Seja Impiedoso: Bom Cristão na Mesa é Donkey

Por: 04/02/2014

Como vão todos vocês? Espero que bem e felizes, independentemente da fase de cada um no jogo. O importante é sempre estar disposto a aprender com os erros e evoluir. Ou ainda, errar para aprender e evoluir. O caminho é duro, mas se efetivamente possui as habilidades necessárias acredite no seu potencial!

Hoje quero falar sobre as virtudes cristãs que fazemos melhor deixando fora das mesas. Um dos piores erros que um bom cristão pode cometer em um jogo de poker é continuar agindo da maneira que se espera dele. Eu, assim como a maioria da população brasileira, sou de formação católica e fui orientado a sentir amor ao próximo, compaixão, piedade e outros comportamentos diametralmente opostos (aprendi com o saudoso Enéas essa expressão) dos que são necessários para ser lucrativo nos panos.

Oras, mas como ser impiedoso com outros jogadores se sou, de fato, um bom cristão? Meu amigo, devo lhe informar que se você é um bom jogador de poker talvez não seja tão bom cristão assim. Não desmerecendo suas virtudes fora da mesa, jogar poker e ser lucrativo é positivamente um demérito no seu boletim para entrar no céu, a menos que doe parte de seus lucros ou promova projetos sociais com o dinheiro, o que não é o caso da esmagadora maioria dos jogadores.

As vantagens de ser impiedoso são inúmeras. As imediatas são explorar os mais fracos e maximizar os lucros, mas podemos extrapolá-las e dizer que até o fato de não sentir a dor alheia (compaixão) quando alguém toma uma bad beat, e nem mesmo rir disso, ou seja, ser indiferente a quem ganha e perde e se ajustar a isso, pode se converter em vantagem estratégica para nós (no poker frieza é tudo!). Da mesma maneira, quando se está short stacked em all in contra um oponente muito maior, a intenção deve ser a de causar a dor no adversário – por menor que ela possa parecer por conta da desproporção em fichas, sempre existirá! – e nunca sentir medo de perdê-las. Se não causarmos a dor, pelo menos ao projetá-la no outro ela diminui dentro da gente. E isso pode ser um fator que nos deixará mais fortes e imunes ao tilt.

No poker, bullying não só é permitido como é desejado. Se encontrou um adversário fraco ou desinteressado em metagame, aproveite as oportunidades para infernizá-lo! Não deixe para depois. Se você estiver atento à dinâmica da mesa, aos momentos de pressão financeira e principalmente ao estado psicológico dos oponentes mais fracos, vai perceber que não precisa de requisitos mínimos nas cartas para 3betar, 4betar ou fazer um move insano no river.

Outra forma de ser impiedoso é nunca fazer acordo para salvar um ou dois jogadores (situação indesejavelmente comum em torneios live). Mesmo quando se está com poucas fichas numa posição dessas, se procurar bem, encontrará os spots onde a pressão financeira e seu “micro-takedown” podem ser efetivos. Há uns dois anos não faço acordo para salvar o “bolha” e ninguém consegue me fazer sentir mal por isso.

Deixo essa reflexão para vocês (e para mim, haha!), pois eu pelo menos tenho a mania de sobrevalorizar minhas virtudes. Nesse momento estou sugerindo a vocês suprimir ou superar essas que citei, para que consigam melhorar seu desempenho no jogo. E se você for mesmo um bom jogador e cristão, cogite usar parte do dinheiro que ganha em iniciativas que melhorem a qualidade de vida de pessoas em necessidade.

Fiquem à vontade para me seguir no Facebook  e para assinar meu canal no YouTube (www.youtube.com/dinokentaco). Um grande abraço e good vibes!

 

Já deu uma passadinha na Loja MaisEV hoje?


Veja mais:

Salas de Poker