MasterMinds

Por: 03/09/2012

Não teria como começar a falar do MasterMinds sem citar a estrutura maravilhosa e única aqui no Brasil e o field é claro. O que foi aquilo? Nunca joguei um torneio com field tão duro. A maioria dos regulares tanto do online quanto do live estavam ali no pano. Logo o dia A não teria como ser diferente, todas as mesas recheadas de bons jogadores.

Vivi um dia 1 inédito em live, uma verdadeira montanha russa. Cresci meu stack logo no começo e só por isso não fui eliminada num cooler logo depois. Vários spots de 3bet rolaram entre mim e Carlão Carbingo que estava a minha direita até que a ação chega pra ele no botão que squeeza uma mão. Eu olho no SB e vejo um lindo par de reis. Meu pensamento foi instantâneo, “agora eu forrei”. Ele já havia perdido algumas fichas em relação ao stack inicial então logo criei um cenário na minha cabeça pra ir para o chão. Tudo aconteceu como eu queria. Coisa linda! Até que ele me abre um par de bicudos e acaba com minha brincadeira, rs. Ainda assim sobrei com um stack confortável. Mas depois dessa mão eu entrei numa onda de querer jogar 100% das mãos. Óbvio que o fim foi triste. Cheguei a cair pra 6k fichas no blind 100/200. Minha sorte que consegui reavaliar aquilo tudo em tempo e voltar para o jogo. Dobrei meu stack e acumulei mais algumas fichas aqui e ali. Naquele momento eu deveria ter um stack por volta de 20k e uma imagem destruída na mesa. Até que aconteceu a mão que me fez crescer de vez nesse 1º dia. Juro que na mão anterior eu olhei para o telão, pros níveis de blinds, vi que a relação do ante pro BB no próximo nível seria maior e penso: “vou tentar dar uma acalmada por agora já que não está passando nada mesmo e voltamos pro joguinho no próximo nível de blinds”. Ficou fácil sim viu. Faltava ainda uns 25minutos pra terminar aquele nível e chega em gap pra mim no CO. Olho aquele 75dd lindinho e subo óbvio. Levo 2 calls, do botão e do Victor Sbrissa no BB. Flop traz 962d, tenho a broca e backdoor flush. Cbeto e levo call apenas do Victor. O turn foi a coisa mais linda que eu poderia querer 4d. Dou 2nd barrel, levo check/raise, conto minhas fichas e dou somente o call. Pela quantidade de outs e fichas que tinha no pote poderia ter enfiado tudo no pano no turn mesmo, mas coloquei na minha cabeça desde o começo que eu não iria facilmente pra showdown por causa exclusivamente daquela estrutura espetacular. River trouxe meu flush, Victor tankou uma vida, mas acabou shovando. Com certeza essa foi a mão X do meu dia 1. Depois disso ainda perdi várias mãos, ganhei outras e finalizei o dia com 61k fichas. O stack era sonho já que o dia 2 voltaria em 400/800, mas não saí 100% feliz com meu jogo. Errei algumas mãos e terminei decidida a voltar melhor no domingo.

No domingo comecei bem, puxando a 1ª mão que joguei com um honesto 74cc fazendo runner runner flush. Achei que dali pra frente a coisa andaria bem, mas que nada. No 1º intervalo, depois de 2 níveis de blinds já tinha ido metade do stack só em potes pequenos. Joguei muitas mãos e não hitei mais board algum. Depois disso começou a dança das cadeiras. Trocar de mesa nunca é muito bom, quando se está short então é horrível. Quando eu estava entrando no ritmo e entendo cada jogador vinha a organização e bim, me trocava de mesa.  Me trocaram 3 vezes de mesa até que cheguei a mesa da tv e foi ali que as coisas começaram a acontecer. Eu sempre preferi jogar live descontraída, conversando e dando risadas.  Até aquele momento tinha sentado em 2 mesas bem sérias, com galera muito quieta e extremamente focada apenas no jogo. A única mais falante foi a 2ª que logo que sentei quebrou. Bem provável que tenha sido por isso que me senti bem na mesa da tv. Quando cheguei estavam Federal e Robigol trollando a mesa, criando “regras”  de showdown e somente naquele momento eu comecei a me divertir. Cheguei bem curta e ainda tentei um raise/fold com 12bbs que não passou. Cheguei a 7bbs até que finalmente acho um KTs do UTG shovo e levo call do Federal que apresenta 99. Ganho o flip já no flop, pra não ter sofrimento. Bom sinal ganhar um flip do Federal. É tão bom que até rima, rs. Depois disso as coisas realmente começaram a dar certo. Dei uns 2 resteals  e subi pra uns 18bbs. Nesse meio tempo Padilha havia sentado à mesa.  Chega um gap no botão pra ele que dá raise. Olho KQs no SB e shovo. Ele pensa por alguns instantes e me dá o call com A9, ainda me tirando 1 out pro flush. O flop trouxe meu flush draw que já se concretizou no turn. Ainda tive que dar aquela torcidinha básica porque justo o “A” dele era do mesmo naipe, mas não tive nenhuma surpresa desagradável nesse river. Dali por diante pude jogar deep várias mãos.

Fiz várias jogadas que nunca havia feito antes em live. Uma delas foi contra o Robigol. Subo KTo de MP, ele dá call e Padilha no BB com uns 25bbs também dá o call. Flop vem 842r se não me engano. Ambos dão check e eu cbeto. Robigol me dá check/raise e Padilha folda. Fiquei pensando por alguns instantes no que ele representava com aquele check/raise naquele board completamente seco e resolvi dar o call. Turn traz um 7 e abre um flush draw. Robi dá bet de uns 19k tendo mais uns 100 pra traz. Como minha leitura naquele momento era que ele não representava muita coisa resolvi dar raise turn pra deixar ele em uma situação desconfortável. Na minha cabeça não seria das decisões mais fáceis pra ele shovar um over pair ou até mesmo botton set ali. Sei que represento um range bem curto também, mas como estávamos no mesmo barco resolvi testar e acabei me dando mal. Ele puxou a barra pra cima de mim que dei insta fold. Mais tarde me envolvo num pote com Salsicha. Ele abre botão e dou apenas call com A6d no SB. Flop traz 997d e dou check/call com intenção de donk betar os turns que me abram outs. Turn traz um 8 e realizo o donkey bet e Salsicha me dá raise. Acho que o range de valor dele ali é curto e pra mim o Salsicha era um dos caras que poderiam dar raise ali com air tranquilamente, então decido dar mais uma, mas infelizmente ele dá o call. River vem blank e acaba em check/check e ele apresenta T9. Depois dessas 2 mãos pensei “a hora que eu tiver um valor nesse tipo de spot vou  forrar” e não deu outra. Mais tarde subo QQ do UTG, Federal dá call em MP e Salsicha call no BB. Flop vem Q86ss. Cbeto, Federal dá raise e Salsicha ainda tanka pra foldar. Sonho? O raise do Federal foi pra umas 32k fichas, eu faço tudo 71k com mais 100 e poucos pra traz. Federal shova, eu anuncio o call e ele já insta pergunta se trinquei. Federal tinha KK e iríamos pro chão em muitos spots sem a Q. Salsicha ainda disse que foldou uma Q. Busquei 1 out dos justos naquele flop.

No fim das contas foram as “damas” que definiram meu torneio. Ainda tive outro QQ jogado contra o Lifas. Não lembro bem a cronologia das mãos, mas acho que essa foi antes da mão com Federal. Foi um pote 3betado que barrelei 2 streets IP e ele foi de crai turn num board 8926 com 2 flush draws. Dei o call e ele abriu 86. (Naquele momento eu nem sabia contra quem estava jogando. Bem mal informada, diga-se de passagem. Já tinha percebido que aquele era um bom jogador, mas não tinha ligado o nome a pessoa. No dia 1 o Zé Irineu havia comentado sobre ele, elogiando seu jogo).  Ali meu torneio iria por água abaixo se não fosse o river salvador trazendo a dobra do 9. Ufa!

Depois dessas mãos consegui um stack extremamente confortável. Fiquei bem deep durante horas e me envolvi em muitos potes. Acabei perdendo parte do stack e quando foi anunciado o hand-for-hand do torneio eu tinha por volta de 220k fichas com os blinds em 4/8k. Dois all-ins e call rolaram e os dois shorts dobraram atrás. Até que sou BB e olho QQ de novo. Mesa roda em fold até o Bob Fraga que estava bem grande e dá raise no botão. Salsicha no SB da fold e eu penso por alguns instantes. Sei que Bob é malandro de live e saberia muito bem exercer a pressão da bolha naquele momento. Dou a 3bet, ele pergunta quanto tenho pra traz e shova a parada. Dou snap call e fico felizona quando vejo ele abrir 44. Nesse momento já havia sido anunciado no microfone o all-in e call e todas as atenções já estavam voltadas para a mesa. Flop traz KJ2hh. No momento que abre o turn eu nem tinha me ligado que o Bob tinha um 4h e minha Q vermelha era de ouros. Dai o malandro fala no microfone que o turn abre outs pro flush do  44 e naquele momento eu me senti muito mal. Acho que já estava me preparando pro river que trouxe a 4ª carta de copas, dando ao Bob o runner runner flush e me eliminando do torneio exatamente na Bolha!

A tristeza que bateu em mim naquele momento é indescritível. Eu como uma chorona assumida tive como 1º instinto cair no choro, mas consegui me controlar por algum momento. Cumprimentei a mesa e sai reto para o banheiro, sem olhar para os lados. Sabia que se parasse pra falar com qualquer pessoa cairia no choro no mesmo instante. Fui para o banheiro, chorei, lavei o rosto e voltei pro salão. Juro pra vocês que em momento algum eu fiquei queimada, fiquei realmente muito triste porque fazia muito tempo que eu não chegava em um live. Naquele momento a 1ª coisa que eu pensei foi na minha família, que mesmo não entendendo 100% a dinâmica do poker sempre me apoia e me incentiva a jogar os torneios. Mas depois de lavar o rosto, respirar fundo e voltar pro salão a tristeza da queda foi amenizada pelo grande carrinho que recebi. Vários jogadores que eu respeito muito vieram me abraçar, me elogiar e isso realmente não tem preço!

Fica aqui meu muito obrigada a todos que estavam torcendo e que me deram esse carrinho quando caí. Vocês não fazem ideia do quanto isso tudo me fez bem. Ainda não foi dessa vez, mas estou cada vez mais perto!

Desse MasterMinds fica a experiência. Um dos melhores torneios que já joguei na vida ao lado de grandes nomes do poker nacional.

Até a próxima!


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