Tempos Difíceis

Por: 26/03/2012

Eu queria ter um cachorro, mas não queria comprar e sim adotar. Conversei com a Renata ela concordou e passamos a procurar em outubro de 2010, acho que uns 15 dias depois ela achou em um site essa cachorrinha.

Fomos na UIPA que era o canil onde ela estava, e a Re estava determinada a achar ela, acho que vimos fácil mais de 100 cachorros, vários pareciam pedir pra ir embora com a gente, eu já teria escolhido outro, mas a Renata insistia que tinha visto no site uma cachorrinha e tinha que ser ela. O guia já parecia meio sem paciência, pois a gente já andava por ali há uma meia hora quando finalmente conseguimos achar. Não tem como explicar, ela era a única cachorra quieta no canil, em um cantinho, não latia. Quando eu olhei pra ela eu entendi porque a Re insistia tanto. O guia disse que só poderia tirar ela do canil se a gente tivesse certeza que ia levar, não tivemos dúvidas, mesmo ela estando bem judiada, pedimos pra ele tirar ela do canil, passamos pela parte burocrática e fomos embora com ela, o guia ainda mentiu descaradamente que ela tinha 3 anos no máximo, mesmo que na hora alguém falasse que ela tinha entre 9 e 11 anos, idade que a veterinária (Dr. Fabiana um anjo de pessoa, obrigado por tudo Fabi) confirmou depois, a gente levaria ela do mesmo jeito. Depois de a gente dar o nome pra ela de Lady Luck e irmos ao petshop, ter os cuidados necessários, fomos pra casa.

Essa foto foi na hora que a gente chegou, aquele rabinho dela balançando era a marca registrada.

O que de cara me impressionou é que eu querendo fazer um agrado fui dar um pedaço suculento de carne pra ela, mas ela ignorou a mão com a carne e foi na outra pedindo carinho. E isso marcou a passagem dela conosco, ela era extremamente dengosa, vivia pedindo carinho e tinha um carisma que fazia todo mundo gostar dela. Era impressionante como todo mundo que se aproximava dela acabava se apegando, até alguns parentes que não eram muito chegados em cachorro gostavam dela.

A relação com um cachorro adotado é muito diferente, é difícil saber como, mas eles parecem ser muito gratos e em nenhum momento eles te desobedecem ou questionam sua autoridade. A Lady odiava ficar sozinha e nos primeiros dias ela dava um escândalo na hora que a gente ia deitar, depois de algumas broncas ela se adaptou bem a rotina da casa e nunca deu problema nenhum pra gente, tirando quando a Camila Kons veio passar uns dias aqui em casa e em um sábado a tarde que ela ficou sozinha ela simplesmente pulou da janela, quando eu a Renata e a Camila chegamos em casa foi um puta susto, mas nada de mais grave aconteceu.

Eu sempre tive um feeling de que ela não ia ficar muito tempo com a gente. Mesmo ela fazendo todos os exames e estando com a saúde em dia, ficava aquela sensação de que seria passageiro a estadia dela conosco e em dezembro do ano passado, um ano e dois meses depois de ela ter chegado em casa  a gente reparou em uns roxos na barriga, o que nos levou a descobrir que ela estava com um tumor bem grande no fígado. Eu acho que se ela tivesse ido naquela época talvez teria sido menos difícil. Logo nos primeiros dias de janeiro ela passou por uma cirurgia pra tirar o tumor e pro espanto de todo mundo, ela se recuperou 100% da cirurgia em 2 semanas. No final de janeiro ela já estava querendo fazer os passeios diários dela. Ela já estava totalmente normal, quando voltamos a achar manchas na pele, isso foi em uma terça feira, fizemos exames, consultamos uns 5 veterinários diferentes, na quinta ela precisou ser internada, na sexta a gente foi visitar e estava tudo bem, ela teria alta no sábado a tarde. Era fim de semana do CPH e eu estava comentando o torneio na TV MeBeliska, lembro que fui dormir umas 8 da manhã, as nove ligaram do hospital, quando chegamos lá ela já tinha falecido. Sem dúvida foi o dia mais triste da minha vida, não consegui ir comentar o CPH no sábado e acho que chorei em um dia mais do que chorei minha vida inteira.

Resolvi escrever sobre isso por dois motivos, poder dividir o que aconteceu é uma maneira de deixar as coisas pra trás, eu simplesmente não consegui fazer nada nessa semana que passou, eu ficava o dia inteiro em casa e embora a gente tenha adotado outra cachorra, ela era a minha companheira de grind. Ficar em casa esses dias tem sido difícil.

E principalmente porque a gente vê tanta história de maus tratos com animais, que eu queria poder propagar uma história com um final feliz, queria poder propagar o bem diante de tanta coisa ruim que a gente tem visto.

A Renata cuidou dela com um amor e um carinho que às vezes custa ver em relações humanas, ela teve todo o amparo necessário pra um fim de vida digno e por mais triste que seja esse momento, fica a certeza de poder ter feito a diferença na vida de outro ser vivo, poder ter feito algo de bom. Espero que um dia eu possa adotar uma criança também.

Por hora fica só a saudade de uma passagem feliz da minha vida!

Tchau Lady e obrigado por ter feito nossa vida tão feliz!

 


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