparado ao seu pequeno investimento feito ao pagar o buy-in.
Mas o grande problema disso é que todos estão pensando da mesma forma que você. Todos aqueles que possuem um bankroll pequeno querem transformar aqueles $3 dólares em $3000. Tudo isso atrai mais e mais gente. E é aí que a vida do jogador de torneio começa a se complicar.
Em seu livro “Little Green Book” , Phil Gordon ressalta em um dos capítulos, relembrando a matemática básica do segundo grau, qual a probabilidade de determinados eventos ocorrerem de acordo com sua freqüência esperada. Ou seja, qual a probabilidade de eles sempre acontecerem.
Vamos para um exemplo prático para tornar isso mais claro. Suponhamos que você recebe um glorioso AA e acaba por entrar de all-in pré-flop contra um KK. Suas chances são de arredondados 80% de vencer a mão.
Segundo Phil Gordon, em um torneio ao vivo como o World Series of Poker, por exemplo, você joga durante 5 dias, 10 horas por dia. A probabilidade de receber um AA é de 1 em 221 mãos. Ainda segundo Phil Gordon, isso resultaria em algo em torno de um par de Áses a cada 5 horas de jogo. Logo temos:
5 dias x 10 horas por dia = 50 horas totais de jogo. Se a cada 5 horas recebo um AA, então 50 horas / 5 horas (freqüência com que recebo AA) = 10 pares de Áses ao longo de todo o torneio.
Consideremos situações de all-in pré-flop e digamos que para sobreviver, você não pode perder com nenhum dos 10 pares de Áses que receber, caso contrário estará fora do torneio. Quais são as reais chances de isso acontecer?
Como mencionado anteriormente, para uma única situação de all-in pré-flop entre um AA e um KK, por exemplo, as chances de vitória são de aproximados 80%. No entanto, quais as chances de você vencer a sua próxima situação de all-in pré-flop, tendo os mesmos 80% de probabilidade a seu favor?
A chance de sobreviver à primeira mão é de 80% e a chance de sobreviver à segunda mãe é de 80%. Aqui se aplica a regra matemática “e” do segundo grau, onde deve ocorrer a multiplicação dos fatores. Pois bem, então quais são suas reais chances de sobreviver à primeira mão e à segunda mão?
0.80 × 0.80 = 64%
E se fossem 3 mãos seguidas?
0.80 × 0.80 × 0.80 = 51.2%
Meu propósito com esse simples exemplo é demonstrar, matematicamente, como é difícil começar a jogar torneios quando você não possui um bankroll que te permita jogar buy-in’s mais caros e, conseqüentemente, com menos jogadores.
Em todos os eles, sejam com 2000 ou 200 jogadores, você sempre enfrentará situações de all-in pré-flop, pois isso é natural em torneios. E quanto mais situações dessas surgirem – e isto está diretamente ligado ao número de participantes no torneio – mais suas chances de vencer seguidamente vão diminuindo, matematicamente falando.
Isso tudo nos leva ao ponto principal deste artigo, que é o de orientar aqueles que estão começando com o poker a perceberem o quanto de sorte está envolvida em ganhar um torneio multitable com grande número de jogadores, e conseqüentemente na influência que isso exerce sobre a vida dos jogadores profissionais de torneios.
Se você vai ter um retorno substancial somente sobre uma pequena parte dos torneios que jogar, isto significa que as oscilações em seu bankroll serão muito maiores e por isso você precisa ter muitos buy-in’s do level que for jogar, afim de combater esta variância.
A Influência do Tamanho dos Fields
Como foi possível perceber, seu sucesso em torneios a curto e médio prazo será fortemente influenciado pelo número de jogadores que você irá enfrentar. Ao contrário do que muitos pensam, a grande maioria dos grandes jogadores profissionais não são aqueles que conseguem vencer um Sunday Million, por exemplo. De fato, muitos deles chegam a não gostar de jogar torneios imensos como esse, embora o nível dos jogadores não seja nem comparável aos torneios regulares que costumam jogar, como os de $100 dólares com rebuys.
Desde o começo sempre pude reparar como a relação field e expectativa de ganho sempre estão relacionadas, principalmente utilizando os grandes campeões como exemplo.
Por esse motivo, desde meu início no poker, sempre me preocupei muito mais com fields menores do que com premiações maiores. E, depois de começar jogando muitos torneios que custavam em média $1 dólar, hoje em dia consigo jogar os valores de buy-in que sempre desejei seguindo sempre essa estratégia, premiações menores mas fields menores, como forma de combater a variância.
Opções para Buy-in’s Baixos
Embora eu tenha sempre sido um jogador de torneios, no início optei por jogar sit and go’s multi-table – os sit and go’s de mais de uma mesa. Por isso, caso você possua um bankroll de menos de $100 dólares, recomendo que você opte por jogar sit and go’s de 45 e 180 pessoas. Foram nesses últimos que fiz meu bankroll crescer, pois, embora tecnicamente não sejam encarados como torneios multitable e sim como sit and go’ multi-table, na prática nada mais são do que torneios multitable sem horário para começar.
Os sit and go’s de 180 pessoas são excelentes para você desenvolver seu jogo em torneios, pois o field é muito bom e neles você poderá se deparar constantemente com situações chave, como bubble, mesa semi-final, explorar oponentes que sentem-se pressionados pelo dinheiro, etc.
No entanto, não estou dizendo que não se deve jogar torneios maiores caso seu bankroll seja baixo. A questão principal é no que você deve se focar principalmente. Intercale os torneios menores com algumas tentativas mais esporádicas nos maiores, mas preocupe-se principalmente com o foco. Além disso, existem sites não tão famosos que possuem diversos torneios com boas premiações e que são uma ótima opção.
O grande problema que vejo às vezes são jogadores que preferem dar entradas em torneios maiores pois, caso consigam vencer, teriam um bankroll dos sonhos. Mas nunca se esqueçam que tudo em poker envolve o longo prazo. Em torneios isto é extremamente importante, pois seja jogando sit and go’s de mesa única ou cash games, você precisa de uma grande amostra para saber se você é ou não um jogador lucrativo no longo prazo. Ou seja, para ser um grande vencedor de torneios, você precisará jogar muitos deles e, considerando-se as dificuldades citadas acima em jogar torneios com mais jogadores, eu vejo que a grande chave é começar por fields menores, mesmo que a premiação não seja tão atrativa, mas que demonstrará expectativa positiva maior no longo prazo.
Espero que este artigo possa servir como base para aqueles que pretendem iniciar jogando torneios, pois passei por todas essas dificuldades e sei como é difícil encontrar um caminho que se demonstre mais lucrativo no longo prazo. Como citado anteriormente, o principal glamour de torneios encontra-se em levar aquela imensa premiação com um baixíssimo investimento, e com isso muitas vezes acabamos por não nos sentirmos atraídos por torneios com premiações menores. Mas, pela minha experiência, garanto que com muito estudo e disciplina, batalhando bastante nesta última opção, você consequentemente será levado a ter sucesso na primeira.
Written by Diego Nakama · Filed Under Artigos