Controle de Pote no Flop e Polarização no Range de C-Bet

Por: 01/11/2012

Atualmente o poker chegou a um patamar extremamente agressivo e existe um número muito grande de jogadores que sabem usar da agressividade a seu favor, e muitas vezes, torna-se exaustivo e muito complexo jogar contra esses adversários. Deste modo, faz-se necessário uma ferramenta para conter tamanha agressividade e dar ao bom jogador maneiras de manipular o dinheiro na mesa, criando grandes ou pequenos potes e manuseando-os da maneira que melhor entender.

O “controle do pote” basicamente consiste na ideia de controlar a quantidade de fichas no pote, mantendo-o grande ou pequeno. Phil Gordon explana em seu “O livro verde do poker” a seguinte frase: “Mão pequena, pote pequeno; Mão grande, pote grande”, e completa dizendo que o controle de pote deve ser utilizado quando se tem uma mão com valor de showdown, porém uma mão que proporciona receio de apostar, ou seja, o check behind passa a ser melhor que o c-bet.

Matt Colletta, especialista em Heads-Up descreve em um de seus livros uma técnica extremamente importante e didática de polarização de c-bet. Depois de entender e aplicar essa técnica tenha certeza absoluta que seu jogo vai se elevar a outro patamar. Tente ler o próximo parágrafo de maneira concentrada e crítica, nele está um dos pontos cruciais que vai te destacar dos demais jogadores.

A primeira coisa a saber é que a partir de agora sua continuation bet será polarizad por ranges. Com determinada gama de mãos você vai c-betar, já com outras mãos vai optar por check behind. Inicialmente isso vai mudar seus potes HU, é incrível o quanto você vai se livrar de situações complexas e indecisões que no longo prazo apresentam uma equidade negativa. Dividindo essas gamas, todas as mãos de hold’em vão ficar em um espectro, em uma linha reta, assim, em uma ponta terá a pior mão (23o board – K78o) e em outra ponta a melhor mão, o (Royal straigth flush). Agora, ficará inclinado a c-betar os dois extremos desse espectro e dar check behind com a parte central dessa linha o que se resume a: a) A high; b) Par baixo; c) Par médio. Por tanto, você vai c-betar sempre que tiver air e sempre que tiver um bom valor, em contrapartida vai dar check behind com as mãos em que tiver um valor médio. Porque fazer isso? 1° – Você vai controlar o tamanho do pote com uma mão incerta, uma mão de valor duvidoso. 2° – Inúmeras vezes vai conseguir ação em streets posteriores, induzindo o vilão a optar pelo blefe ou pensar que tem algum tipo de valor. 3° – Muitas vezes seu valor mediano é a melhor mão, porém você pode ser obrigado a largar no caso de um raise do vilão. Para fins de fixação segue alguns exemplos:

Você está no CO e recebe QQ (stacks efetivos de 35bbs) e dá open raise para 2.5BB’s, o vilão no BB paga. O flop é K94o, o vilão check, Hero check behind. Nessa situação você realmente deve dar check behind. O controle de pote aqui é exercido muito bem, já que o seu QQ tem muito valor de showdown e não tem muito valor para uma aposta, além disso você muitas vezes ganhará ação no turn e river de JJ, TT, 9x, 88, 77, 66, dentre outras mãos que poderiam ter sido desligadas no flop contra um c-bet.

Em situação similar ao exemplo anterior, porém agora você tem AQo no board KQ2o, novamente é melhor optar por check behind, com o intuito de controlar o pote e extrair turn e talvez river de JJ, TT, 99, 88 e outras Q, como QJ, QT.

Os dois exemplos acima, são bem genéricos, e logicamente existirão diversos outros fatores quando jogarem uma mão de hold’em. Porém, a principal intenção é abortar o tema da maneira mais didática possível, fazendo com que vocês tenham uma compreensão fácil e simplista. Tentem colocar isso no jogo de vocês dessa maneira simples, logo após um tempo vocês estarão fazendo diversas adaptações, controlando o pote com diversas mãos de valor mediano em inúmeras circunstâncias distintas. Mas a princípio tentem não complicarem muito, isso vai ser importante para a fixação do assunto.

Como visto, saber controlar os potes que se envolve é um assunto extremamente importante podendo ser visto de maneira muito ampla, observando diversas circunstâncias as quais fazem o controle a melhor jogada ou não. Aliás, isso é poker, uma ciência não exata. Basicamente o controle de pote se resume a manter um pote com um tamanho pequeno quando se tem uma mão com valor de showdown, mas que não nos proporciona muito valor para apostar, então se busca ver o showdown da maneira mais barata e simples possível. É uma ferramenta muito importante e deve estar pronta para ser usada no arsenal de um top player pois será de grande valia. Foram analisadas apenas algumas situações onde pode ser aplicado o controle de pote, mas o estudo não deve se resumir a isso, já que todos os dias aparecem inúmeras situações que vão criar dúvidas quanto a usar ou não essa ferramenta.

É importante ressaltar que em determinadas situações que envolvem outras circunstâncias como stacks, adversários, momento do torneio, o c-bet vai ser extremamente mais lucrativo que o check behind em uma perspectiva de longo prazo, porém, pretendo escrever outro artigo abordando as situações em que mesmo tendo mãos com valor de showdown o c-bet vai ser mais rentável. Por enquanto, compreendam o assunto de forma mecânica, apliquem-no de forma mecânica, façam com que o aprendizado passe a ser algo comum no seu jogo.

Até o próximo artigo, salvem algumas mãos onde vocês se depararam com as situações agora abordadas, mãos de valor mediano em diversos flops e me enviem no email, assim que possível respondo dando minha opinião sobre a mão. É interessante que tentem ir se adaptando à linguagem usada em artigos mais avançados, como por exemplo, cb = continuation bet; cbh = check behind, HU = heads up; abreviações que irão agilizar e facilitar o aprendizado futuro.

 

Rafael Tosati mora em Arraial D’ajuda – BA e é  integrante do StealTeam. Ele joga MTT’s mid e low stacks online, e NL200 / NL400 em cash games live, sua real especialidade. Ele joga no PokerStars com o nick “tosati’s”

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Email – tosatii@hotmail.com

Historiador por formação, conheceu o MaisEV em sua primeira semana de vida, ainda em 2007. Em pouco tempo, tornou-se editor-chefe do site para fazer o que faz de melhor: escrever.

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